Editorial

Pinte o meu Mundo. A humanidade tem uma cor?

Pinte o meu Mundo-canada-mileniostadium
Cartoon by @stellajurgen

Olhando para trás, para a minha chegada a Toronto, a 30 de janeiro de 1970, num dia de neve e frio, foi nesse momento que começou a instrução dos meus olhos. De repente, à minha volta estavam corpos de diferentes cores, aos quais não estava habituado e que nunca tinha visto com os meus próprios olhos. Imagine o medo de um mundo estranho, para o qual não estava precavido e a julgar mentalmente como deveria ver todos aqueles que não fossem brancos. Com a suposição de que a cor branca era a raça predominante, o nascimento da ignorância com o qual tinha sido doutrinado devia-se à inseminação de informação no meu cérebro que resultava de um sistema desenhado para manter as pessoas pouco cultas e para não levantarem questões.

Ao avançar com a minha educação e ao livrar-me dos medos e preconceitos, o meu lado ignorante ainda questiona se os meus olhos são daltónicos e se o critério do que eu vejo é baseado numa igualdade moral ou se ainda carrega o peso da discriminação. Toronto é a casa de todas as etnias do mundo e emerge uma questão simples: “O que vemos uns nos outros quando andamos pela rua?” Talvez um olhar rápido ao formato corporal que é depois transformado para caber num determinado estereótipo baseado na etnia nos traga algum conforto ao nosso cérebro, baseado na superioridade intelectual, mas a realidade é muito diferente.

Os tempos desafiadores que enfrentamos hoje enfatizam os sentimentos de codificação de cores nas ações daqueles que cometem crimes contra a sociedade. As suposições sobre os motivos que conduzem as suas ações nunca analisam completamente o porquê de “estas pessoas serem problemáticas”. Porque não apenas celebrar as cores diferentes e integrar o conceito de inclusão nos nossos cérebros, de forma a viver em harmonia sem o lixo que nos entope a cabeça?

Infelizmente, isto não é concretizável porque a diferenciação cultural vence quase sempre sob a lógica. Enquanto se considera que as raças individuais têm uma qualidade genética relativamente uniforme, os velhos conceitos de raça permanecem. Ser africano, asiático, europeu, indígena ou ser da Oceânia ainda nos diferencia. Há cerca de 1.2 a 1.8 milhões de anos atrás, os primeiros espécimes do Homo sapiens desenvolveram uma pele mais escura. A pele clara emergiu depois dos humanos saírem das grandes altitudes de África. Todos os humanos são 99.9 % idênticos, por isso, porque é os nossos olhos questionam as diferenças dos outros quando não se parecem connosco? Talvez seja devido ao conceito de subclasse que sugere que as “minorias” estão sistematicamente em desvantagem comparando com os brancos e que ao invés de se identificarem com a classe trabalhadora, cultura, comunidade e política, formam os seus próprios grupos e uma classe separada de desprivilegiados. O debate entre classe e desprivilegiados irá sempre existir enquanto os nossos olhos escolherem ver cor em vez do indivíduo. Nenhuma mente está imune desse processo de pensamento, que nos conduz para sítios onde preferíamos não ir. O que causa isso? Retire um minuto para imaginar a cara das pessoas num mundo rodeado de natureza e animais que projetam vozes sem qualquer rancor ou discriminação.

Se está realmente preparado para isso, então o caminho para o não racismo é possível. Feche os olhos e abrace o arco-íris.


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Cartoon by @stellajurgen

Colour my World. Does humanity have a color?

Looking back to January 30th, 1970 and my arrival in Toronto on a cold and snowy day, the education of my eyes began. Suddenly around me were strange body colours that I was not accustomed to and never before seen by my eyes. Imagine the fear of a strange world for which I was unprepared and mentally judging how I should view anyone who was not white. With the assumption that the white skin color was predominant race, the birthing of ignorance with which I had been indoctrinated came to be because of insemination of information in my brain, the result of a system which was designed to keep people uncultured and not to raise questions.

Fast forwarding my education and getting rid of fears and prejudices, the nescient side in me still questions if my eyes are still color blind and if the discernment of what I see is based on equal morality or still carries a hint of discrimination. Toronto is home to every ethnicity in the world and a simple question becomes: “What do we see in each other when walking down the street?” Perhaps only a quick glance at the body shape which is then transformed to suit a certain stereotype based on ethnicity may bring a certain comfort to our brain based on a superior intellectuality, but the reality is something else.

The troubling times we live in are emphasizing feelings of colour coding based on the actions of those committing offenses against society. Assumptions about the reasons for their actions never fully analyze why “those people are troublemakers”. Why not just celebrate the colour differences and integrate the concept of inclusion into our brains and live in harmony without the garbage that clouds our brains?

Unfortunately, this is not feasible because cultural differentiation almost always defeats logic. While individual races are thought to have a relatively uniform genetic quality, the old concepts of races remain. Being Africa, Asian, European, Native American and Oceanian still differentiates us. 1.2 to 1.8 million years ago, early Homo sapiens evolved dark skin. Light skin emerged after humans moved out of African higher temperatures. All humans are 99.9 per cent identical so why do our eyes look at each other questioning the difference of others because they don’t look like us? Perhaps it’s due to the concept of underclass intended to suggest that “minorities” were systematically at a disadvantage compared to their white peers and that instead of identifying with working class, culture, community, and politics formed their own groupings and a separate underprivileged class. The debate about class and underprivileged will always exist as long as our eyes choose to see colour instead of an individual. No one’s mind is totally immune from a thought process which takes us to places we would rather not go. What causes it? Take a minute to imagine people’s faces in a world within nature and animals that project voices without any rancor or discrimination.

If you are ready for that then the way to unracism is possible. Close your eyes and embrace a rainbow.

Manuel DaCosta/MS

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