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Charles Sousa, candidato Liberal a Mississauga-Lakeshore

“O meu pai saiu de Portugal em 1953 para fugir à censura.
E ele costumava dizer que temos de nos ajudar uns aos outros, essa a razão pela qual estou na política”

 

Charles Sousa já foi Ministro do Trabalho, da Cidadania e Imigração e das Finanças. O luso-canadiano é formado em administração de empresas pela Universidade Wilfrid Laurier e em 2009 foi agraciado com a Ordem de Mérito da República Portuguesa e em 2011 com a Medalha do Jubileu da Rainha de Inglaterra. Sousa é candidato às eleições provinciais pela área de Mississauga-Lakeshore.
Pai de três filhos, Charles de Sousa garante que acredita no seu projeto e diz que não está preocupado com sondagens porque quando concorreu “estava sempre atrás”.

Milénio Stadium: Qual é o seu projeto para Mississauga-Lakeshore?
Charles Sousa: Quero continuar a apostar em transportes, estou a investir em mais hospitais e mais camas para proteger os mais necessitados. Em Ontário temos 2 milhões de idosos mas no futuro vão ser 4. Quero que o Waterfront continue a ser uma atração, vamos ter um paredão e mais acesso ao lago. Parei uma parte da construção em Mississauga porque tínhamos entre 40 e 50 smogs por ano, nos últimos três anos só tivemos um.

“Os canadianos e os ontarianos têm muito orgulho no seu serviço público de saúde e nós temos a responsabilidade de assegurar que ele serve toda a gente. Daí termos alargado o Pharmacare aos jovens e aos idosos”

MS: Os Liberais querem construir 40 hospitais na próxima década.
CS: Vamos investir mais de 5 mil milhões de dólares em cuidados de saúde. Este ano tivemos 822 milhões de dólares para combater a epidemia de gripe. No meu bairro em Mississauga acrescentei 500 camas e os 40 hospitais vão custar 19 mil milhões de dólares. Cada vez mais gente procura Ontário para viver e isso cria pressão sob o serviço público de saúde. Temos que estar preparados para fazer face às necessidades dos habitantes e temos que reforçar os profissionais da área da saúde. Os canadianos e os ontarianos têm muito orgulho no seu serviço público de saúde e nós temos a responsabilidade de assegurar que ele serve toda a gente. Daí termos alargado o Pharmacare aos jovens e aos idosos. Aumentámos o investimento em saúde mental, cerca de 46 mil pessoas precisam de terapia psicossocial.

“60% das nossas famílias não têm seguro de saúde. Vamos investir 800 milhões de dólares em dental care nos próximos dois anos”

MS: O governo introduziu no orçamento, pela primeira vez, o apoio aos tratamentos dentários. A maioria das pessoas ainda não pode pagar seguro de saúde?
CS: 60% das nossas famílias não têm seguro de saúde. Vamos investir 800 milhões de dólares em dental care nos próximos dois anos. O reembolso de medicamentos vai ser cerca de 80%, vamos ajudar sobretudo as famílias com rendimentos baixos.

“Para ajudarmos os habitantes que compram casa pela primeira vez criámos um crédito de 4 mil dólares”

MS: O que é que o governo tem feito para tornar a habitação mais acessível?
CS: São 5 mil milhões de dólares para casas mais acessíveis. Mas todos os anos vamos ter 1 milhāo de dólares para construir mais casas. É difícil comprar casa porque os preços dispararam. O nosso sucesso económico gera procura e isso fez com que aumentássemos os impostos para os compradores estrangeiros, agora eles pagam um pouco mais para comprar casa cá. Para ajudarmos os habitantes que compram casa pela primeira vez criámos um crédito de 4 mil dólares. Sempre que faço um orçamento vou para os EUA ou para a Inglaterra e a primeira pergunta que os investidores me fazem é porque é que o nosso sector imobiliário não desvalorizou como aconteceu no resto do mundo. A minha resposta é esta, não aconteceu porque estimulei o crescimento e a diversidade da economia. Mas há cerca de dois anos alguns lugares sofreram aumentos na ordem dos 40% e isso não é sustentável. Daí que tenha criado 16 medidas para arrefecer o mercado imobiliário.

“Estou a melhorar a rede de transportes públicos para que as pessoas enfrentem menos trânsito. Só assim é que vamos conseguir reduzir as emissões de CO2 e pôr os produtos no mercado de uma forma mais rápida”

MS: O governo tem investido milhões em transporte público. Acha que esta medida melhorou a vida dos ontarianos? O candidato dos Verdes a Mississauga-Lakeshore diz que vai trabalhar para melhorar o trânsito e para criar mais áreas verdes.
CS: Estou a investir 1 milhão e 400 dólares em Mississauga no LRT. Estou a melhorar a rede de transportes públicos para que as pessoas enfrentem menos trânsito. Só assim é que vamos conseguir reduzir as emissões de CO2 e pôr os produtos no mercado de uma forma mais rápida. Os conservadores querem é cortar mas nós precisamos de manter estes investimentos. Assinámos em janeiro um acordo com o Quebec e com a Califórnia para reduzir as nossas emissões de CO2. Ontário tem uma das menores emissões de CO2 da América do Norte. Incentivámos a utilização de carros elétricos. Os conservadores vão no sentido contrário, mas isso custa três vezes mais.

