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No final do ano passado, a maçã caiu e os mercados bolsistas estremeceram

A queda abrupta (há quem aponte para valores na ordem dos 38%) dos resultados da Apple remeteu a maçã gigante, que era até então a líder das empresas cotadas em bolsa, para um 4º lugar no ranking das empresas mais valiosas, ficando atrás da agora líder Amazon, Google e Microsoft. As razões são, naturalmente, diversas, mas todas elas indiciam que os pequenos investidores devem estar atentos. Não assustados, mas atentos.

É que os sinais de que a economia mundial está a abrandar, muito pressionada pelas relações tensas entre China e Estados Unidos, são mais do que evidentes e preocupam unanimemente os analistas. Apesar de tudo indicar que, em breve, China e Estados Unidos vão encontrar-se para tentar diminuir o impacto das posições extremadas dos últimos tempos, há quem receie que outras empresas americanas venham ainda a sofrer baixas consideráveis nas vendas em consequência da guerra comercial que Donald Trump despoletou. É o caso de Kevin Hassett, Diretor do Conselho de Consultores Económicos da Casa Branca – “Não vai ser apenas a Apple” — disse Hassett em entrevista à rede CNN. — “Há outras empresas nos EUA com negócios na China que vão ver as suas receitas caírem até que consigamos fechar um acordo com os chineses.”

Segundo o assessor, a desaceleração da economia da China está a diminuir as vendas das empresas americanas no país, mas, em compensação, isso dará ao presidente americano Donald Trump uma vantagem na hora de negociar sobre comércio com o governo chinês. Aliás, o presidente dos Estados Unidos da América afirmou na semana passada em conferência de imprensa, que está confiante que se possa concluir um acordo comercial com a China.

O Ministério do Comércio chinês confirmou, entretanto, que uma delegação norte-americana de alto nível visitará, em breve, Pequim para negociar um acordo que permita apaziguar as disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

O vice-representante do Comércio dos Estados Unidos, Jeffrey Gerrish, vai liderar a delegação em conversas “ativas e construtivas”, segundo o comunicado do ministério.
Os dois lados desejam “implementar o importante consenso alcançado na reunião na Argentina”, entre os presidentes dos EUA e da China, Donald Trump e Xi Jinping, respetivamente, detalhou o comunicado.

O Milénio Stadium foi procurar perceber melhor o que se está a passar e quais as causas e consequências desta queda da “maçã”. Trazemos a opinião de dois reputados jornalistas que há muitos anos se dedicam à área económica – Helena Garrido (ex Jornal de Negócios e num futuro breve Direção de Informação da RTP) e Pedro Araújo (Editor-Adjunto do JN).

Madalena Balça/MS

 

Estamos a assistir aos primeiros efeitos da guerra comercial do presidente dos Estados Unidos da América contra a China. A Apple foi a primeira empresa a sofrer este impacto. Anunciou que os seus lucros iriam ser inferiores (muito inferiores, diga-se…) ao previsto e provocou uma autêntica tempestade nos mercados bolsistas. Praticamente em todos porque eles reagem em cadeia.
Há um movimento que se está a identificar na China (e não só…) e essa pode ser também uma das razões para o sucedido – aquela fase em que todos queriam ter um Iphone e ter um Iphone era sinal de estatuto, já passou. Neste momento a Huawei está a tirar mercado à Apple (não apenas a Huawei, há outras marcas…).
Por outro lado, a Apple nesta perspetiva de redução de vendas cometeu aquilo que pode vir a revelar-se um erro – aumentou os preços para tentar evitar a queda de receita.
Há, no entanto, uma outra dimensão, para a qual a Apple também aponta, que está relacionada com a guerra comercial entre China e Estados Unidos da América. A este propósito é bom sublinhar que a Apple não é a única. Há uma 2ª empresa nos EUA que também atribuiu à guerra comercial despoletada por Donald Trump a justificação para as perdas nas vendas – é uma empresa do setor agroalimentar, sem a notoriedade da Apple, mas que com esta sua posição evidencia que mais empresas dos Estados Unidos podem vir a sofrer consequências sérias nos seus resultados.
Simultaneamente, estamos a assistir a um abrandamento quer da economia chinesa, quer da economia dos Estados Unidos da América. Com este quadro, os economistas estão todos a apontar para um acentuado abrandamento da atividade económica, embora não haja nenhum que fale da possibilidade de uma recessão no próximo ano. Mas a verdade é que ninguém pode garantir que não é para aí que caminhamos.

Helena Garrido

Nota:
A opinião de Helena Garrido foi transmitida na rubrica “Contas do Dia”, transmitida pela Antena 1

 

A verdade é que se formos fazer as contas desde outubro as ações da Apple caíram 38%. Há vários fatores que contribuíram para que isto acontecesse – em primeiro lugar, cerca de 50% da produção de iPhones vem da China. Havendo um conflito comercial entre os Estados Unidos da América e a China, com ameaças de aumento de tarifas e alguns aumentos já efetuados, isso causa, obviamente, instabilidade numa empresa que tem metade da produção do seu principal produto (iPhone) exatamente lá, na China.
Por outro lado, as previsões para a economia dos próximos tempos têm vindo a ser cada vez mais pessimistas – a desaceleração da economia é um consenso entre as diversas instituições internacionais para 2019, 2020, e por aí fora… e, quando assim é, os investidores que agem muitas vezes por impulso, assustam-se e as ações caem de forma abrupta. No entanto, quando vêem que as empresas são sólidas, elas acabam por recuperar em bolsa. E isso já está a acontecer com a Apple, embora lentamente. Agora é verdade que todas as previsões estão a ser absolutamente consensuais nos riscos que esta situação pode representar para a economia. Estamos a falar de coisas que mexem de facto com o mercado mundial.
Quando há essas ameaças e quando há uma escalada na forma como se verbaliza alguma hostilidade comercial, mas ao mesmo tempo há disponibilidade para encontros bilaterais, normalmente isso quer dizer que se quer subir a fasquia para conseguir algumas vantagens. Eu acredito que não vamos assistir à tão falada guerra comercial. É preciso lembrar que o Donald Trump vem do mundo empresarial, usa na política muitas estratégias que usava nos seus negócios. E no meio empresarial estica-se muito a corda para que depois o panorama não fique tão negro como parecia à primeira vista.
Há, no entanto, coisas que por vezes saem fora do que inicialmente se previa… como fica evidente neste caso. Por exemplo, o esticar da corda afetou as vendas da Apple no mercado chinês, que representavam 20% do total de faturação da empresa. E isso explica-se por uma espécie de sentimento de amor à pátria. Os chineses têm comprado, cada vez mais, produto chinês. Também porque eles têm tido a capacidade de produzir tecnologia à altura, ao nível da qualidade, da Apple.
Quanto a nós aqui na zona Euro e na União Europeia não podemos fazer muito. O nosso poder, quer junto da China, quer junto dos Estados Unidos, é muito baixo. Somos basicamente espectadores. Atentos!

Pedro Araújo

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