Comunidade

Açorianos festejam Espírito Santo

Valioso património cultural, o Espírito Santo está presente nas comunidades da diáspora açoriana um pouco por todo o mundo. No Canadá, a Casa dos Açores de Ontário organizou o 2.º jantar do Divino Espírito Santo e este ano introduziu uma inovação. “O mordomo costumava ser um dos elementos da direção, mas este ano fizemos diferente. Como é algo que exige muito trabalho e muita responsabilidade decidimos que toda a direção ia ser o mordomo do Divino Espírito Santo”, referiu Suzanne Cunha, presidente da Casa dos Açores de Ontário.

Apesar da região ter nove ilhas, as raízes dos presidentes acabam por influenciar a preparação das sopas. “Já tivemos uma presidente da ilha do Pico e naquela altura as sopas eram feitas à moda picoense. Eu já nasci em Toronto, mas os meus pais eram naturais de S. Miguel e depois acabaram por se mudar para a Terceira. Agora suponho que fazemos à moda S. Miguel e da Terceira, acho que depende até da cozinheira (risos)”, explicou.

Antes da refeição há uma espécie de ritual, depois de se cantar o hino do Divino Espírito Santo, o padroeiro da Casa dos Açores de Ontário, há uma bênção antes da carne e das sopas serem servidas. Na cozinha a equipa é sobretudo feminina e à nossa reportagem aceitaram partilhar os ingredientes desta iguaria. “Estou aqui desde as dez da manhã e só precisamos dos homens para tirarem as panelas do lume porque são muito pesadas. Aprendi a fazer sopas do Espírito Santo aqui em Toronto, é claro que não é fácil agradar a todos porque cada um tem o seu gosto, mas tentamos não carregar muito no sal por causa da hipertensão. Utilizamos várias tipos de carne e chouriço. Para acompanhar temos as sopas (pão com caldo), a batata doce assada, o repolho ce a cenoura cozida”, disse a cozinheira Teresa Tavares.

Apesar da distância a fé no Espírito Santo continua bem viva deste lado do Atlântico. “Sai dos Açores há 46 anos, mas continuo a ter muita fé no Sr. Divino Espírito Santo. Sempre que tenho um problema peço-lhe ajuda e ele escuta-me. Tenho muita fé nele”, confessou Maria Rodrigues, uma das sócias da coletividade.

“Viemos para cá, mas o nosso coração continua nos Açores. Já passei por situações muito difíceis, sobretudo de doença e o Sr. Divino Espírito Santo ajudou-me muito. Acho que a fé aqui ainda é maior…”, defendeu Teresa Tavares.

Na casa da presidente da Casa dos Açores a tradição começou com os avós. “O meu avô era muito devoto no Espírito Santo e isso passou para a minha mãe e para mim porque vivíamos todos juntos. Depois de eles morrerem as sopas passaram a ser feitas pela minha mãe. Sou muito devota do Santo Cristo e do Espírito Santo”, informou Suzanne Cunha.

Se não a este jantar ainda vai a tempo de provar as sopas do Espírito Santo porque nos próximos meses estão previstos mais encontros. “Estes jantares são para angariar fundos para as festas de junho.  Em março vamos ter a matança do porco e em abril vamos fazer a quarta festa do Espírito Santo. Por isso ainda vão poder voltar a comer sopas aqui no nosso clube”, explicou a presidente.

Em Portugal o culto do Espírito Santo é vivido sobretudo nos Açores e a sua origem remonta ao reinado de D. Dinis.

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