Istambul - Grande Bazar

Istambul, Turquia

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Estive na Turquia em 2012, na companhia de um pequeno grupo de canadianos para conhecer o país duma forma diferente da do turista comum.  A viagem, organizada pelo “Intercultural Dialogue Institute” (IDI GTA), levou-nos a vários lugares deslumbrantes. Apesar de instalados em hotéis de qualidade, fazia parte da nossa viagem conhecer famílias de estratos sociais diferentes, partilhar refeições em suas casas, e com elas socializar. Hoje, todavia, reviverei apenas Istambul, onde nos foi reservado um dia para fazer turismo.

Logo na primeira noite, fomos jantar a casa de um casal jovem, num dos bairros ricos da cidade, nas proximidades do Estreito de Bósforo. O anfitrião era dono de uma fábrica de têxteis, e a esposa grávida estava em casa com dois filhos pequenos. Receberam-nos numa vivenda ampla, com jardim, piscina e salas de estar e jantar modernas, decoradas ao gosto ocidental. A comida caseira era variada e deliciosa e foi acompanhada por chá forte (“çay”) servido em copos de vidro. Aprendi ser esta a bebida mais comum usada pelos turcos muçulmanos, proibidos de beber álcool por motivos religiosos.

Visitámos o Museu Hagia Sophia, o Palácio Topkapi e a Mesquita Azul. A beleza desses monumentos é lendária, e levaria muitas páginas para poder fazer justiça à sua magnificência. Passámos ainda algum tempo no extraordinário Grande Bazar mas o meu lugar favorito foi o Mercado Egípcio ou Bazar das Especiarias. Nunca vi, no mesmo espaço, uma tal abundância e variedade de cores, perfumes e sabores. As mais de cem barraquinhas exibiam chás, frutos secos, doces e especiarias de forma atraente, em cestos, tigelas e caixinhas muito bem combinadas. Apetecia tocar, provar, comprar muitas coisas e os vendedores eram persuasivos. Não resisti a trazer vários saquitos de açafrão, “baklava” e “lokum” ou “Turkish delights” de sabores diversos, não podendo faltar o mais tradicional a rosas.

Istambul é uma cidade de maioria muçulmana onde há cerca de três mil mesquitas. Algo que impressiona qualquer visitante é ouvir o chamamento para a oração entoado pelo imã cinco vezes por dia. É impossível ficar insensível a este ritual mesmo não se sendo religioso.

A localização estratégica da cidade de Istambul, nas margens do Estreito do Bósforo que liga o mar Egeu ao de Mármara, muito tem contribuído para a sua importância histórica. Foi-nos dada a oportunidade de fazer uma viagem de barco ao longo do Estreito e admirar mesquitas, palacetes e outras moradias luxuosas, assim como parques e zonas de mercados de rua. Junto da famosa ponte de Galata, parámos para comer- num dos inúmeros restaurantes que atraem tanto moradores como turistas -, uma sandes do típico peixe fresco frito. “Nenhum domingo era domingo se o meu pai ou o meu tio não saísse connosco para um passeio matinal no Bósforo”, escreveu o turco Orhan Pamuk, autor de “Istambul”, e prémio Nobel da Literatura em 2006. A vida junto ao Bósforo é efervescente e cheia de encanto, tanto do lado asiático como do lado europeu da cidade.

Imagino que o grande desenvolvimento económico que se notava em toda a cidade tenha desacelerado pois, logo após esta viagem, o país passou por grandes transformações políticas e sociais: que será feito do jovem casal que nos recebeu em sua casa? Mas Istambul continuará a exercer, tanto sobre os turcos como sobre qualquer turista, uma atração única. Uma das cidades mais antigas do mundo, ela foi a mítica Constantinopla, fundada antes de Cristo e capital do Império Romano do Oriente e do Império Otomano. A sua reputação e fascínio obrigam a uma visita.

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