Comunidade

Jorge Ferreira no Santoinho de Toronto

Cerca de 1,400 pessoas marcaram presença no arraial minhoto no Tibetan Cultural Centre em Etobicoke. A noite foi organizada pela Associação Cultural do Minho de Toronto (ACMT) e junto à eira não faltou a encenação da desfolhada e da malhada do milho, tal como se fazia antigamente.

A tradição do Santoinho remonta ao início dos anos 70 e surgiu na pequena vila de Darque, em Viana do Castelo. O objectivo é preservar junto da diáspora portuguesa rituais que estão a desaparecer com a desertificação do país e com a modernização da agricultura. “O milho cresce, como toda a gente sabe, e depois dá uma espiga. As espigas vão para a eira e depois temos que desfolhá-lo. O próximo passo é a malhada onde vamos retirar o grão da maçaroca, que depois há-de ser crivado e transformado em farinha para fazer a broa”, explicou Augusto Bandeira, presidente da ACMT ao nosso jornal.

A Quinta do Santoinho foi fundada por António Cunha, um visionário do sector do turismo uma área que no ano passado rendeu a Portugal cerca de 15 mil milhões de euros. O empresário conseguiu as primeiras licenças de autocarros de aluguer em todo o país, começou a organizar excursões e cruzeiros fluviais e abriu a primeira agência de viagens de Viana do Castelo.

A grande preocupação de Cunha era mostrar aos turistas as tradições portuguesas, e assim nasceu a Quinta do Santoinho que todos os anos é visitada por mais de 100 mil pessoas. Em Toronto, tal como em Portugal, não faltaram sardinhas, bifanas, caldo verde e champarrião, uma mistura de vinho verde com cerveja.

A organização lamenta não ter tido capacidade para receber mais pessoas e no próximo ano promete antecipar a festa e surpreender o público com dois convidados. “A data do Santoinho em Toronto é sempre em finais de setembro ou inícios de outubro, este ano foi mais tarde. Em 2019 queremos fazer o Santoinho em setembro e gostávamos de ter cá dois artistas diferentes que já gravaram no Santoinho. Mas vamos ver como corre porque o meu mandato está a terminar”, avançou Bandeira.

Para além da actuação do rancho da casa, o Santoinho de Toronto contou com a presença do Rancho Folclórico da Casa do Minho de Newark, em New Jersey, nos EUA. Um dos trajos retratados pelo grupo é o do sargaceiro. Depois de seco, o sargaço era utlizado como fertilizante natural nos campos agrícolas. A alga chegou a ser o principal ganha pão de muitas famílias e as vestes brancas dão conta de uma possível ligação aos romanos de Apúlia, uma região no sul de Itália. O trajo era feito em lã pura para que os sargaceiros conseguissem permanecer muito tempo dentro de água sem entrarem em hipotermia e tinha um casaco, que era chamado de branqueta e um sueste, uma espécie de chapéu que permitia entrar nas ondas sem molhar a cabeça.

“Este rancho surgiu em 1987 pelas mãos dos mesmos fundadores da Casa do Minho de Newark. Temos um grupo infantil e outro adulto e temos levado o folclore a diversas partes dos EUA e do Canadá. Nós representamos o Alto e o Baixo Minho e temos um traje de cada um dos concelhos da região. Temos 18 pares, mas hoje vão ser só 12 porque nem todos puderam deslocar-se até Toronto”, informou Jack Barreira, diretor do Rancho Folclórico da Casa do Minho de Newark (EUA).

Os Zés Pereiras e os Cabeçudos deram início à festa e a marcha popular do Santoinho animou o público com os seus cânticos populares e com os seus arcos coloridos. Os Zés Pereiras são típicos do Minho e normalmente são um grupo de percussionistas que se faz acompanhar por bombos e que toca os géneros musicais do Norte como é o caso das chulas, das viras e dos corridinhos.

“Estou no grupo desde que cheguei ao Canadá e quero manter a cultura do Minho viva. Toco concertina e o grupo é a minha segunda família. No Minho não existem arraiais sem bombos e Zés Pereiras”, contou Daniel Silva, presidente do Grupo de Bombos e Zés Pereiras da ACMT.

Jorge Ferreira veio dos EUA para celebrar o Santoinho em Toronto. O luso-americano, natural de São Miguel, nos Açores, já gravou mais de 45 álbuns, vendeu mais de cinco milhões de discos e é um dos embaixadores da música portuguesa no mundo. Ao Milénio Stadium revelou que está a preparar dois novos álbuns, um deles em homenagem a uma das bandas com que cresceu.

“Já não vinha a Toronto há muito tempo, tive perto em Mississauga, mas não é igual. Toronto tem um significado especial para mim porque foi aqui que comecei a minha carreira. E devo muito a este público porque me tem acompanhado sempre ao longo dos anos. Estou a preparar dois álbuns, um de originais e um tributo aos Bee Gees. Cresci a ouvi-los e admiro-os muito”, revelou o cantor.

O evento foi apresentado pela Camões Radio e no final da noite a organização sorteou uma viagem aos Açores e chamou ao palco Manuel DaCosta, um dos empresários que mais tem apoiado a cultura portuguesa no Canadá.

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