Comunidade

“Alma Nua” na 5ª Gala do Fado

Clara Santos vive em Hamilton e, há cerca de cinco anos, apercebeu-se que a tradição do fado estava pouco presente nesta região. Assim nasceu a Gala do Fado que, este ano, já marca a sua 5ª edição. Com 285 pessoas presentes, na sua maioria habitantes de Hamilton mas também de Toronto, esta noite ficou também marcada pelo lançamento oficial do 2º disco de Clara Santos.

“Cinco anos depois estamos cá, neste salão a celebrar mais uma Gala e o lançamento do meu disco que se chama “Alma Nua”. É um bocadinho de mim, é basicamente a minha alma!”, contou ao nosso jornal Clara Santos.
O gosto pelo fado nem sempre esteve presente na vida de Clara. Segundo contou ao jornal Milénio, o “click” deu-se depois de sofrer um acidente de automóvel.

“Eu entrei num concurso de cantores amadores, quatro anos antes disso, e aí eu interpretei um fado da Dulce Pontes – esteve lá uma concorrente que também cantou um fado e tocou-me de uma maneira diferente. Depois desse concurso parei por, mais ou menos, quatro anos mas depois tive um empurrãozinho do João Carlos Silva que me disse “os músicos estão à espera!” e eu respondi “eu não estou preparada!”. Porque o fado é muito respeitado e muito difícil de cantar… Depois de eu ter o acidente é que despertou qualquer coisa em mim. Foi uma força que veio não sei de onde, na verdade, mas veio e eu estou muito feliz que veio porque aqui estou, cinco anos depois, a cantar fado”, confessou.

Para a jovem fadista de 34 anos, natural da Gafanha da Vagueira, em Aveiro, o fado é algo impossível de explicar, mas que lhe transmite imensa paz.

“Quando eu canto fado é o meu momento de paz. Eu sei que muitas pessoas acham o fado melancólico, muito triste e até dizem “eu não vou pagar para ir chorar!”. Não é para chorar! (risos) Mas, para mim, traz-me uma paz e um conforto que é realmente algo que não se pode explicar. Como já foi dito várias vezes, o fado não se explica, sente-se na alma e nas nossas veias. E eu acho que cada português sente um bocadinho do que é o fado. E também tem pessoas que não gostam e os gostos não se discutem! (risos)”, afirmou, sempre divertida.

Clara Santos adianta ainda que o seu novo disco contará com temas originais, modernos e tradicionais. A artista contou-nos que todo o processo de criação e o próprio resultado final superaram todas as suas expectativas: “Foi ainda melhor do que o que eu esperava. Eu trabalhei com o Hernâni Raposo – ele tem muita paciência e ajuda-me a meter o melhor de mim no meu trabalho. Ele é, para mim, o top!”.

Para além de acompanhar Clara Santos à guitarra portuguesa, Hernâni Raposo é também o produtor dos dois CD’s da fadista. Confessa ser um prazer imenso trabalhar com esta tão bonita voz – “Ela é muito talentosa. É uma pessoa que não só sabe cantar fado, mas também transmite um ambiente muito positivo dentro do estúdio. Foi um prazer trabalhar com ela!”.

Este estilo musical português, património cultural e imaterial da Humanidade, fala sobretudo sobre os sentimentos mais profundos da alma. Será esta capacidade de dar “voz” ao que se sente uma característica fundamental para se cantar fado?
“Sim, temos que sentir a palavra. A palavra é muito importante dentro do fado e eu acho que ser uma boa fadista não é só cantar afinado – é saber transmitir a palavra do poema que foi feito e o veículo de transmissão é a fadista. Ela faz isso muito bem”, disse o músico e produtor.

Para além do sentimento que coloca em todos os seus trabalhos, da voz apaixonante e da excelente presença em palco, Hernâni Raposo confessou ao Milénio Stadium mais uma característica da fadista: a exigência.
“Ela é e eu gosto disso! Para uma pessoa fazer um bom trabalho tem de ser exigente. Eu acho que para nós querermos fazer uma coisa bem feita temos de dizer “não, isto não está bem, vamos fazer de novo!”. Ela foi muito paciente comigo também porque eu sou um bocadinho exigente dentro do estúdio e eu disse-lhe várias vezes “vamos fazer isso de novo!” e ela fez e, realmente, ficou um bom trabalho”.

“Alma Nua” terá, com certeza, muito sucesso! Mas não resistimos em perguntar a Clara Santos para quando o terceiro álbum! – “Nós já falámos nisso… Falámos em incluir uns elementos diferentes porque nós vamos modificando – não muito, porque o fado é o fado, não se pode tocar muito – mas é sempre bom meter uma pimentazinha! (risos). Gostaria de vos agradecer pelo vosso apoio. Realmente sem o vosso apoio nós, artistas, não somos nada. Obrigada por apoiarem o meu fado e o meu destino. Obrigada a vocês!”.

Inês Barbosa

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