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Silêncio! Ouviu-se cantar o fado em Mississauga

O Centro Cultural Português de Mississauga, realizou no dia 5 de outubro mais uma magnífica Gala de Fado, em homenagem à icónica Amália Rodrigues, que este ano, coincidiu com o 20º aniversário da sua morte.

Tony de Sousa, visivelmente emocionado, e falou da satisfação que sentia, por um lado ao ver que a sala se encheu de novo, para mais uma Gala de Fado e, por outro por perceber que cada vez mais pessoas querem participar e colaborar cedendo ao Clube, temporária ou definitivamente, algum espólio relacionado com a Rainha do Fado. O presidente do Clube explicou também ao Milénio Stadium as razões que levaram o PCCM a convidar as fadistas Cathy Pimentel, de Montreal e Filipa Cardoso, de Portugal – “vamos ter hoje duas vozes lindas. Uma “nossa” daqui e outra “nossa” de lá. A Cathy já é a segunda vez que vem cá. Quando veio cá a primeira vez gostei bastante da maneira como ela cantou e da voz dela e a Filipa também já cá esteve num evento. Ela tem uma voz que arrepia. Ela não é muito alta, mas tem uma voz bastante alta (risos). Hoje ela vai cantar algumas canções da Amália e outras dela própria. Portanto, acho que vai ser uma noite em cheio. É um prazer e um orgulho que nós sentimos por fazermos este evento.”

Quem teve a oportunidade de se deslocar nessa noite de festa ao Centro Cultural Português de Mississauga pode apreciar, logo no hall de entrada do clube, para além do lindo vestido, que agora é propriedade do PCCM e que era da própria Amália, alguns quadros que evocam a diva do fado, como por exemplo um que saiu das mãos de Maria Almeida – um trabalho de pormenor, todo feito em ponto cruz.

A sala estava cheia e ansiosa para receber a fadista Cathy Pimentel de Montreal, acompanhada por Valdemar Mejdoubi na viola de fado, Pedro Joel no contrabaixo e Nilton Rebelo na guitarra portuguesa. Antes porém, tivemos ocasião de falar com a fadista que confessou estar muito feliz e honrada e prometeu “dar o melhor de mim mesma, fazer um lindo espetáculo para as pessoas que vieram até aqui e também agradar ao Tony que me convidou para estar aqui esta noite.” Cathy recordou ainda que desde pequenina sempre sentiu o fado na sua vida, através da sua tia e até da mãe, mas “eu comecei a cantar com 33 anos, é preciso ter experiência de vida para cantar o fado com emoções.”

O concerto começou e fez-se silêncio para se ouvir cantar o fado. Com uma apresentação quase poética de Henrique Conde, Cathy Pimentel subiu ao palco e mais tarde foi a vez de Filipa Cardoso conquistar a sala com a sua voz poderosa, acompanhada por Guilherme Banza na guitarra portuguesa, Bernardo Viana, na viola de fado e Frederico Gato, no baixo.

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No final do concerto, Filipa Cardoso teve ocasião de conversar com Madalena Balça, numa entrevista exclusiva que será transmitida, na íntegra, no nosso programa It´s Showtime da Camões TV e confessou a sua admiração por quem tem a coragem de emigrar “o sacrifício que as pessoas fazem, às vezes a deixarem lá os pais, às vezes a irem embora e deixarem cá os filhos… a coragem destas pessoas, a coragem de ir para um caminho que é incerto, não sabem o que vão encontrar, deixam a terra que os viu nascer, mas vêm com uma força de vencer, com uma garra… é de louvar. Eu tenho uma grande admiração pelas pessoas que emigram. Eu não sei se seria capaz.”

A realização da Gala de Fado do Portuguese Cultural Centre of Mississauga, para além de todo o trabalho que envolve a direção e os membros do clube que se voluntariam para a tornar uma realidade, conta com o apoio de várias entidades e empresas. É o caso da MDC Media Group, Camões Radio e Camões TV, cujo presidente, Manuel DaCosta, explicou à nossa reportagem por que razão apoia esta iniciativa – “em primeiro lugar, é porque eu gosto muito de fado. Principalmente da Amália Rodrigues que foi uma pessoa que realmente elevou a nossa cultura e o nosso Portugal ao Mundo inteiro. Uma pessoa tem que se associar a um património que nos enche de orgulho. Em segundo lugar, temos um Clube de Mississauga que todos os anos promove este evento para nos trazer o que temos de melhor nesta área do fado e eu acho que vale a pena suportarmos eventos como este.”

E assim se passou mais uma noite em grande e bem à portuguesa. Para o ano haverá mais.

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