Comunidade

42 carros alegóricos na Parada de Portugal

A 32.ª Parada de Portugal em Toronto voltou a refletir o amor que os portugueses têm pela sua cultura e ao todo foram 42 carros alegóricos que desfilaram desde a Lansdowne até ao Trinity Bellwoods Park.

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O percurso foi percorrido ao longo de várias horas e Joe Eustáquio, antigo presidente da ACAPO, destacou a elevada qualidade dos carros alegóricos. “Este ano tivemos 42 carros alegóricos e todos eles de grande qualidade. Começamos a organizar tudo isto em setembro e é esta Parada que nos dá força e vontade para continuar com esta grande pancada, como eu costumo dizer. Os portugueses de Toronto têm uma paixão pela terra mãe que é única no mundo”, sublinhou.

Kátia Caramujo, presidente da Comissão Ad Hoc da ACAPO, agradeceu a dedicação dos voluntários e mostrou-se satisfeita por ver a Dundas repleta de pessoas. “Deixo aqui um obrigada a todos os clubes e voluntários que desfilaram na Parada e a toda a organização que faz com que isto seja possível”, reforçou.

A MDC, grupo de comunicação que integra diversas plataformas – Camões Radio, Camões TV, LusoLife, Milénio Stadium e Revista Amar -, esteve representada num carro alegórico. Adriana Marques, apresentadora do programa “Mundo Mix”, da Camões Radio, participou este ano pela primeira vez na Parada e ficou muito entusiasmada. “O meu programa passa da 13h às 17h, de segunda a sexta e abordamos uma grande variedade de assuntos. Estou muito emocionada por estar aqui hoje porque considero Portugal como um país irmão do Brasil, é importante que as pessoas não esqueçam as suas origens e que as transmitam às gerações futuras”, referiu.

Alexandre da Silva, que está na presidência da Associação Cultural do Minho há poucos meses, revelou-se muito orgulhoso por poder representar o Minho na Parada. “A nossa cultura é muito rica e nós gostamos sempre de inovar. Este ano temos cá uma representante de Sistelo, uma freguesia do concelho de Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo”, revelou.

Liliana Neves é historiadora de profissão e ficou muito comovida por poder representar a sua terra junto da comunidade portuguesa em Toronto. “Sistelo foi eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de aldeias rurais. Fiquei muito contente e muito orgulhosa por ver a minha aldeia desfilar num país tão longínquo e por poder mostrá-la a tantas pessoas. Quando forem a Portugal visitem-nos e têm de ver os socalcos, passear na ecovia, fazer os trilhos e tirar fotografias nos miradouros. A nossa paisagem está classificada como monumento nacional e por isso beleza é coisa que não nos falta, é o melhor sítio de Portugal, sem dúvida”, adiantou.

As academias de futebol de Toronto também vestiram as cores de Portugal. Nelson Pinto, vice-presidente da Academia do Gil Vicente de Toronto, contou-nos que o carro demorou cerca de duas semanas a ser preparado e que cerca de 100 jogadores, dos cinco aos oito anos, desfilaram na Dundas. O presidente da academia deixou uma mensagem aos adeptos do clube. “Acreditem em nós, estamos no bom caminho, todos juntos estamos a fazer um trabalho fantástico, são todos bem-vindos na Academia do Gil Vicente de Toronto”, avançou José Carlos Silva.
Rafa, a jovem estrela do clube, veio de propósito a Toronto e gostou de rever os antigos técnicos. “Atualmente jogo nos juniores do Gil Vicente em Portugal e a minha rotina é bastante exigente, treino quatro vezes por semana, de terça a sexta. No início a adaptação foi difícil, mas agora já conheço toda a gente e um dia gostava de integrar a equipa principal do Gil”, confessou.

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A Academia do Sporting de Toronto, que comemorou recentemente oito anos, voltou a integrar a Parada e Carlos Dornelas explicou ao Milénio Stadium que é um grande orgulho integrar um dos momentos mais altos da cultura portuguesa em Toronto.

Filipe Oliveira integrou o desfile da Academia do Benfica de Toronto e garantiu-nos que aqui os jogadores seguem a mesma metodologia do Seixal. “A Academia de Toronto segue a mesma metodologia da Academia do SLB, que já recebeu o grau de excelência da UEFA, entre outros prémios. Se um dos nossos jogadores for treinar para Portugal não vai sentir qualquer diferença e a adaptação vai ser fácil”, assegurou.

Augusto Bandeira trabalha na Viana Roofing há quatro anos e este ano integrou o carro alegórico da empresa. “O facto de estarmos longe dá-nos ainda mais motivação para fazermos algo por Portugal e nós como vienenses não podíamos deixar de representar a Praça da República. Aproveito esta oportunidade para lançar um repto a todos os empresários luso-canadianos para participarem no próximo ano na Parada de Portugal com um carro alegórico”, sugeriu.

O núcleo dos ex-combatentes de Ontário quis relembrar “os heróis, os que morreram e os que sobreviveram”, tal como referiu o presidente Armando Branco. Fernando Martins foi paraquedista e serviu Portugal durante três anos na guerra colonial. “Hoje trouxe o meu fato de paraquedista porque para mim é um grande orgulho poder desfilar na Parada de Portugal, fiquem atentos ao nosso núcleo porque esta direção tem grandes projetos”, divulgou.

Jorge Costa, em representação da Associação Arco-Íris, falou-nos sobre a importância de liberdade sexual. “Nós somos filhos desta comunidade e é importante que ela nos aceite como somos. Os gays, as lésbicas e os bissexuais têm de ser respeitados e aproveito para convidar a comunidade portuguesa para assistir ao Pride Toronto no dia 23 de junho”, destacou.

Foram vários os níveis de governo de Portugal e do Canadá que assistiram a esta grande manifestação cultural. António Mendonça Mendes, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, veio a Toronto em representação do governo português e ficou surpreso com a dimensão da Parada. “Estava à espera de ver uma comunidade portuguesa pujante, participativa e bem aceite pelo país que a acolheu, mas confesso que fiquei surpreendido com os milhares de pessoas que aqui estão”, disse. O Cônsul-Geral de Portugal em Toronto, Rui Gomes, assistiu pela primeira vez à Parada de Portugal. “Em Portugal temos conhecimento da dimensão da Parada, mas assistir ao vivo é sempre diferente e foi com grande expectativa que iniciei o dia de hoje para poder finalmente ver a Parada”, adiantou.

O Ministro Federal da Imigração, Ahmed Hussen; Julie Dzerowicz, MP de Davenport; Teresa Armstrong, MPP de London-Fanshawe; Marit Stiles, MPP de Davenport; Ana Bailão, vereadora de Davenport; Andrew Scheer, líder nacional do Partido Conservador e Jagmeet Singh, líder nacional do NDP foram outros dos políticos que assistiram à Parada.

A Parada terminou com uma homenagem aos voluntários e provou que aqui ainda existe quem se sinta sobretudo português. “A minha família emigrou para o Canadá e embora eu tenho já nascido cá primeiro fui introduzida na cultura portuguesa. Então eu sinto-me mais portuguesa do que canadiana”, admitiu Kelly Melo, de 21 anos.

Joana Leal

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