Tiananmen

Beijing, a capital da China

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Das três vezes que fui a Macau, aproveitei sempre para fazer outras viagens no oriente. Uma delas foi para conhecer a capital desse imenso país, a China. Um voo de 3h leva-nos do aeroporto de Macau até Beijing. À nossa espera, no aeroporto, tínhamos um guia e um chofer que nos acompanharam durante toda a estadia. Sem nada nos ser proibido, sentimos, todavia, falta de liberdade e espontaneidade à nossa volta. Tudo nos pareceu uma encenação. E, quando se desconhece a língua do país, fica-se muito limitado.  

Com uma população de mais de 20 milhões de habitantes, as primeiras impressões da capital são pouco simpáticas: multidões em movimento, trânsito denso e contínuo, e poluição extrema, apesar das centenas de bicicletas a circular.

Nos cinco dias que passei com a minha família em Beijing, escolhemos visitar alguns dos palácios e monumentos mais famosos. Começámos por parar na Praça Tiananmen que, dois anos depois, viria a tornar-se cenário inesquecível da repressão do regime comunista. É nessa praça de proporções desmesuráveis que se pode admirar o mausoléu de Mao Tse Tung. Não muito longe dela, situa-se o gigantesco portão de entrada para a “Cidade Proibida”. 

Este imenso complexo arquitetónico, que, segundo consta, tem 9.999 salas, era restrito ao imperador, sua família e oficiais mais graduados. Constituía uma cidade dentro de outra cidade, e foi a capital imperial durante 500 anos. É o maior palácio do mundo, de uma grandeza desmedida. Dentro dele, os turistas têm acesso a algumas dezenas de salas, todas ricamente decoradas a ouro, com mobílias de madeiras preciosas e jarrões da mais fina porcelana.

No exterior, as estátuas gigantescas dos imperadores, as esculturas de leões, dragões e outros símbolos da mitologia chinesa, que enfeitam os jardins de beleza ímpar, fazem-nos sentir insignificantes. Eu senti-me como uma formiga. É preciso caminhar distâncias enormes para se poder andar de pavilhão para pavilhão, subir escadarias elevadas, atravessar pátios vigiados por guardiões do palácio que dão acesso a novos edifícios. Lembrava-me dos castelos e palácios portugueses que, comparados, parecem meros brinquedos.

Em Beijing, mais do que os magnificentes Palácio de Verão, Templo do Céu ou Túmulos Ming, apreciei conhecer um bairro antigo, um dos Hutongs. É ali que se encontram tanto casas modestas como outras muito luxuosas, em becos e ruas estreitas dentro da enorme cidade. Há a visitar pequenas lojas de antiquários, livrarias, galerias de arte. Alguns dos residentes abrem as portas das suas casas aos turistas. Foi-nos servido chá e bolinhos, e ouvimos, através do guia-intérprete, um pouco sobre as suas vidas. Aquele tipo de habitação contrasta de maneira impressionante com os prédios de arquitetura moderna que, igualmente, abundam em Beijing.

Parte da excursão incluía visitas a fábricas. Numa delas, vimos rapariguinhas tecendo carpetes de desenhos minuciosos com fios de seda. Associei logo a sua labuta ao trabalho escravo infantil, e senti-me incomodada. Noutra fábrica, assistimos à pintura morosa de faiança decorativa, e lembrei-me de ter visto peças parecidas à venda em Toronto, que custavam uns míseros dólares. 

Visitar a Grande Muralha da China é obrigatório. Com cerca de 8.850km de comprimento, é a muralha mais extensa que existe, considerada uma das “7 maravilhas do mundo” contemporâneas. Fica situada a menos de 100 km do centro de Beijing. Surpreendeu-me a altura dos degraus que tornam o percurso muito penoso. Fomos em dezembro, havia um pouco de gelo nos degraus, e o piso estava escorregadio. 

Não podíamos sair da cidade, sem provar o prato nacional chinês – “o pato à Pequim”. Foi uma deceção, como foi toda a comida que nos foi servida nos restaurantes “para turistas”. Tenho comido muito melhor na Chinatown de Toronto.

Aprendi na escola que a capital da China era Pequim. Pequim e Beijing são dois nomes para a mesma cidade. A grafia de Beijing é uma escolha feita pelo governo chinês, em 1958, e adotada, internacionalmente, desde 1979. Beijing é a palavra correta em mandarim, idioma oficial da China. Pequim vem de Pekin, quando o cantonês era o idioma usado na região. Infelizmente, essa escolha faz-nos esquecer que Pequim entrou na nossa língua, quando, em 1554, chegámos a Macau.

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Grande Muralha da China
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