Comunidade

Outros tempos… outra gente!

Em junho de 1976 – no Belwoods Parque – assisti àquelas que creio terem sido as primeiras comemorações do Dia de Portugal em Toronto.
Estas foram realizadas graças ao esforço do saudoso Dr. Ernesto de Magalhães Feu – então Cônsul de Portugal – que naquele dia também ali cantou o fado.
Foi uma tarde bonita que nunca mais esqueci.

Lembro-me também de um outro ano em que veio o Rancho da Camacha, da Ilha da Madeira, que encantou todos aqueles que assistiram à sua exibição. Isto ainda nos anos 70.
Depois o Dia de Portugal passou a ser assinalado em cada ano.

Quando entrou para a presidência o José Eustáquio, e este me convidou para participar na ACAPO eu lembro-me das reuniões no então First Portuguese, na College St., onde haviam muitos voluntários que tornavam com a sua vontade férrea um verdadeiro dia festivo para os portugueses, – e não só!

A Parada sempre foi um dos atrativos para muita gente que vinha de outras cidades do Ontario, para ver Portugal desfilar na Dundas St. com seus ranchos folclóricos vestidos ao rigor de cada região que representavam, cantando e dançando modas das nossas terras frente a multidões que ladeavam as ruas.
E muita gente orgulhosa deste dia exibia a nossa bandeira.

Mais tarde o parque enchia-se com milhares de pessoas que ali se instalavam para verem artistas locais e nomes sonantes que vinham de Portugal e que eram sem dúvida o que de melhor havia no nosso meio artístico, sendo por isso muito dispendiosos.

Como posso esquecer a atuação de um Rui Veloso, José Cid, Pedro Abrunhosa, Xutos e Pontapés, Adelaide Ferreira, Paulo de Carvalho e tantos outros, aos quais todos assistíamos sem ter que pagar bilhete!

Sobre a ACAPO, e em especial sobre os ombros de José Eustáquio, as coisas iam-se complicando cada vez mais, talvez porque certos políticos viam a força que este dia estava a ter no nosso meio, e as exigências aumentavam cada vez mais de ano para ano…

Havia que pagar uma exorbitância para alugar o espaço do parque para as festividades, a polícia para garantir a segurança, etc. etc.

Estas coisas são como os impostos que estão sempre a subir, embora nos prometam nas campanhas eleitorais que isso não vai acontecer.

Como diz o povo “fia-te na virgem e não corras”e o Eustáquio acreditava sempre que no próximo ano seria melhor. Mas nunca foi!

Não sei como vai ser este Dia de Portugal 2018, mas seja como for, ainda prevalece a vontade de alguns em não deixar que este dia seja só uma recordação de tempos idos.

Não vejo há muito o José Eustáquio, mas imagino o seu estado de espírito nestes dias em que se sente de “braços amarrados” por não poder voltar aos tempos áureos das grandes manifestações festivas que viveu em cada junho.

Ele fez tudo o que lhe foi possível fazer, tenho a certeza, mas remar contra a corrente, cansa. E pior ainda quando nas águas começam a aparecer tubarões que não fazem mais que complicar a vida de quem quer seguir em frente.

 

José Pereira

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