Comunidade

Na Casa do Alentejo, fez-se silêncio para se cantar o fado

No passado sábado (7) aconteceu, no Salão Nobre da Casa do Alentejo de Toronto, mais uma Noite de Fado. Esta noite marcou também a abertura da época 2019-2020 desta Casa e, perante as cerca de 150 pessoas presentes, Elizabeth Gouveia, fadista da comunidade, foi a primeira a pisar o palco e considerou a Casa do Alentejo como “A Casa de Fado de Toronto”.

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“Quando me estava a vestir no camarim passou-me pela cabeça as figuras do fado que já passaram por esta Casa e esta Casa, por tradição, é a Casa de Fado em Toronto. O Clube de Mississauga faz muitas Noites mas não é em Toronto! Lisboa à Noite fez muitas Noites de Fado com o Valdemar Mejdoubi mas eu levo muito a sério esta Casa quando canto fado, porque para mim é a Casa de Fado em Toronto!”, afirmou a fadista, de sorriso no rosto.
Para além de alguns temas da música portuguesa bem conhecidos de todos os presentes, Elizabeth cantou também, por exemplo, um poema de José Mário Coelho, algo que diz muito às pessoas residentes em Toronto.
A artista confessou ao nosso jornal que a permanência desta a junção de Portugal e Canadá no seu repertório é de extrema importância: “É super importante porque no Canadá temos muito talento. A Clara Santos gravou há pouco tempo alguns originais, alguns escritos pela mãe dela, um por ela, penso eu, e outros pelo Hernâni Raposo, ela que tem uma voz maravilhosa! Esta parte da originalidade e criatividade é muito importante porque cá temos muito talento. O meu marido, Tony Gouveia, vai lançar um novo CD em breve onde seis temas são originais e alguns tocam-me muito. Portanto quem tiver aquela habilidade de expressar e escrever o que sente cá dentro faça favor de o fazer! Seja cá ou seja lá!”, sugeriu.

Apesar de não ser para já, ficou a promessa de um novo trabalho: “Não vem ainda porque trabalhámos no meu e depois o Tony começou a trabalhar no dele. Agora já recomeçamos o meu mas como trabalho a tempo inteiro não tenho todo o tempo do mundo para dedicar ao fado. Mas vai sair!”.

Elizabeth Gouveia partilhou o palco com Luís Capão, um jovem fadista alentejano, e não lhe poupou elogios: “Eu não o conhecia! Quando me convidaram para fazer a primeira parte desta noite eu fui pesquisar e quis ouvir. Ele tem uma voz maravilhosa! O fado nunca vai acabar porque existem estas vozes maravilhosas que lhe vão dar continuidade!”.

Esta foi já a terceira vez que Luís Capão esteve presente na Casa do Alentejo. Depois de duas presenças bastante agradáveis, o artista não hesitou em aceitar quando lhe foi feito o convite para estar presente nesta noite. “Estou a contar que esta seja a terceira noite espetacular onde se escutará fado, onde vou pedir que estes alentejanos e todos estes portugueses em Toronto cantem comigo, oiçam alguns temas bem conhecidos e fiquem também a conhecer um pouco do meu trabalho: canções e fados originais. No fundo espero que todos se divirtam e espero que me tratem, pelo menos, como da última vez, que foi de uma forma fantástica! Foi por isso que, quando me fizeram o convite para esta terceira vez eu aceitei de imediato!”, confessou.

O artista alentejano, que tem discos de produção própria, confessou ao Milénio Stadium que este ano teve, talvez, a maior dádiva da sua carreira: venceu a Grande Noite de Fado, em Lisboa. “Isso talvez tenha sido, até hoje, o melhor marco na minha pequenina carreira (risos). E, como tal, estou ainda a usufruir um pouco disso… Por ter ganho essa competição vou fazer, por exemplo, um espetáculo no dia 27 de setembro no Festival Santa Casa Alfama, que é um festival de fado na cidade de Lisboa. Para o ano sairá, talvez, um novo trabalho discográfico”.
Natural de Alter do chão, no Alentejo, o artista rumou a Lisboa com o intuito de estudar. “Consegui tirar o meu curso, no entanto, aquilo que me faz mais feliz é poder fazer a coisa que mais gosto e através disso levar a minha vida a fazer os outros também felizes – e no fado eu consigo fazer isso. E, então, só em Lisboa é que eu consigo cantar todos os dias da semana ou cantar quando tenho mais vontade de o fazer. Trocar o Alentejo por Lisboa fez todo o sentido. Não deixo de ir ao Alentejo, não deixo de visitar a minha família, não deixo de amar a minha terra que é Alter do Chão mas a vida hoje é em Lisboa e esta semana foi aqui, em Toronto! (risos)”.
Segundo Luís, o fado sente-se de maneira diferente aqui, do outro lado do Atlântico: “Sim, principalmente aqui, na Casa do Alentejo e no público que veio aqui das últimas duas vezes e que hoje também estão presentes, juntamente com caras novas, o que é bom sinal. O que eu sinto aqui, quando me ouvem cantar o fado é, de facto, uma ligação a Portugal, uma ligação direta ao ser português, àquela saudade que têm do país, dos familiares… O fado é saudade: vejo que eles aqui sentem muito isso e é por isso que gostam e acarinham tanto estas noites de fado!”.

O público adorou ambas as atuações, que foram acompanhadas por Hernâni Raposo à viola, Valdemar Mejdoubi na guitarra portuguesa e Pedro Joel no contrabaixo, e os aplausos fizeram-se ouvir durante toda a noite.
Uma sala cheia é sinónimo de uma noite de sucesso. Que o diga Rosa de Sousa, Relações Públicas desta organização, que para além de se mostrar bastante satisfeita também aproveitou para levantar o véu sobre a programação da Casa do Alentejo para a época que agora se iniciou. “No dia 21 teremos o Baile das Vindimas, com o DJ que vem de Montreal, depois temos a organização da Semana Cultural Alentejana, que começa a 18 de outubro e que terminará a 26 do mesmo mês. A seguir temos o São Martinho, temos a Festa de Natal das Crianças… Temos várias coisas! O mês de dezembro é sempre cheio e finaliza com a Passagem de Ano”.
Sobre a já habitual e popular Semana Cultural quisemos saber se a Casa do Alentejo irá poder contar com a presença de personalidades desta região portuguesa. “Vamos trazer alguns grupos alentejanos, presidentes de câmara e vamos trazer um rapaz que já cá esteve a cantar fado e que foi uma das grandes atrações que passou pela Casa do Alentejo e que as pessoas todas nos estão sempre a pedir ao longo do ano: o Luís Caeiro!”, adiantou Rosa de Sousa.

Também Clara de Sousa marcará presença nesta Semana Cultural assim como outros artistas locais que Rosa de Sousa preferiu não revelar os nomes, por ainda não estarem confirmados.
O melhor mesmo é estarem atentos e marcarem na agenda o dia 18 de outubro!


Autor(a): Inês Barbosa
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