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Casa das Beiras aprovou venda do edifício

 

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Parte da fachada do prédio da Casa das Beiras em Toronto. Foto: Revista Amar.

 

Foi no passado dia 9 de agosto. A Casa das Beiras reunida numa Assembleia Geral Extraordinária decidiu, por unanimidade dos mais de 40 sócios presentes, aceitar a proposta de compra do seu edifício. Bernardino Nascimento falou com o Milénio Stadium sobre este momento histórico do clube e apesar de preferir não revelar o valor da venda, contou-nos como decorreu este processo e o que agora se seguirá neste momento histórico da instituição. Um tempo de mudança que coincide com um tempo de pandemia, embora o presidente da Casa das Beiras tenha sublinhado que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O “namoro” da empresa de construção na tentativa de “conquistar” a propriedade do 34, Caledonia Road, já tem uns dois anos. Bernardino Nascimento contou-nos a história:

Fizemos uma Assembleia Geral para tratar o mesmo assunto em fevereiro, onde foi nomeada uma comissão de seis sócios para negociarmos a venda da Casa das Beiras. Só que depois aparece-nos este vírus em março e ficou tudo cancelado até agora. A empresa de construção que nos irá comprar o espaço encostou-nos à parede e deu-nos o prazo até o dia 9 de agosto para nós decidirmos o que é que íamos fazer. Então essa comissão reuniu com a Direção e apresentou a proposta. A Direção concordou com o teor do negócio e foi então marcada a Assembleia Geral. A situação da pandemia não tem nada a ver com esta decisão. A sede é nossa. Foi comprada por nós e temos um empréstimo que não tem nada a ver com o valor da propriedade. Felizmente nós temos as contas em dia e continuamos a fazer o pagamento da hipoteca que temos – no valor de 130 mil dólares, o que significa que não é nada que nós não possamos pagar. O que aconteceu é que esta empresa de construção já nos anda a seguir há uns dois anos, que nos quer comprar para construir um projeto de condomínios da Caledonia, desde o local onde está o First Portuguese até à St. Clair. É um projeto interessante para a cidade e nós estamos ali no meio. Então a empresa que vai construir este projeto de 12 andares de condomínios, só pode avançar se nós vendermos a nossa propriedade. Se nós não aceitássemos eles desistiam do projeto. E nós achámos que não devíamos impedir a construção de um projeto que será bom para a cidade.”

Claro que o valor da proposta agradou à Direção e aos sócios que veem neste negócio a possibilidade de trabalhar no futuro com melhores condições – “Desde o momento que temos uma oferta razoável, que nos pode deixar mais confortáveis num novo local, porque é essa a ideia – nós saindo dali vamos para um novo local, com melhores condições, uma coisa mais moderna, com menos trabalho e menos despesas. A nossa Casa atual tem uma cozinha no segundo andar o que obriga a um trabalho enorme dos voluntários. A subir e descer escadas para servir jantares a 250/300 pessoas. Esta proposta dá-nos a oportunidade de nos mudarmos para um local com um andar só, para que possamos ter melhores condições.”

 

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Bernardino Nascimento, atual presidente das Casa das Beira de Toronto. Foto: CamõesTV

 

Para Bernardino Nascimento o melhor de tudo foi ter visto a proposta ser aprovada por unanimidade – “Agora a parte mais interessante é que tínhamos mais de 40 sócios na Assembleia Geral Extraordinária, que se realizou no passado dia 9, e a decisão foi tomada por unanimidade. Mas mais uma vez digo que esta decisão não tem nada a ver com falta de dinheiro, nem com receio do efeito da pandemia. Isto tem vindo a ser falado há dois anos.”

E agora? O que vai acontecer no futuro?

Agora é tempo de olhar para o futuro e Bernardino Nascimento explicou-nos quais serão os próximos passos – “Agora acontece o seguinte: o negócio vai ser finalizado em dezembro. A partir daí temos um ano e meio para ficarmos ainda no mesmo sítio, sem pagar renda, o que nos vai dar tempo para procurarmos um local novo. Entretanto será convocada uma nova Assembleia Geral de sócios onde faremos uma atualização de toda a informação sobre este assunto e será nomeada uma comissão que ficará encarregue de encontrar um novo local para a sede da Casa das Beiras.”

O clube e a pandemia

Entretanto Bernardino Nascimento não escondeu a preocupação que tem relativamente aos efeitos da pandemia na gestão financeira da Casa das Beiras, nos próximos meses – “Por enquanto ainda não estamos a passar dificuldades, mas se as coisas não mudarem e não pudermos fazer os espetáculos que fazemos habitualmente na nossa sede, onde fazemos dinheiro para as nossas despesas, nós vamos ficar forçados a pedir mais um empréstimo ao banco para continuarmos a manter as nossas contas em dia.”

Para o final da conversa ficou a resposta a uma pergunta que muitos fazem – será que este vírus que trouxe tanta desgraça, poderá trazer um certo consenso em torno da constituição de uma Casa de Portugal, onde se juntem todas as regiões, cada uma com a sua identidade, mas numa casa só?

“Já falámos disso diversas vezes. Eu acho que é um bom projeto, concordo com uma Casa de Portugal, mas há casas, clubes ou centros culturais na nossa comunidade com muito historial e de certo valor. E já há exemplos na nossa comunidade que mostram como essa união pode ser muito difícil. Repare uma coisa… nós tínhamos o Clube Académico de Viseu, fundado em 1989 e em 2000 decidimos optar por mudar o nome ao clube para Casa das Beiras, para assim juntarmos todas as organizações desta região. Essa foi a ideia. Mas houve pessoas que não concordaram com o fim do Clube Académico de Viseu e que ainda hoje não entram na Casa das Beiras.”

Madalena Balça/MS

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