Comunidade

Conhecer o Canadá através dos têxteis

Os têxteis acompanham o homem desde sempre e são uma parte importante da cultura de um povo. O Museu Têxtil do Canadá quer dar a conhecer as diferentes técnicas desta arte que começou com os primeiros povoadores do país. São quase dois séculos de história presentes em dezenas de objetos que vão estar em exposição ao público até 31 de março.

“Acho que inventámos os têxteis por várias razões. Primeiro para nos aquecermos, como resguardo. Mas ao longo do processo fomos exprimindo a nossa criatividade e fomos desenvolvendo o desejo de transmitir algo de muito pessoal aos nossos filhos e aos nossos netos. É como se fosse um pedaço da nossa história individual que fica com os nossos herdeiros. A exposição chama-se Crosscurrents – Canada in the making e aqui ficam a conhecer diferentes técnicas têxteis e como estes objetos acompanham as pessoas ao longo da vida”, informou Roxane Shaughnessy, curadora sénior, ao Milénio Stadium.

Os novos imigrantes trouxeram materiais, técnicas e utensílios que até então não eram conhecidos no país. Foi o caso dos europeus que trouxeram o linho e que foram responsáveis pelo grande desenvolvimento da indústria têxtil. “Eles trouxeram a lã de ovelha, plantas produtoras de fibras, linho e cânhamo e com esses novos materiais vieram novas técnicas, foi o caso da tecelagem, da estufagem e de utensílios e de roupas que ajudaram a desenvolver a indústria têxtil no Canadá”, avançou.

As decorações florais, feitas com missangas, são outra das heranças europeias que rapidamente se difundiu pelo país e que acabou por chegar aos povos indígenas que viram neste tipo de arte uma forma de expressar a sua identidade e uma fonte de sobrevivência. As malhas deram origem a colchas com diferentes padrões e cores e dos vimes surgiram cestos e bijuteria. Aqui também pode encontrar a famosa faixa típica do Quebec – a ceinture flechée. “Os primeiros povoadores tinham uma técnica que utilizavam para separar os pêlos dos animais quando faziam cintos e sacos que mais tarde foi copiada pelas mulheres do Quebec para criaram as famosas faixas coloridas que são uma das imagens de marca daquela província”, explicou a curadora.

Um dos objetos mais raros da exposição é uma colcha que foi feita na altura da grande depressão económica que contem dezenas de nomes de uma comunidade de Ontário descendente de escravos. Os tapetes, que inicialmente eram utilizados como colchas pelos imigrantes dos EUA, tornaram-se populares no século XX e ainda hoje são comuns em Manitoba, Nova Scotia, New Brunswick e Prince Edward Island.

O Museu Têxtil do Canadá tem 40 anos de atividade e gostava de alargar o seu espólio de peças de origem portuguesa. “Infelizmente só temos três peças portuguesas na nossa coleção. Não temos orçamento para adquirir objetos, mas se alguém nos estiver a ouvir gostávamos muito de ter aqui mais peças portugueses. O nosso foco são os objetos que eram utilizados no dia-a-dia”, disse Shaughnessy.

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