Editorial

Sexo, é trabalho?

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Cartoon by Stella Jurgen

 

Com o mundo sempre a girar e a revelar-nos novas surpresas, cada dia relembra-me uma novela muito popular que foi transmitida na TV durante muitos anos. Na novela, as provocações e adversidades dos relacionamentos eram um desafio infindável para a forma como vemos o mundo. Hoje, a realidade das novelas abrange sérios ataques à nossa estabilidade mental por parte de forças políticas e uma dúvida interminável acerca do que o amanhã nos irá trazer.

Pondo tudo em perspetiva e analisando as forças corruptíveis que atacam o nosso bem-estar, tudo se resume à mosca no cabelo de Mike Pence durante o debate com Kamala Harris, a 7 de outubro. Uma pequena mosca domina os media, o que confirma que pouco da sua mensagem deve ser levada a sério.

Esta semana, o Milénio Stadium explora um aspeto da sociedade que representa uma parte importante na vida de muitas pessoas, mas que é convenientemente ignorado. Os profissionais do sexo e a prostituição são temas sobre os quais as pessoas preferem não falar. Milhares de homens e mulheres trabalham neste ramo e enquanto a sociedade se preocupa com os trabalhadores do setor automóvel, os trabalhos e os ganhos dos trabalhadores sexuais são ignorados. Há muito a ser discutido, mas existe um certo desconforto, por parte do poder estabelecido, em discutir esse assunto. O comércio sexual inclui muitas formas e é um negócio que cria um lucro superior a qualquer outra forma de entretenimento “legítimo”. Na sua maioria, a prostituição tornou-se virtual, onde sites pornográficos e sites de encontros forçam a maioria dos clientes no sentido da clandestinidade, criando assim uma sub-sociedade onde o controlo dos trabalhadores sexuais e dos seus chulos e organizações criminais forçam muitos para um ambiente semelhante a uma prisão.

O Canadá legalizou a prostituição, contudo, apesar da vasta história dos trabalhadores sexuais, ainda existe uma haste moral no seu traseiro metafórico sobre ser considerado uma profissão. É legal vender sexo no Canadá, no entanto, promover serviços sexuais, pagar por esses serviços e viver dos ganhos da venda sexual são ilegais. Porquê legalizar algo e implementar barreiras onde a proibição de muitos aspetos cria um ambiente onde é necessário secretismo e a proteção dos potenciais clientes?

O negócio de comércio sexual irá existir sempre. Os trabalhadores sexuais precisam de proteção sob todas as leis do Canadá; contudo, nunca irá acontecer porque os governos não estão a receber as receitas fiscais que “legitimam” estes negócios. As práticas predatórias de homens e mulheres que controlam vários aspetos do comércio sexual resultam em vítimas que sofrem abusos indescritíveis. A prostituição, num formato aceitável, é um serviço necessário que satisfaz as necessidades de muitas pessoas. Numa sociedade que, por diversas razões incluindo saúde mental, dificulta a aceitação de que os nossos corpos funcionam de maneiras específicas, demonstra que a prestação desses serviços é essencial.

A mudança das leis pode fortalecer os trabalhadores sexuais e os clientes, que poderão exigir melhores condições de trabalho e pode iniciar uma mudança cultural que altere a forma como vemos as pessoas na indústria do sexo.

Esta segunda-feira (12), celebra-se o Dia de Ação de Graças. Agora mais do que nunca temos de ser agradecidos por termos sobrevivido a todos os desafios impostos na nossa vida. É tempo de refletir e reavaliar. Aqueles que contribuem para as nossas vidas de uma forma positiva devem ser valorizados por partilharem a sua vida connosco.

Feliz Dia de Ação de Graças.


Is Sex, Work?

As the world turns and reveals new surprises, each day reminds me of a very popular soap opera which ran on TV for many years. On the soap opera the trials and tribulations of relationships and its effects were a never-ending challenge to how we view the world. Today’s soap opera really encompasses serious attacks on our mental stability by political forces and the never-ending doubt about what tomorrow will bring.

Taking all into consideration and analyzing the corruptive forces that attack our well-being, all was summarized by a fly on Mike Pence’s hair during the debate of October 7th with Kamala Harris. A little fly dominates the media confirming that very little messaging should be taken seriously.  This week’s Milenio Stadium explores an aspect of society that plays a part in many people’s lives but it conveniently ignored. Sex workers and prostitution are subjects that people would rather not speak about. Thousands of women and men work in this field and while society worries about auto workers, the jobs and earnings of sex workers are ignored. There is much to be discussed but there is a certain discomfort by the establishment in debating these issues. The sex trade encompasses many forms and is a business that creates revenues which exceed any other form of “legitimate” entertainment. Prostitution has for the most part gone virtual where sites for porn and dating forced most of its clients underground creating a sub-society where control of sex workers by pimps and criminal organizations force many into a prisonlike environment.

Canada legalized prostitution, however, despite sex work’s lengthy history, it still has a moral rod up its metaphorical rear end about the profession. Selling sex is legal in Canada, however, advertising sexual services, paying for those services and living off the material gains from selling sex are illegal. Why legalize something and implement barriers where prohibition of many aspects creates an environment where secrecy and protection of potential clients is necessary?

The business of sex will always exist. Sex workers need protection under all laws of Canada; however, it will never happen because governments are not getting the tax income that “legitimate” business are creating. Predatory practices by men and women who control most aspects of the trade result in many falling prey to unspeakable abuses. Prostitution in an acceptable form is a necessary service which fulfills the needs of many. In a society which for a variety of reasons including mental health issues complicates acceptance that our bodies function in specific ways, the provision of these service is essential.

Changing laws can empower sex workers and clients to demand better working conditions and it may start a cultural shift that changes how we view people in the sex industry.  Forcing prostitution underground and making these workers feel sub-human is not a way to resolve a problem which will become more convoluted and dangerous.  This Monday is Thanksgiving Day. Now more than ever we have to be thankful for having survived the challenges being imposed on our lives. It’s time to reflect and reassess. Those who contribute to our lives in a positive manner should be thanked for sharing their life with us.

Happy Thanksgiving Day.

Manuel DaCosta

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