Comunidade

Laços que nos unem

A 10º edição do Sticking Together teve lugar no passado sábado, dia 9 de março, no salão da LiUNA Local 183, em Toronto. Este é um evento que pretende não só angariar fundos para a Canadian Cancer Society, mas também alertar todas as mulheres para a importância da prevenção em casos de cancro de mama.

Linda Correia, presidente da Casa dos Poveiros, é também responsável pela organização deste evento que juntou 1100 mulheres fortes, corajosas e, acima de tudo, felizes!

“O ano passado, em duas semanas, nós ficámos completamente esgotados. Este ano foi uma loucura – eu tenho pessoas que já marcaram para o ano e a festa ainda está a decorrer! As pessoas estão a gostar muito porque esta festa é um bocadinho diferente. Eu acredito na angariação de fundos mas, para mim, é mais importante o awareness, a sensibilidade, a prevenção. Eu acredito que se conseguirmos prevenir uma doença acho que temos melhores resultados”, contou-nos.

Muitas das mulheres presentes já enfrentaram o cancro da mama – o mais comum e a segunda principal causa de morte entre as mulheres canadianas – e o seu testemunho assume-se como sendo de grande importância para outras mulheres presentes afetadas, no presente, pela doença.

“Eu acho que é muito importante para elas verem que não estão sozinhas num problema destes. Antigamente tu conhecias alguém que conhecia alguém – hoje tu conheces a pessoa diretamente. Quantas pessoas nós conhecemos que morrem novas com cancro… Eu pedi um minuto de silêncio porque havia uma senhora que vinha todos os anos e já não está connosco, faleceu este ano”, disse Linda Correia, emocionada.

Este evento angariou 68 mil 635 dólares no ano passado, mas, apesar de este ano terem menos patrocinadores, Linda Correia tem como objetivo para esta edição atingir os 70 mil dólares. Também Marlene Araújo, assistente da vice-presidente da Câmara de Toronto, Ana Bailão, marcou presença neste evento repleto de significado.
“Acho que todos nós podemos dizer que fomos tocados, de alguma maneira, por conhecer alguém, por ter um familiar ou nós próprios passarmos por esta doença do cancro. Eu, pessoalmente, tive uma tia que faleceu com 46 anos deixando dois meninos pequenos. Esta casa está muito perto do meu coração por isso, mas também por vermos, diariamente, cada vez mais casos a virem ao de cima e não haver ainda uma cura para esta doença. O que não queremos é que algo tão importante como a causa que este evento representa seja esquecida – há que falar cada vez mais, juntar cada vez mais pessoas e, pelo que eu vejo, este evento tem cada vez mais mulheres a envolverem-se, a querer ajudar de alguma forma. Acho que é tudo um processo de aprender a lidar com a situação”, afirmou Marlene Araújo.

Ainda no “rescaldo” do Dia da Mulher, houve ainda tempo para lembrar uma outra causa de morte, cujos números têm vindo a aumentar: a violência doméstica contra as mulheres.

“Eu estou um bocadinho escandalizada com as notícias do nosso Portugal, devido às estatísticas. Mas, por outro lado, acho que isso tem um impacto positivo porque acho que não é que não acontecesse, mas não se falava sobre o assunto. Agora estamos a falar cada vez mais, as pessoas estão a ficar chocadas e acho que é dessa forma que vamos tomar uma atitude. Não há mal que dure para sempre nem bem que nunca venha! O caminho pode parecer longo e podem passar por momentos muito escuros, mas eu acredito – e espero que quem esteja a passar por isso também acredite – que há uma luz ao fundo do túnel que vai trazer alguma felicidade, apesar do sofrimento que passam”, rematou a assistente de Ana Bailão.

Maria Borges é uma sobrevivente. Aos 42 anos, com um filho de 11, descobriu num exame anual de rastreio que tinha cancro de mama. O jornal Milénio perguntou-lhe onde encontrou força e coragem para ultrapassar esta situação. A resposta foi quase automática: na fé.

“A minha coragem foi sempre a fé. Eu sempre fui uma pessoa com uma mente positiva! Na vida temos muitas batalhas e esta foi uma que eu lutei muito para vencer – não só pela minha vida, mas para acabar de criar o meu filho, que hoje em dia tem 23 anos. Quero inspirar todas as mulheres! Elas têm de ter uma mente positiva, lutar e seguir em frente!”, apelou.

Nunca será demais relembrar sobre a importância dos exames de rastreio – quando o cancro é detetado precocemente, a probabilidade de o tratamento ser bem-sucedido é muito mais elevada. Fica o conselho: olhe por si!

Inês Barbosa

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