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“A minha melhor máquina fotográfica é a minha memória” – Roberto Medeiros

Roberto Medeiros nasceu em Água de Pau, S. Miguel, Açores. Na loja do seu pai “A Cova da Onça” aprendeu e cresceu com todos os que a frequentavam. Estudou em Ponta Delgada e exerceu vários cargos políticos, quer na sua freguesia – onde chegou a ser presidente da Assembleia de Freguesia – quer na Câmara Municipal de Lagoa onde, entre outros cargos, foi vereador da cultura e vice-presidente da Câmara.

Hoje Roberto Medeiros é um homem feito de memórias que não quer que o tempo apague.
Aconteceu no passado dia 23 de maio, no Centro Cultural Português de Mississauga (PCCM) o lançamento do seu livro “Antes que a memória se apague – Crónicas de Água de Pau”. Foi a Tony de Sousa, presidente do PCCM, que coube a apresentação curricular do autor. E de toda a atividade profissional e de envolvimento social que consta na biografia de Roberto Medeiros há uma marca quase constante – a dedicação à terra que o viu nascer. Maria João Dodman, Professora da Universidade de York, assumiu a tarefa de apresentar o livro e começou por explicar que, ao contrário do que é convencional fazer-se, desta vez ao invés de começar por procurar informação biográfica sobre o autor, optou por se deixar levar mais pela sua intuição, pelas narrativas do livro e pelo que já sabia de Roberto Medeiros (que, confessou, era relativamente pouco). Maria João Dodman sublinhou, no entanto, o lado de contador de histórias que sempre sentiu como importante marca da sua personalidade. Sobre a obra em si, a Professora da Universidade de York, afirmou “este livro conta parte da nossa história e da nossa cultura, que se perde se não for documentada desta maneira – são as histórias dos idosos, o património oral. De um tempo em que as pessoas, embora muitas vezes sendo analfabetas, sabiam comunicar melhor umas com as outras. Portanto, esta obra é uma mostra da nossa identidade. Neste caso, uma identidade muito própria dos Açores, mas este tipo de histórias podia ter como cenário qualquer outra parte do Portugal daquele tempo.”

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Roberto Medeiros, nas palavras que dirigiu ao publico presente, começou por agradecer ao Centro Cultural Português de Mississauga a oportunidade de apresentar o seu livro, enquadrado na programação do Carassauga 2019, mostrando-se muito feliz por estar entre “gente da minha terra” e ver na sala do PCCM alguns amigos que viveram com ele muitas das histórias que o livro agora guarda. São pessoas da sua “criação”, do tempo em que o pequeno Roberto ajudava a encher quilos de açúcar na “Cova da Onça” que, com toda a certeza, se reveem naquilo que é, afinal, a compilação da memória coletiva do povo de Água de Pau. Roberto Medeiros afirmou ainda que as histórias que o livro conta são, afinal, momentos da vida que foi juntando, compilando… daí que considere que “a minha melhor máquina fotográfica é a minha memória. Tive a sorte de ter nascido numa altura em que não havia computadores, se não, não sabia nada do que sei hoje.”

Para além do livro carregado de memórias, os presentes na sala do PCCM trouxeram também a garantia, dada pelo autor, que já está a ser preparado um segundo volume. Porque é importante registar todas as Crónicas de Água de Pau, “Antes que a memória se apague”.

Madalena Balça


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