Comunidade

Federação junta dezenas de mulheres de sucesso

Joana Leal

A Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos (FPCBP) assinalou quinta-feira o Dia Internacional da Mulher. O almoço juntou dezenas de mulheres que se destacam no mundo empresarial em Toronto.
Michelle Jorge, presidente da FPCBP, destacou o facto de 50% da direção da Federação ser composta por mulheres. “Eu sou formada em direito e atualmente exerço na empresa Jewell Radimisis Jorge Advogados. Hoje metade dos estudantes de direito são mulheres e isso é incrível”, disse.
A juíza Renata Brum foi a convidada especial do evento. A juíza é luso-canadiana e tem 50 anos. Nasceu em Rabo de Peixe, em São Miguel e é licenciada em criminologia e tem um mestrado em teologia. Tem cinco filhos e é divorciada.
Oriunda de uma família humilde, Renata Brum diz que a sua experiência de imigrante é a chave do seu sucesso. “Vim para o Canadá com quatro anos e quando chegámos o meu irmão foi atropelado à frente de casa. A minha mãe não falava inglês e teve de memorizar o caminho para ir visitá-lo ao hospital. Na carteira tinha um papel com a nossa morada para o caso de se perder. Esta e outras experiências forjaram a minha personalidade e permitiram-me alcançar a vida que tenho agora”, contou.
Renata Brum conta a sua própria história aos novos imigrantes para alertá-los para a importância de aprender inglês. “Quando mostrei aos meus pais um teste com 96% eles perguntaram-me onde estavam os outros 4%. Eles tinham apenas a 4.ª classe mas sempre me incentivaram a estudar e a ter uma carreira de sucesso”, adianta.
A juíza garante que mães formadas criam filhos de sucesso e lamenta que ainda hoje as mulheres tenham que escolher entre uma carreira e a família. “Durante nove anos fiquei em casa a criar os meus filhos e não me arrependo disso. Se me questionassem sobre este capítulo da minha vida numa entrevista de emprego dizia-lhes que estive a educar seres humanos. E você, esteve a fazer o quê? Nunca me senti tão poderosa como depois de ter sido mãe”, assegura.
Renata Brum falou sobre assédio sexual e sobre discriminação. “Um dia um colega entrou no meu escritório, trancou a porta, fechou as persianas e tentou beijar-me à força. Felizmente hoje consigo distinguir entre amigo e predador”, admite.
A juíza citou Nietzsche – “Aquele que tem um porquê para viver pode suportar qualquer como” e incentivou as mulheres a não desperdiçarem as oportunidades e a lutarem pelos seus objectivos.

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