“Desde que estou no governo já aumentei o ordenado mínimo 11 vezes. Começámos a $6/hora, o mais baixo de todo o Canadá”

MS: Em janeiro deste ano entrou em vigor o aumento do salário mínimo que passou a ser de $14/hora mas este mês o combustível sofreu o maior aumento em dez anos.
CS: O custo de vida em Ontário tem aumentado muito mas temos a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 20 anos. Desde que estou no governo já aumentei o ordenado mínimo 11 vezes. Começámos a $6/hora, o mais baixo de todo o Canadá. O mais importante é não deixar ninguém para trás e apoiar os mais necessitados.

“Os cuidados infantis estão cada vez mais caros. O jardim de infância vai ser gratuito até aos 2 anos e meio e quem quiser manter a carreira e continuar a trabalhar vai poder fazê-lo”

MS: A nível de educação, o governo está a investir em cuidados infantis e em propinas. Os jovens sāo uma prioridade?
CS: É muito importante apoiar aqueles que querem aprender. São 225 mil estudantes carenciados que não pagam propina no ensino superior. Os cuidados infantis estão cada vez mais caros. O jardim de infância vai ser gratuito até aos 2 anos e meio e quem quiser manter a carreira e continuar a trabalhar vai poder fazê-lo. Estamos a apoiar a natalidade, conheço algumas famílias que só têm um filho por causa do custo de vida mas agora se quiserem já podem aumentar a família.

MS: Nestas eleições vai concorrer contra Rudy Cruzzeto do PC. Cruzzeto defende que é preciso diminuir o custo de vida em Mississauga e criar mais postos de trabalho. Ele diz que a indústria perdeu 350 mil postos de trabalho em Mississauga desde 2003.
CS: Isso não é verdade. Em 2003 tivemos uma recessão económica e nessa altura tivemos cortes na indústria. Já criámos 830 mil postos de trabalho, a maioria na indústria. Mississauga é uma das economias que mais cresce na América do Norte. E o Cruzzeto trabalha para a Ford, ele deveria saber que investimos muito na indústria automóvel.

MS: O candidato do NDP a Mississauga-Lakeshore diz que as famílias estão a asfixiar com o custo de vida em Mississauga e promete lutar contra a pobreza.
CS: Os Liberais têm estado na linha da frente para eliminar a pobreza, não só em Mississauga. Colocámos 250 milhões de dólares em habitação social, aumentámos o salário mínimo, os cuidados infantis e o OHIP.

“Temos de continuar a diversificar a economia, daí termos investimento em indústria, green energy e biotecnologia. Todos os anos criamos 140 mil postos de trabalho no privado”

MS: O Charles diz que já apresentou seis orçamentos e que em todos eles fez mais do que prometeu.
CS: O nosso deficit está abaixo de 1% do PIB, em Portugal e noutros países ronda os 4% do PIB. Mas temos que continuar a investir para continuar a crescer. Temos de continuar a diversificar a economia, daí termos investido em indústria, green energy e biotecnologia. Todos os anos criamos 140 mil postos de trabalho no privado.

“Criei uma nova entidade reguladora para proteger os investidores para que eles saibam o risco que estão a correr nas syndicated mortgages”

MS: Na área das syndicated mortgages o governo fixou um teto máximo neste tipo de investimentos.
CS: Este é um grande problema. Criei uma nova entidade reguladora para proteger os investidores para que eles saibam o risco que estão a correr nas syndicated mortgages. Todos nós corremos risco quando estamos a investir dinheiro mas às vezes os investidores não sabem o que estão a comprar. Por isso é que introduzi a educação financeira nas escolas, os cidadãos têm que ter noção dos riscos.

MS: As sondagens dão a vitória aos conservadores.
CS: Todas as vezes que concorri estava sempre atrás nas sondagens. Mesmo quando o partido perdeu representatividade eu ganhei. Estou a fazer a minha parte, passei 25 anos no sector bancário e estou há dez na política. Acredito no meu projeto e os outros partidos não têm nenhum plano orçamental. O NDP já admitiu que o seu plano está incorreto. E o PC quer aumentar rendimento sem cortar spread. Como é que eles vão equilibrar o orçamento?

MS: Quer apelar aos portugueses para votarem nas próximas eleições.
CS: A voz da nossa comunidade é importante para a nossa economia e para a nossa sociedade. Agradeço muito o trabalho da nossa comunidade no desenvolvimento deste país. Espero que votem em mim para que possa continuar a representar a minha comunidade. O meu pai saiu de Portugal em 1953 para fugir à censura. E ele costumava dizer que temos de nos ajudar uns aos outros, essa a razão pela qual estou na política.

Joana Leal

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