Catedral da Sé

São Paulo, Brasil

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Manuela Marujo
Manuela Marujo

Quando, no ano de 2000, o Brasil festejou os 500 anos da presença portuguesa, surgiu-me um convite irrecusável para proferir palestras em cinco universidades brasileiras: em Assis (Estado de São Paulo), Londrina(Pará), Belo Horizonte (Minas Gerais), Florianópolis (Santa Catarina) e Recife (Pernambuco). O Brasil é o quinto maior país do mundo, e eu teria que viajar de avião para a maior parte dessas cidades. Por sorte, nesse ano de comemorações, foi criado um passe turístico para estrangeiros que me permitiu, por um preço muito razoável, fazer todos os voos domésticos.

Até esse ano, tinha tido pouca vontade de ir ao Brasil. Apesar de toda a sua beleza, trazida até nossas casas pelas telenovelas, especialmente as imagens da cidade do Rio de Janeiro – com a reputação de ser a mais linda do mundo -, e de ler Jorge Amado desde muito jovem, era influenciada pelas notícias sobre a violência nas grandes cidades e receava viajar para lá. Agora, já perdi a conta ao número de vezes que fui descobrir novos lugares. Apaixonei-me pelo Brasil, e apercebi-me de sua grandiosidade, depois de o percorrer desde Olinda, em Pernambuco, até Gramado, no Estado do Rio Grande do Sul.

Para iniciar o relato das minhas viagens pelo Brasil, vou começar por São Paulo. Sempre que passo algum tempo nesta cidade, lamento que tenha tão má fama. É a cidade mais populosa, com cerca de 12,1 milhões de habitantes, fundada a 25 de janeiro de 1554, pelos monges jesuítas. Gosto de revisitar, no centro histórico, o Pátio do Colégio, que data da fundação. No centro, podemos admirar a Catedral da Sé, o Mosteiro de São Bento, o Solar da Marquesa de Santos, para além de atraentes palacetes e edifícios antigos ajardinados ou situados em parques de árvores frondosas. Como em outras cidades, muitas instituições financeiras, são hoje em dia, donas dos edifícios mais imponentes. Algumas são mecenas de galerias de arte, onde se pode entrar livremente e admirar os maiores criadores de artes plásticas do mundo. Em fevereiro deste ano, por exemplo, vi obras do americano Basquiat e do brasileiro Vic Moniz no edifício do Banco Santander.

São Paulo tem museus extraordinários e para todos os interesses: desde a Pinacoteca (o museu mais antigo) ao Museu de Arte Contemporânea (MASP), passando pelos museus do Futebol, da Língua Portuguesa, do Ipiranga e tantos outros.

A arquitetura da cidade que, quando sobrevoamos parece apenas consistir de arranha-céus, encanta pela qualidade e originalidade das obras de arquitetos, como Óscar Niemayer. O Parque Ibirapuera é de visita obrigatória, bem como o MASP da arquiteta Lina Bo Bardi, e o Teatro Municipal e Pinacoteca dos arquitetos Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi.

Para ir às compras, São Paulo é o paraíso dos consumidores – pode optar-se por setenta centros comerciais ou dezenas de feiras e mercados. Produtos dos mais luxuosos até ao comércio popular, em ruas como Óscar Freire e 25 Março, ilustram o contraste surpreendente de mercadorias disponíveis nesta imensa metrópole.

Não falei de teatro, dança, espetáculos, gastronomia e tantos outros aspetos da cidade. Não mencionei a presença dos italianos na Vila Madalena, a dos japoneses no Bairro da Liberdade, a dos libaneses, coreanos, marroquinos, ucranianos e tantos, tantos outros, noutros bairros da cidade. São Paulo, com seus quase 464 anos de história, tem atraído, e continuará a atrair, uma população heterogénea.

Os brasileiros de São Paulo são empreendedores, amáveis e comunicativos. Por isso, me sinto à vontade, a passear, quer em boa companhia quer sozinha, na megacidade que conheço cada vez melhor e que, vivamente, recomendo para uma visita.

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