Comunidade

Jorge Nunes encheu Casa do Alentejo

O fado regressou à Casa do Alentejo com Jorge Nunes e Débora Rodrigues e quem abriu a noite foi Manuel da Silva, um açoriano natural da ilha Terceira que divertiu o público com o seu bom humor. Na preparação do espetáculo, quando estava a ensaiar as músicas, ficou particularmente nervoso com a escolha de um dos temas.

Jorge Nunes e Débora Rodrigues acompanhados por Hernâni Raposo e o seu conjunto de guitarras

“Eu tenho que sentir todas as músicas que canto, só assim é que faz sentido. Hoje trago uma música que me está a deixar com um nervoso miudinho e já perdi a conta ao número de vezes que a cantei. O tema “Chuva”, que é do Jorge Fernando, porque quando estava a ensaiar o filho apareceu e eu fiquei quase que sem jeito (risos)”, justificou.

Filho de Jorge Fernando, Jorge Nunes repetiu a visita ao Canadá e desta vez veio acompanhado pela esposa. Sete anos depois do primeiro álbum, o fadista prepara-se para lançar um novo projeto. “Faz agora em março um ano que nos conhecemos e as coisas foram evoluindo gradualmente. Começámos por fazer alguns duetos juntos e agora tentamos trazer essas brincadeiras para concerto. Não é fácil ter o meu nome, sou o filho de, é difícil o público se desligar-se. O meu pai é a minha referência, mas já faz falta as pessoas conseguirem fazer essa diferenciação. O próximo álbum está quase concluído e vai ter temas diferentes, vamos ter uma bateria, uma percussão… e espero que seja uma evolução em relação ao primeiro porque esse é o único sentido de fazermos coisas novas”, informou.

Jorge Nunes lançou o seu primeiro álbum, intitulado “Outro Fado”, em 2013 e quando era jovem não pensava em cantar. Cresceu com o fado dentro de casa, mas sempre ouviu outros estilos musicais. Agora já não tem dúvidas e o fado parece que estava destinado.

Débora Rodrigues é natural da Madeira e descobriu o fado quando estava a fazer teatro. Em palco foi notória a cumplicidade do casal e o repertório foi do fado tradicional a músicas mais alegres. “Acho que todos nós acabamos por representar um pouco porque nem sempre estamos felizes para cantar uma marcha ou tristes para cantar um fado tradicional. E acabamos muitas vezes por fazer um pouco de teatro, mas saudável, porque estamos a cantar algo que já sentimos, sabemos o quanto aquilo nos dói ou nos deixa felizes. Eu não posso escolher um tema que fala sobre algo que nunca senti, nunca será verdade, o público nunca irá perceber a mensagem. E acho que o teatro também nos ensina a estar à vontade em palco”, avançou.

Habituada a cantar para as comunidades portuguesas no estrangeiro, a fadista lamenta que em Portugal o fado seja apenas uma moda. “Eu acabo por perceber, e julgo que falo em nome de todos os meus colegas, que aqui tenho muito mais vontade e mais gosto de cantar para um português do que propriamente quando estou em Portugal. Lá o fado é mais respeitado pelos estrangeiros, fora do país um português sabe ouvir fado, em Portugal não. Agora está na moda, mas o português não conhece a cultura do fado e dou-te um exemplo de dois poemas que são muito conhecidos: A Igreja de Santo Estêvão e o Povo que Lavas no Rio. A música é a mesma, só muda a letra, mas isto é algo que o português não sabe”, garantiu.

No intervalo foram sorteados vários prémios oferecidos pelos patrocinadores, inclusive uma viagem a Portugal e no final da noite encontrámos uma alentejana especial na plateia. Rosa de Sousa esteve ausente do aniversário, por motivos de saúde, mas não podia faltar ao fado. “Faltei pela primeira vez a um aniversário desta casa, mas a saúde não o permitiu. Hoje fiz um sacrifício e vim aos fados. Ajudei a organizar tudo a partir de casa, graças a Deus a minha cabeça ainda está boa”, disse.

O salão da Casa do Alentejo encheu no dia 15 de fevereiro para ouvir o Património Imaterial da Humanidade e alguns casais puderam celebrar ainda o São Valentim.

Joana Leal/MS

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