Comunidade

Culto graciosense junta fiéis em Toronto

Há 26 anos os graciosenses trouxeram para Toronto o culto da Nossa Senhora da Luz, a sua padroeira. Hoje a tradição continua viva na paróquia de São Mateus e durante três dias foram muitos os devotos que passaram pelas comemorações.

Em declarações ao Milénio Stadium, Andre Greski, padre da paróquia, explicou-nos a importância desta Santa. “A festa tem origem na ilha Graciosa, nos Açores, e acontece há já 26 anos. Temos muitos fiéis portugueses, das ilhas e do continente – o povo de Deus. Mas independentemente da nossa origem, acreditamos que Deus escolheu Maria para ser portadora da salvação”, avançou.

A igreja está localizada na interseção da Old Weston Road com a Rogers Road e o padre garante que foi bem acolhido pela comunidade portuguesa. “Eu nasci na Polónia, mas trabalhei 12 anos em São Paulo, no Brasil. Aliás foi lá que aprendi a falar português. Estou em Toronto há 14 anos e estou muito feliz por mergulhar na cultura e na comunidade portuguesa”, referiu.

No domingo (1), dia da procissão, o céu esteve nublado e com chuviscos. O Milénio Stadium falou com alguns devotos que participaram no cortejo, nomeadamente um graciosense. “Esta imagem é da minha paróquia, na Graciosa, onde morei até vir para o Canadá. Depois trouxemos a Santa para Toronto e eu estive muitos anos envolvido na Comissão da Festa com os meus primos e o meu cunhado, mas ainda hoje ajudo. Acho que vivemos muito mais a fé quando emigramos, não sei se está relacionado com as saudades que temos da nossa terra”, informou Manuel Ramos.

Fernanda Medeiros estudou num colégio de freiras em São Miguel e hoje, sempre que pode, dedica-se aos outros. “Gosto muito de vir aqui, tenho muita fé e desde os tempos em que frequentava o colégio de freiras que gosto de ajudar os outros: está na minha natureza. Hoje muitas pessoas estão sós e não custa nada dar um abraço, o mundo precisa de mais amor”, afirmou.

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Joana de Medeiros já foi a Fátima e sempre que vem a esta paróquia lembra-se de casa. “Eu sou da Ponta Garça, em São Miguel, e a nossa Santa é a Senhora da Piedade, mas afinal de contas a Nossa Senhora da Luz tem o mesmo significado. Sempre fui uma pessoa doente e sempre acreditei muito na Nossa Senhora. Hoje acho que as gerações mais novas estão mais afastadas da religião, mas há sempre esperança”, confessou.

Steven da Silva acompanhou a procissão através da varanda da sua casa e contou ao nosso jornal que cresceu no seio da religião católica. “Nasci em Toronto e frequentei a escola católica do St. Matthew, mas considero-me parte da comunidade portuguesa. Todos os anos vejo a procissão porque passa mesmo junto à minha casa”, disse.

A noite terminou com um concerto das filarmónicas da Banda Lira de Nossa Senhora de Fátima, Banda Lira do Sagrado Coração de Jesus de Toronto e Banda Lira portuguesa de Brampton. John Scida é de origem italiana mas casou com uma portuguesa e hoje a família está toda envolvida na filarmónica. “O meu sogro foi um dos fundadores da banda e este ano fui eleito presidente. Tenho cinco filhos: dois tocam trompete, um clarinete, um saxofone e o outro toca tuba. Infelizmente não toco nenhum instrumento, mas gosto muito da música e da cultura portuguesa”, adiantou.

Apesar de viver atualmente em Toronto, o padre não esquece o Brasil e está solidário com a Amazónia: “O que está a acontecer na maior floresta tropical do mundo é importante para reavivar a nossa igreja e nos reencontrarmos com Deus”.

Joana Leal


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