Comunidade

Escritórios de imigração fraudulentos em Toronto

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade”

George Orwell

A democracia não é perfeita mas é o melhor sistema político criado até hoje. O jornalismo é um dos guardiões da democracia e tem o dever de fazer emergir assuntos de interesse público. Os problemas podem e devem ser discutidos e os media são um canal privilegiado para instigar à discussão e ajudar a encontrar soluções.
Esta semana o Milénio Stadium conduziu uma investigação sobre escritórios de imigração fraudulentos em Toronto. O assunto não é novo mas infelizmente o problema continua sem resolução à vista. Todos os dias, e provavelmente até no momento em que este editorial é escrito, alguém é burlado por um advogado ou consultor de imigração.

No mercado existe falta de ética e a ganância e a fraude são uma realidade. Em todo o caso, queremos deixar claro, que não falamos de todos, como é óbvio. O mercado tem também excelentes profissionais e honrosas excepções.
Em todo o processo existem algumas questões importantes que saltam à vista: quanto vale um processo de imigração? 3 mil dólares, 10 mil dólares ou quase 30 mil dólares?

Deve um consultor ou um advogado “sugerir”, como pretexto para um processo de legalização, a chamada compaixão humanitária, sempre que alguém entre no seu escritório em situação desesperada, sabendo-se de antemão, que mais de 80% dos processos de compaixão humanitária acabam chumbados? As estatísticas comprovam-no. O governo não deveria investigar sempre que um escritório tem uma baixa percentagem de processos concluídos com sucesso?

No caso português, o governo canadiano não reconhece existirem em Portugal condições que requeiram um pedido deste tipo, que está reservado para casos excecionais, tendo em conta, entre outros, laços familiares no Canadá, a existência de crianças, e que consequências adviriam para o indivíduo repatriado, nomeadamente perseguição política, risco de vida, e/ou tratamento cruel e punição.

Os imigrantes portugueses e outros vêm para o Canadá à procura de uma vida melhor. Alguns não têm estudos e outros não falam nem entendem inglês. Encontrar um consultor ou advogado de imigração eticamente responsável e profissional é quase como acertar na lotaria. Afinal, como é que se consegue ir logo bater à porta certa? Pergunta-se aos amigos, à família ou ao patrão e fica-se à espera que não aconteça o pior.

Ora, perante estes factos, coloca-se uma questão pertinente: o mercado de consultores e de advogados de imigração não deveria ser mais fiscalizado? Ou vale tudo, e cada um pratica os preços que quer, mesmo que alguns deles sejam completamente despropositados?

O jornalismo tem a missão de falar de “elefantes brancos”. Falamos de assuntos cabeludos que têm que ser resolvidos em vez de serem arrastados eternamente. Afinal, e citando George Orwell, o “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade”.

Editorial Milénio Stadium

 

 

 

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