Comunidade

Amigos da Terceira apoiam Carnaval

Cada um dos grupos recebeu $500

Os Amigos da Terceira do Canadá distribuíram $5,000 dólares pelos grupos de Carnaval. A cerimónia decorreu no Graciosa Community Centre de Toronto e o dinheiro foi angariado no II Festival de Alcatra.

Em declarações ao Milénio Stadium, Nellie Pedro, presidente da associação, explicou o propósito. “Cada um dos dez grupos vai receber $500 e o objetivo é promover a nossa cultura e as tradições da ilha Terceira. Os jovens têm dado continuação às danças e aos bailinhos de Carnaval aqui no Canadá e tiram dinheiro do seu próprio bolso para pagar o assunto e a roupa. É uma quantia simbólica, mas nunca se sabe o que é que pode ser para o próximo ano”, disse.

Grupos de Carnaval recebem apoio de $500 dos Amigos da Terceira

Os grupos agradecem o apoio até porque o Carnaval pode sair bem caro. “O nosso tema é “Só para os homens” porque há sempre uma disputa entre homens e mulheres pelo poder. Temos 35 elementos dos 6 aos 50 anos e a maioria são mulheres. Nós temos muitas despesas. No primeiro fim-de-semana ficamos em Toronto, mas no segundo vamos para Hamilton e para Cambridge. Não quero exagerar, mas só em transporte somos capazes de gastar mais de $2,000 só a rir e a brincar”, exemplificou Artur de Freitas, responsável pelo Grupo de Amigos do Carnaval de Toronto.

O Bailinho da Banda do Senhor Santo Cristo é outro dos veteranos dos bailinhos de Carnaval que informa que não tem mais vagas disponíveis no grupo. “É preciso ter lata” é o nosso assunto e o autor é quem escreveu. Temos cerca de 25 elementos, para além dos que não puderam entrar porque não tínhamos lugar para eles. Este apoio é muito bem-vindo e gostávamos que outras associações fizessem o mesmo”, adiantou Eddie da Silva.

A legalização da canábis no Canadá inspirou o grupo Danças de Carnaval Portuguese Cultural Centre de Mississauga que vai atuar em Boston, Massachusetts, EUA. “Estamos juntos há 21 anos e temos 32 elementos. O mais jovem tem sete anos e o mais velho tem 73. O meu pai nasceu na Terceira, mas quando emigrou para cá trouxe esta tradição. Começámos a ensaiar em novembro, já tenho cá filhos e sobrinhas e este ano vamos aos EUA”, revelou Roger Mendes.

O grupo Bailinho Alta Sociedade 2019, cuja responsável é Marília Moreira, tem 38 mulheres e o assunto é “Coitado de quem morre”. “É um bailinho de pandeiro e o grupo é independente. Ensaiamos com amigos e família e acho que vão gostar”, contou.

Dois dos grupos vão deslocar-se este ano à Terceira – é o caso da Dança de Espada de Toronto cujo tema é “Só Deus sabe o nosso destino” e do Bailinho de Oakville que vai interpretar “A lua de mel em segredo”. “Alguns moram em Toronto e outros em Oakville por isso é difícil coordenar os ensaios que começam sempre depois do Natal. Temos 11 elementos e estamos muito entusiasmados com a ideia de atuar na Terceira e na Graciosa. Este cheque vai ajudar sobretudo na deslocação aos Açores”, adiantou Kelly Homem, do Bailinho de Oakville.

Marco Fernandes do grupo Dança de Espada de Toronto diz que o grupo tem 40 elementos e que a atuação dura menos de uma hora, ao contrário das tradicionais danças de espada.

Manny Ramos dos Amigos das Tradições Terceirenses José Ramos trouxe-nos o tema “Coisas do arco da velha” e Nelson da Silva do Grupo de Jovens das Tradições da Terceira vai apresentou “O meu mundo tem talento”.
Mas apesar do ambiente de festa, o Carnaval também tem um lado negro. Alguns grupos lamentam a falta de organização e de união. “Há alguma falta de organização entre os grupos porque às vezes chegamos a um clube que tem duas ou três danças seguidas e outros não têm nenhuma durante três horas”, lamentou Artur Freitas do Grupo de Amigos do Carnaval de Toronto.

Há ainda quem sugira que seja criado apenas um grupo de forma a evitar as longas esperas. “Estou há 30 anos no Canadá e já fiz parte de muitos grupos de dança. No ano passado pensámos em criar apenas um grupo, em vez de termos dez, e atuarmos todos no mesmo espaço. Mas vai ser difícil de concretizar porque a maioria dos grupos ensaia num clube”, explicou Marília Moreira do Bailinho Alta Sociedade 2019.

Outra das propostas foi que as transmissões do Carnaval de Portugal sejam feitas noutra altura. “Nós preparamos o Carnaval durante meses e é óbvio que gostamos de ter o público a assistir no dia da atuação. O facto de transmitirem as danças de Portugal através da TV não ajuda porque as pessoas já não saem de casa para ir até aos salões ver os grupos do Canadá. Eu cresci em Toronto e lembro-me de termos nove clubes abertos num sábado, este ano temos apenas quatro…”, lamentou Eddie da Silva do Bailinho da Banda do Senhor Santo Cristo.

Na entrega dos cheques compareceram apenas oito grupos e quatro informaram onde iam começar as atuações. Às 19H o Grupo dos Amigos do Carnaval de Toronto atua no Graciosa Community Centre; o Bailinho da Banda do Senhor Santo Cristo atua na Casa do Alentejo e o Grupo dos Amigos das Tradições Terceirenses José Ramos atua na Igreja de Santa Helena. Às 20H é a vez do Grupo de Jovens das Tradições da Terceira atuar na Casa das Beiras Cultural Community Centre.

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