Comunidade

Esplendorosa noite de Fado!

Avelino Teixeira

Aconteceu no Centro Cultural Português de Mississauga. A sua sala de festas revestiu-se a preceito apropriadamente com as cores preta e branca para receber centenas de amantes da Canção Nacional Portuguesa que mais uma vez se fez ouvir, – através do som profissionalizado do TNT produzido pelo atencioso Jerry Rodrigues,- nas vozes de Cláudia Pereira e Sara Correia acompanhadas por Guilherme Banza, Bernardo Viana e Marino de Freitas. Exímios executantes da Guitarra Portuguesa, Viola de Fado e Contrabaixo. A apresentação esteve a cargo de Henrique Conde.
Depois do suculento jantar servido pelos sempre simpáticos e incansáveis membros diretivos, Tony de Sousa subia ao palco para de uma forma surpreendedora salutar os convivas, agradecer aos patrocinadores e fazer referência a pessoas conhecidas que se encontravam na audiência inclusive gente das cantigas. Dizia eu de uma forma surpreendedora porque, na minha opinião, Tony de Sousa com o seu à vontade e desembaraço não necessita de ninguém para fazer as apresentações da praxe. Ele fá-las mui cabalmente. Tal capacidade dever-se-á, quiçá, aos 21 anos da sua envolvência no Centro Cultural Português de Mississauga e claro que à sua boa vontade de servir o clube que dirige e que faz parte da escola da sua vida. Aprecio imenso gente que se dedica ao associativismo dando uma grande parte do seu tempo de lazer em prol da comunidade em que se inserem. Algo que eu nunca fui capaz de fazer. Bem hajam!
Depois do Presidente do Executivo ter aludido ao que pretendia, introduziu o Mestre-de-cerimónias que fez referência ao Fado e sua essência, às condições do clube e suas instalações que incluem uma escola de português com 40 crianças algumas delas nem são portuguesas, chamando depois ao palco Cláudia Pereira. Apesar de inexperiente em fadistices, ela surpreendeu-nos com a sua formosura, voz potente e bem timbrada, e com um reportório muito agradável. A jovem fadista tem um enorme potencial artístico que por certo a ajudará a alcançar um futuro risonho se a comunidade portuguesa lhe der a oportunidade. Mas, como soe dizer-se “santos de casa não fazem milagres”, quem sabe se isso acontecerá?! E se não acontecer é uma pena pois temos perdido alguns dos “nossos santinhos” – que estão sempre prontos para nos ajudar como um dia dizia a Bia Raposo na Casa do Alentejo. Não sabemos reconhecer o seu valor! -. Eu acrescentaria que continuamos a usá-los maioritariamente para preencher lacunas adjetivando-os de “Prata da casa” em algumas instâncias nem ao menos mencionamos os seus nomes nos cartazes festivos. Em alguns casos apenas anunciamos; e artistas comunitários. Quem são eles!? Caros leitores, alguns são ouro e do bom! Tenhamos consideração e respeito por eles.
Cláudia Pereira, nome para não esquecer, que prefere cantar Fado, é nascida no Canadá filha de mãe micaelense e pai natural de Cantanhede. Com dez anos participou no concurso Cantores Amadores, e com catorze iniciou-se como intérprete preferencialmente do Fado “por este dar mais ênfase à sua Lusitanidade”. Sem nunca ter sido acompanhada pelos músicos da noite, abrindo o espetáculo para alguém que é profissional, indubitavelmente deu cartas a quem canta há já muito tempo. Sim senhora!
Após um breve interregno, chegavam novamente ao palco os guitarristas e o Mestre-de-cerimónias para receberem Sara Correia. De corpo esbelto e presença jovial, e sempre sorridente, vestida de vermelho fez uma vénia e cantou fado após fado com uma voz quente que lhe vem do peito e lhe deixa transparecer o que lhe vai na sua alma fadista. Desinibida após cantar o Fadinho Serrano, que creio tê-lo feito propositadamente para saudar a audiência, falou com acerto e confiança deixando toda a gente perplexa com a sua desenvoltura e comunicabilidade. Dizia ser a segunda vez que ali atuava. Quiçá por isso se sentia em casa. (…) Depois voltou a cantar fados do reportório de Amália, como aliás todas as fadistas fazem, mas dando-lhe a sua própria interpretação que lhe fica muito bem. Também cantou dois dos fados que estão inseridos no seu primeiro C.D., a ser lançado este ano, produzido por Diogo Clemente e editado pela Universal Music. Embora Sara Correia prefira o Fado, também canta cantigas populares e foi com algumas delas tal como o Fado Pechincha e Cheira bem cheira a Lisboa que quase no final da sua atuação brindou a audiência cantando também entre ela e com ela “Nem às paredes confesso” outro celebérrimo de Amália Rodrigues seu ídolo. E é nas interpretações de cantigas populares que ela no final, fazendo um gesto afirmativo, ecoa aquele grito “hey” que “lhe fica a matar”. Simplesmente fantástico!
Em tempo de entrevista, afirmou ser tratada pelos responsáveis da sua vinda ao Canadá como em nenhum outro lugar, e que adora o Canadá por ser um país bonito, pacífico e acolhedor. E nós adorámo-la por ser modesta, frontal, desinibida, alegre, honesta e amorosa. Que tenha muito sucesso com o seu primeiro trabalho discográfico.

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