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Manuel DaCosta- Cidadão de Honra de Viana do Castelo

Naquela tarde de domingo, Viana do Castelo festejou os seus 171 anos como cidade. O Teatro Sá de Miranda, uma verdadeira joia do município vianense, acolheu a festa. Cheio de vianenses que saíram de casa para aplaudir conterrâneos que seriam, nessa tarde, distinguidos pelo Câmara Municipal, numa decisão unânime do executivo, constituído por nove membros.

O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, não escondeu a sua satisfação depois de terminar a cerimónia de comemoração do aniversário da cidade – “hoje é um dia particularmente feliz, não só por ser o aniversário da cidade, mas acima de tudo porque temos a oportunidade de, nesta sessão solene, homenagear personalidades e instituições de Viana do Castelo. Pessoas que estão no nosso país, que estão na nossa cidade, mas também estão pelo mundo e o que nos dá mais orgulho é vermos que temos personalidades de enorme prestígio em todas as áreas de atividade e penso que hoje ficou bem marcado que estas pessoas têm ajudado a construir a cidade de Viana do Castelo.”

Manuel DaCosta, presidente da MDC Media Group, natural de Castelo do Neiva, a maior freguesia de Viana do Castelo, foi um dos agraciados com o título de Cidadão de Honra da cidade. E José Maria Costa, presidente da Câmara, de forma muito resumida, explicou porquê. “Temos o caso do Manuel DaCosta que é um homem com uma história de vida fantástica, daria um script para um filme. Saiu daqui com 14 anos para um espaço desconhecido e hoje é um grande empresário, um homem que se fez por si mesmo, mas acima de tudo um homem que não perdeu este sentido da ligação à sua terra e o sentido da solidariedade. É um homem por quem sentimos um enorme orgulho.”

Manuel DaCosta, que esteve presente na cerimónia acompanhado pela sua esposa Cristina da Costa, ao longo da sua vida, já tem sido reconhecido ao mais alto nível, desde logo pelo Estado português, com a atribuição da Comenda da Ordem de Mérito, quer pela sua intensa e bem-sucedida vida profissional, quer pelo seu lado profundamente humanista e benemérito. No entanto, à nossa reportagem confessou com alguma emoção, que este título de Cidadão de Honra do seu município natal tem um sabor especial.

“Claro que tem. Quando estava ali sentado lembrei-me que daqui por duas semanas faz 49 anos que eu perdi a minha identidade. Perdi a identidade da minha terra, que fui obrigado a abandonar. Perdi a cidadania portuguesa porque naquele tempo não se podia ter as duas. Quando cheguei ao Canadá senti-me abandonado e senti-me muito zangado com este país por, de uma forma ou de outra, não me ter protegido. Por causa disso, estive muito tempo sem contacto com a minha terra e com esta cidade. Recordei também que antes de partir para o Canadá, todas as semanas eu e a minha mãe fazíamos 8 kms a pé com um cesto de batatas ou verdura para vender na feira. Foram essas memórias dos 14 anos que cá vivi que me vieram à mente quando estava ali sentado. Quando anunciaram o meu nome e eu fui lá cima, foi como ganhasse outra vez a identidade vianense. O círculo foi completado depois de 49 anos fora deste país e fiquei vianense outra vez. Senti que o coração de Viana entrou de fresco na minha mente e no meu coração.”


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