Comunidade

Carassauga 2019 – “(…) É muito importante perceber a diversidade do mundo onde vivemos”

É um dos maiores festivais culturais do país e este ano fez 34 anos. O Carassauga celebrou a cultura de 29 países e um deles foi Portugal. Desde o folclore até à gastronomia, o Centro Cultural Português de Mississauga exibiu o melhor da nossa cultura durante vários dias.

Canadianos tentam aprender folclore
Canadianos tentam aprender folclore

Em declarações ao Milénio Stadium, Brien Chen explicou-nos o motivo da sua visita. “A minha mãe é caucasiana e o meu pai é chinês. Comecei a vir ao Carassauga há dois anos, gostamos deste conceito de mostrar várias culturas ao mesmo tempo e queríamos introduzi-lo aos nossos filhos que agora têm quatro e seis anos. Gostamos de experimentar comidas e culturas diferentes e achamos que é muito importante perceber a diversidade do mundo onde vivemos”, disse.

Chen está rendido à cultura portuguesa e não descarta a hipótese de os filhos virem a aprender a língua de Camões. “Nós apreciamos muito os pastéis de nata e eu sou um grande fã de línguas. Agora a minha filha está a aprender espanhol e gostávamos que um dia ela aprendesse português. Os meus antepassados têm uma grande tradição de cerâmica e ela gostou muito de brincar com o barro”, informou.

Eduardo Gouveia veio de Kingston para estar presente no Carassauga. “Tinha dez anos quando comecei a trabalhar o barro com o meu pai na Lagoa, nos Açores. Quando acabei a escola fui trabalhar para uma fábrica de cerâmica e fazia as figuras e a decoração. Em 1965 emigrei para o Canadá e comecei a desenvolver a técnica, mas sempre foi um hobby. Agora tenho 83 anos e se quisesse podia vender online, mas quero aproveitar a reforma. Os portugueses são os meus principais clientes”, adiantou.

Carla Antunes é artista plástica e esteve pelo segundo ano consecutivo no Festival. “A minha pintura é inspirada em alguns dos maiores ícones da cultura portuguesa que nos trazem uma grande nostalgia, como por exemplo o Galo de Barcelos, o farol ou o Fernando Pessoa. Todas as ilustrações são feitas em acrílico e se quiserem adquirir um dos meus quadros podem seguir-me no Facebook em Portuguese Artist ou no Instagram como Carla Caetano Antunes. Quero agradecer ao meu marido por me apoiar e incentivar a explorar o meu lado artístico que é o que mais gosto de fazer”, referiu.

Alcídio Andrade é um dos poucos cesteiros que ainda existem em S. Miguel, nos Açores. Nasceu numa família de cesteiros e trabalha o vime sentado no chão e utiliza, em simultâneo, os dedos das mãos e dos pés. “O meu pai costumava vir cá e este é o segundo ano em que participo. Quero agradecer ao presidente e à sua direção o apoio financeiro na minha deslocação até ao Canadá. Só existem três cesteiros na minha ilha e eu sou o mais jovem. Às vezes dou workshops, mas a juventude não se interessa muito por esta arte e para além disso os vimes são muito caros”, explicou.

O Carassauga atrai todos os anos mais de 400,000 visitantes a Mississauga e o Festival envolve mais de 6,000 voluntários. Tony de Sousa está na presidência do Clube Português de Mississauga há cinco anos, mas já participa no Carassauga há 22 anos.

“O Carassauga é um grande festival para Mississauga e para toda a nossa comunidade. É muito bonito ver todas estas culturas unidas e ainda hoje falava com a nossa antiga presidente da Câmara Municipal, Hazel McCallion, que me disse que dois países que vivem em guerra conseguiram juntar-se aqui num só pavilhão. Estou muito orgulhoso pela minha direção, ninguém imagina o trabalho que está por detrás deste Pavilhão: são três dias de muito trabalho e os preparativos já começaram há duas semanas”, afirmou.

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O Milénio Stadium falou com vários voluntários que tornaram o Pavilhão de Portugal numa realidade. Maria Rodrigues esteve a preparar mão-de-vaca, lulas, pastéis e rissóis. “Em Portugal trabalhava em casamentos e no Canadá continuei a fazê-lo nos últimos 30 anos. Já não devia estar aqui, mas gosto muito disto”, contou.
Apesar das cozinheiras serem sobretudo mulheres, Tony Barreto também faz o que pode. “Amanhã vamos fazer Carne de Porco à Portuguesa e depois de cortar as carnes vamos temperar para adiantar algum trabalho. Ontem terminámos à meia noite e meia, hoje não sei e amanhã vai ser até fechar (risos)”, avançou.

Os doces estiveram a cargo da Trigo Bakery, uma pastelaria portuguesa localizada em Mississauga. “Os canadianos ficam admirados com tantos doces e nem sabem por onde começar. Tudo tem saído bem, mas eles gostam muito dos pastéis de nata e das cavacas. Eu pessoalmente sou uma grande fã dos pastéis (risos)”, explicou Maria Medeiros, voluntária do clube.

Passaram pelo Centro Cultural Português de Mississauga vários grupos de folclore de Toronto e alguns canadianos até quiseram aprender uma das danças mais emblemáticas de Portugal.

Joana Leal

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