Editorial

Os Dólares da Música

A música é uma forma de arte que consiste na expressão de som e silêncio, ao longo do tempo. E como expressão artística, a música é composta e executada com vários propósitos, desde o puro prazer estético, a propósitos religiosos ou cerimoniais, ou como um produto de entretenimento para comercialização.
Muitos diriam que viver sem música seria como viver num espaço vazio, sem cor.

A 18 de maio de 2019, em New Bedford, Massachusetts, o International Portuguese Music Awards irá, uma vez mais, produzir um evento onde se mostra o talento musical português vindo de todo o mundo, incluindo vários artistas do Canadá. Os prémios, tal como acontece em tantos outros concursos mundiais, são a oportunidade de, exatamente, expor talentos na esperança de impulsionar os artistas para um outro nível de criatividade e fama. Mas é isto que acontece, normalmente? Bem, na realidade isso não acontece assim com tanta frequência.

Poderíamos indicar vários motivos, mas os principais prendem-se com a falta de financiamento ou, como agora se diz, a sustentabilidade do talento. O negócio da música transformou-se numa indústria onde o verdadeiro talento nem sempre é reconhecido e muitos, pouco talentosos, são bem-sucedidos. Este é um mundo que gira muito em torno da internet, onde a norma é a exposição de música por motivos financeiros, mesmo que, muitas vezes, esses produtos sejam roubados, sem ganho para os artistas e produtores dessa música. Aparentemente, existe uma divisão consensual do bolo do dinheiro em tantas fatias que, com algumas exceções, nenhuma das partes fica a ganhar financeiramente.

Um álbum de boa qualidade pode ter um custo de produção e comercialização de $250,000, e depois apenas vender algumas cópias. Então porque é que os artistas ainda arriscam as suas poupanças, se a probabilidade de serem bem-sucedidos é baixa? Apesar de não querer entrar na cabeça dos artistas e falar por eles, talvez seja, como alguns dizem, uma questão de se considerarem “lendas nas suas próprias cabeças”. A produção de música é dispendiosa, se o que se espera do resultado final for qualidade. A comunidade luso-canadiana continua a apresentar muitos artistas que, por norma, anunciam o lançamento de álbuns, mas depois… nunca mais se ouve falar deles. O que acontece aos milhares de CD’s produzidos? Com algumas exceções, o sucesso marginal para os artistas acontece na conquista de algum retorno financeiro, estrelato e reconhecimento. A maioria trabalhará em clubes e outros eventos menores, o que é um serviço necessário, mas não os levará ao reconhecimento de talento e ao prognóstico de sucesso futuro com que sonhavam antes de embarcarem na aventura de lançar uma carreira artística, que só beneficiará os produtores que fizerem falsas promessas. Outros não o farão, porque a música que toca nas suas cabeças cobre de névoa o seu pensamento lógico.

A música é um veículo que acalma a solidão, entusiasma as nossas mentes, fala, faz-nos dançar e tem o poder de mudar o mundo como nenhuma outra coisa tem. Abraçamos os nossos gostos musicais e não nos preocupamos se mais ninguém gosta porque, quando a ouvimos, aquela música pertence-nos. A nós.

É lamentável que aqueles que, através da música, trabalham arduamente para nos garantirem o nosso sustento e equilíbrio mental não sejam recompensados por aqueles que acreditam que a música que vem da rádio ou outro media deve ser gratuita e que têm o direito de a usar como lhes apetece.


The Dollars of Music

Music is an art form consisting of sound and silence expressed through time. As an art form, music is composed and performed for many purposes, ranging from aesthetic pleasure, religions or ceremonial purposes, or as an entertainment product for the marketplace. Many would say that life without music would be like living in an empty colourless space.

On May 18, 2019, in New Bedford, Massachusetts, the International Portuguese Music Awards will once again create a venue to showcase Portuguese talent from all over the world, including several artists from Canada. The awards, like many other music contests held worldwide, are showcasing talents and hopefully propel the artists to another level of creativity and fame. But is this what normally happens? It would be suggested that it doesn’t happen very often for a number of reasons. The main ones are usually lack of money and ultimately sustainable talent. The business of music has changed into an industry where real talent is not always recognized and many without talent succeed the industry has evolved and revolves in an internet world where exposure of music for financial means is now the norm, although the products are generally stolen without any gain for the artists and producers of music. There appears to be a consensus that the money pie is divided in so many pieces that no one, with some exceptions, is gaining financially.

A good quality album can cost as much as $250,000 to produce and market and only sell a few copies, so why are artists still gambling with their life savings if the chances of success are few? Not wanting to get into artists heads, but perhaps they are or as some say, “legends in their own minds”. Production of music is expensive if quality is to be the ultimate result. The Portuguese Canadian community continues to showcase many artists where announcements to launch albums are the norm and then never to be heard from again. What happens to thousands of CDs produced? With some exceptions, marginal success for artists happens in achieving financial and recognizable stardom. Most will work at clubs and other minor events, which is a required service but will not get them to their talent and the prognosis of future success before they embark on a career, which will only benefit producers making false promises. Most won’t, because the music playing in their head clouds their logical thinking.

Music is a vehicle that soothes loneliness, excites our minds, speaks, makes us dance and changes the world like nothing else. We embrace our tastes of music and don’t care if no one else likes it because when we listen, the music belongs to us only.

It’s unfortunate that those who work hard to give us our mental sustenance through music are not rewarded by those who feel that music that comes through the radio and other media should be free and we have the right to use it as we please.

Manuel DaCosta

 

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