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Bailão e Stiles debatem crise imobiliária em Toronto

Arrendar casa em Toronto ficou mais caro em janeiro de 2020: o aumento é de 2,2% e alguns dos inquilinos que têm contratos de arrendamento antigos estão a ser pressionados a sair pelos senhorios. A vereadora e a MPP de Davenport, Ana Bailão e Marit Stiles, discutiram terça-feira (14), na St. Helens Catholic School, a crise imobiliária de Toronto numa sessão aberta à comunidade.

Marit Stiles, MPP de Davenport

No encontro falou-se do novo plano de habitação de Toronto para os próximos 10 anos, abordou-se o programa municipal  RentSafe Toronto e falou-se dos direitos dos inquilinos. A sessão contou com a presença de três associações ligadas a este ramo – a Federation Metro Tenants’ Association (FMTA), o Neighbourhood Information Group e o Advocacy Centre for Tenants Ontario. Estiveram também presentes vários responsáveis do departamento de habitação da Câmara Municipal de Toronto e dois representantes do movimento “394 Dovercourt Rd”, um grupo de inquilinos que se recusa a abandonar o prédio desde que este foi adquirido por um grupo imobiliário internacional que quer aumentar o preço das rendas.

Ana Bailao, vereadora de Davenport

Benjamin Puglia é um desses inquilinos e aceitou falar ao Milénio Stadium. “Eles podem facilmente duplicar o preço da renda onde vivo. Primeiro começaram por me oferecer dinheiro para sair e entretanto já se passaram dois anos. Neste prédio temos 10 inquilinos nesta situação e é muito stressante porque sentimo-nos inseguros e sabemos que se sairmos muito provavelmente não vamos poder voltar a morar em Toronto. Eu pessoalmente não consigo pagar uma renda de $2,000”, lamentou.

Para quem enfrenta algo semelhante, Benjamin recomenda que partilhem a história com os vizinhos e que procurem apoio jurídico. “Nem todos podemos pagar os honorários de um advogado, mas existem associações que prestam apoio pro bono. Acreditem que não estão sozinhos e que têm mais hipóteses de vencerem se lutarem em conjunto”, aconselhou.

O novo plano municipal quer criar, numa década, mais de 400,000 novas unidades destinadas a famílias com baixos rendimentos e estas associações sublinharam a importância dos inquilinos conhecerem os seus direitos e documentarem todo o seu caso.

Na cidade, onde existem mais de 2 milhões de quartos vazios e onde a procura é maior do que a oferta, os preços continuam a aumentar. “Na última década temos a assistido em alguns casos a aumentos de 30% e a nível municipal o que estamos a tentar fazer é incentivar a construção de novas unidades e de novas casas para conseguirmos fixar as pessoas em Toronto”, disse Ana Bailão ao Milénio Stadium.

A realidade das famílias mudou e parte do problema parece também ser cultural. “Esta é uma cidade de imigrantes e o sonho americano traduz-se numa casa com garagem separada e dois carros à frente, era assim sobretudo nos anos 60 e 70. Entretanto esses proprietários tiveram filhos que casaram e saíram da área e hoje essas pessoas moram sozinhas. O nosso grande desafio é criar um mercado flexível que vai de encontro às necessidades dos inquilinos que hoje têm famílias muito mais pequenas”, disse Ana Bailão ao Milénio Stadium.

Bailão recordou o sucesso do programa que a autarquia desenvolveu em 2016 com a Universidade de Toronto e que junta seniores e jovens estudantes na mesma casa e sublinhou que uma das soluções passa por permitir que os proprietários criem apartamentos dentro das suas próprias casas. “Se tinham uma casa muito grande e hoje há muitos quartos vazios será que não podem criar um apartamento na sua casa? Estamos a trabalhar em conjunto para encontrar uma forma fácil de transitar para este modelo porque acreditamos que é benéfico para todos. Os idosos têm uma fonte extra de rendimento que pode ser um complemento à reforma e as novas gerações mantêm-se em Toronto”, adiantou.

O custo da habitação em Davenport é um dos principais assuntos nos escritórios da vereadora e da MPP. “Alguns dos arrendatários de Davenport estão a viver momentos difíceis porque as rendas estão cada vez mais caras e esta sessão serve sobretudo para eles conhecerem alguns dos seus direitos. Há muito pouca proteção para os inquilinos e infelizmente um dos casos mais comuns é quando o senhorio decide fazer obras de melhoramento no prédio para depois alugar os apartamentos a preços mais elevados. Muitos dos inquilinos de Davenport são vítimas deste processo a acabam sem terem um teto para morarem e infelizmente também temos muitos artistas nesta situação”, referiu Stiles.

A MPP eleita pelo NDP tece críticas ao Premier de Toronto, Doug Ford, e lamenta que os Conservadores tenham contribuído para o problema atual. “Para a classe média é muito difícil encontrar em Toronto uma casa que consigam pagar. Sou mãe de adolescentes e preocupa-me que eles tenham de ir morar para longe porque não conseguem pagar uma casa em Toronto. Sempre defendemos que era importante fiscalizar o mercado de arrendamento, mas o Governo Conservador arranjou forma de eliminar essas medidas. Acredito também que os nossos vereadores deveriam ter mais poder para negociar com os construtores de forma a termos mais casas acessíveis para todos. É lamentável que o Doug Ford lhes tenha retirado tanto poder neste último ano e meio”, informou.

Stiles sustenta ainda que o Governo Federal também tem de estar mais envolvido de forma a controlar o aumento dos preços, até porque “Toronto não deve ser uma cidade onde só os mais ricos podem viver”.

A nível de conselhos, os entendidos recomendam que nunca abandone a habitação, que guarde provas e que esteja atento às licenças até porque estas obrigatoriamente devem ter duas datas – o início e o fim da obra.

Joana Leal/MS

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