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First Portuguese: O difícil caminho do futuro

First Portuguese - Milenio Stadium - Toronto

First Portuguese: O difícil caminho do futuro

 

Faz parte da história da comunidade luso-canadiana. É hoje uma associação de apoio social da maior importância quer para os mais velhos, quer para as crianças.

O First Portuguese está, de novo, de portas abertas para a comunidade, depois dos difíceis meses de confinamento. São de todos conhecidas as dificuldades por que tem passado a sua Direção para manter a sua atividade. A pandemia veio, por um lado, expor ainda mais a sua fragilidade, mas também escancarou a sua capacidade de resiliência e renovação. Carina Paradela é a presidente da Direção que, na fase final do seu mandato, tem tido necessidade de enfrentar um desafio histórico – sobreviver à doença económica que o vírus SARS Cov2 tem causado um pouco por todo o mundo.

First Portuguese O difícil caminho do futuro - Carina Paradela - Milenio Stadium - Toronto

Milénio Stadium: Como é que correram estes quatro/cinco meses, em que o país e o mundo têm estado de portas fechadas, para uma instituição como o First Portuguese que tem como missão estar de portas abertas para quem precisa?
Carina Paradela:
Foi difícil, porque nós tivemos que, obviamente, fechar a nossa instituição, o escritório, todos os departamentos… Todos os nossos funcionários foram para lay-off e, portanto, era muito complicado nós podermos prestar serviços sem termos ninguém aqui. Tentámos de todas as maneiras manter contacto principalmente com os idosos porque um dos nossos maiores objetivos é mesmo combater a solidão entre os idosos, e então tentámos ao máximo, dentro das pessoas que foram muito queridas e que voluntariaram o seu tempo, e conseguimos manter contacto com a maior parte dos idosos.

MS: Um contacto à distância, digamos.
CP: Só telefónico, sim. Só mesmo pelo telefone. Foi difícil, foi uma luta muito grande nos últimos meses. Mesmo muito grande, acho que nem tenho palavras para descrever!

MS: Essa é outra questão… É do conhecimento de toda a gente que o First Portuguese já vivia com dificuldades financeiras, e perante uma situação destas como é que vocês fizeram? Qual foi a solução?
CP: Nós tínhamos um fundo de reserva e, portanto, tivemos mesmo que o usar, pelo menos para pagar a renda, porque o nosso senhorio não estava a ser muito colaborativo, para que, mais tarde, pudéssemos voltar a abrir portas. Grande parte da nossa receita vem de serviços que nós prestamos – como o Summer Camp, a escola de português, entre outros – e para pagar aos funcionários temos que ter receitas e como tivemos que fechar tudo foi complicado. O Summer Camp, por exemplo, conseguimos abrir, mas muito pouquinho. Quando voltámos a abrir o senhorio decidiu que iria aplicar para a ajuda do Governo para as rendas comerciais, e foi literalmente aquilo que nos safou neste momento – porque já tínhamos pago a renda nos meses que estivemos fechados, e agora que ele decidiu entrar nesse serviço está a ajudar-nos mesmo muito na reabertura.

MS: A escola vai estar fechada até quando?
CP: A nossa escola funciona em escolas católicas, nós só temos uma turma aqui no First. Recebemos recentemente notícias do Board: para setembro e novembro não temos permit, portanto não podemos ter aulas nas escolas, então decidimos que vamos ter aulas aqui na sede a partir de outubro. Logo no início de outubro vamos, pelo menos, tentar abrir algumas aulas aqui na sede e depois a partir daí não sei… O plano neste momento é este, nós também estamos à espera de diretrizes por parte dos Boards.

MS: Quantos funcionários é que tem o First Portuguese?
CP: Se não me engano, são 19.

MS: E todas essas pessoas estiveram durante este tempo em lay-off?
CP: Sim, é assim: nós temos seis pessoas a full-time e todos os restantes são part-time, são professores, portanto, davam aulas nos trabalhos delas e depois davam no First. Mas pelos menos esses seis full-time estavam em lay-off – neste momento ainda só voltei a contratar duas.

MS: Perante o que está a suceder já um pouco por toda a Europa – e que provavelmente poderá acontecer aqui – de os números voltarem a subir, termos necessidade de fazer “marcha-atrás” em muitas medidas… o que é que vai acontecer ao First Portuguese se por acaso a pandemia voltar, digamos, com uma segunda onda no inverno?
CP: O prognóstico seria muito mau. Nós já estamos extremamente surpreendidos por termos conseguido sobreviver a esta. Eu não posso dizer isto a 100%, mas as probabilidades de sobrevivermos a uma segunda vaga são mesmo muito poucas.

MS: O que é que a comunidade pode fazer para ajudar?
CP: Nós neste momento voltámos a reabrir, como eu lhe disse, alguns serviços – por exemplo o nosso Summer Camp que esgotou logo, foi fantástico, também houve poucas vagas mas esgotaram logo -, vamos voltar a abrir o centro dos idosos, voltámos a abrir as aulas de inglês e vamos voltar a abrir a escola. Neste momento o que a comunidade pode fazer, que é a melhor parte, é usarem os nossos serviços. Quanto mais pessoas tivermos a usar os nossos serviços melhor para a associação!

MS: Mas os idosos já estão a ir ao First Portuguese?
CP: Só no dia 14 de setembro. Obviamente com imensas mudanças no centro, com um número muito reduzido de idosos, mas neste momento o plano é reabrir no dia 14 de setembro.

MS: E as pessoas estão entusiasmadas? Com vontade de voltar?
CP: Sim! Todos os nossos idosos nos têm ligado porque estão fartos de estar em casa, precisam mesmo do convívio. Nós vamos seguir todas as normas de segurança, eles vão estar seguros – é óbvio que não podemos garantir nada, mas vamos fazer a nossa parte. Mas sim, estão todos muito entusiasmados por voltar, sem dúvida!

MS: Em relação a projetos de futuro, no fim de contas passa pela tentativa de sobrevivência…
CP: Exatamente, neste momento é muito por aí. Voltar a reabrir os serviços, esperar que as pessoas adiram… Até porque em novembro trocamos de direção, se tudo correr bem, portanto os planos de futuro seriam deixados para a direção que virá a seguir.

MS: E há quem queira continuar à frente dos destinos do First Portuguese?
CP: Foi-nos dito que sim, porque a direção atual está mesmo decidida a sair, portanto por aí não há solução.

MS: Incluindo a Carina…
CP: Incluindo a Carina, sim. Foi-nos dito que há pessoas interessadas em entrar em novembro. Nós estamos muito esperançosos em relação a isso porque acho que é uma coisa muito difícil hoje em dia tomar decisões.
Estamos com esperança realmente que as pessoas se “materializem” mas neste momento não sei quem seriam, não tenho nomes, ninguém se “materializou” ainda.

Madalena Balça/MS

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