Editorial

O meu Valentim

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Com o Dia dos Namorados e o Dia da Família a chegar, de repente a maior parte da sociedade percebe que amor e família têm um significado especial e devem ser celebrados. A questão que se coloca é porque é que só nos lembramos de dias especiais quando o mundo do marketing nos diz? Para onde foi o conceito de família e/ou amor? Encontramos desculpas e motivos à medida que nos distanciamos cada vez mais daqueles por quem nos deveríamos preocupar. O conceito de família acabou e já não existe amor? Parece que, com o desenvolvimento do mundo, a separação física de famílias, amigos e namorados, aumentou e a sociedade tornou-se menos afetuosa e mais egocêntrica.

Vim de uma família grande, com os meus avós a terem, cada um, nove filhos, dos quais muitas crianças nasceram. Hoje, existe pouca comunicação a não ser com os meus irmãos e com a minha irmã. O que aconteceu a todos os meus tios, tias e primos? Porque é que não os conheço tão bem quanto devia? Sim, uma vez imposta a realidade da imigração, já que estão espalhados pelo mundo…, mas não comunicamos nem pelas redes sociais. A realidade é que a perda de identidade familiar conduz a um paradigma onde o teu coração finge que és mais importante e que não precisas de mais ninguém. Muitas estruturas familiares são quebradas com guerras familiares, falta de amor e de respeito, devido a situações provocadas por pensamento fraco, inveja e ganância. A perda de uma ligação familiar deve ser tratada como a perda de uma parte de nós próprios, contudo muitas vezes parece-se com o preço a pagar pela estupidez do outro e não da tua. A perda da família é um fardo pesado que nunca desaparece. As pessoas dizem que o tempo cura, mas a profundidade da lesão é tão grande que apenas a morte cura o sofrimento. Um dia, alguém disse “Eu sabia que um dia ia ser um homem desamparado, julgado por pecadores que matam tudo o que construí.”

O Dia dos Namorados tem como tema o amor e corações partidos fazem parte da vida porque alguém não cumpriu as expectativas. A tua singularidade deveria ser expressa através daquilo que dás e não necessariamente daquilo que esperas. Muitos esperam e exigem amor como uma condição para viver com o outro e daí a falsidade de campanhas para preencherem os nossos corações e mentes com mensagens carinhosas, que apenas vão durar até ao momento em que a realidade se instala.

O Dia dos Namorados e o Dia da Família apresentam oportunidades incríveis para um novo pensamento e para o recomeço. Todos os dias devem ser praticados sentimentos duradouros para com aqueles que amamos, nem que seja por uma questão de respeito. A celebração deve ser feita com o planeamento do futuro e não com o aroma temporário a flores ou o sabor de um pedaço de chocolate. Somos muito mais que isso. Aqueles que não têm coração deveriam ser ajudados, em vez de serem descartados.

O amor não é um climax orgásmico ocasional que oferece a oportunidade de confessarmos a alguém que são uma peça importante da nossa vida. Amor é respeito e todas as outras banalidades não importam.

Amor é a amizade daqueles com que te preocupas. Verdadeiros amigos são aqueles que não julgam e compreendem a complexidade dos teus pensamentos. O fingidor faz promessas que nunca são cumpridas e é mais perigoso do que o pior dos teus inimigos. Ele esgota a tua energia, e assim a tua fonte de vida.

O amor incondicional não existe, uma vez que tudo na vida tem condições, e aqueles que esperam por ele deveriam levantar o véu da obscuridade que envolve as suas vidas.

Ama para seres amado. Feliz Dia da Família e dos Namorados.

in english

By My Valentine

As we approach Family and Valentine’s Day, most of society suddenly realize that love and family has a special meaning and should be celebrated. The question becomes why we are only reminded of special days when the world of marketing says we should. Where has the concept of love and/or family goes? As we distance ourselves more and more from those, we should care for we find excuses as to reasons why. Is the concept of family finished and does love exist? It would appear that as the world evolves, spacial separation of families, friends and lovers increases, and society becomes less caring and more self-centered.

On a familial level, my background comprises a large family starting with grandparents with 9 children each from whom many children were born. Today there is little communication with anyone other than my brothers and sister. What happened to all my uncles, aunts and cousins? Why don’t I know them as I should? Yes, they are scattered throughout the world as the reality of immigration dictates but even if only by way of social media we don’t communicate. The reality is that a loss of family identity propels you to a paradigm where your heart pretends that you are most important, and you don’t need anyone else. Family wars and the absence of love and respect breaks many family structures due to situations to created by small thinking, greed and jealousies. The loss of a family connection should be treated as a loss of pieces of ourselves, but it’s often looked at as another price to pay for someone else’s stupidity, not ours. The loss of my family weighs heavily and the burden will never go away. People say that time heals but the depth of the injury is such that only death will cure the suffering. Someone once said “I knew that someday I’d be a helpless man, judged by sinners killing all that was build.”

Valentine’s Day is about love and broken hearts and are part of life because someone else didn’t meet your expectations. The uniqueness of whom you are should be expressed by giving nd not necessarily expecting. Many demand and expect love as a condition of living with another and thus the fakeness of campaigns to fill our hearts and minds with cute messages that will only last until reality sets in.

Valentine’s Day and Family Day as words present incredible opportunities for fresh thought and renewal. Lasting feelings for those we care should be practiced every day, if only as a matter of respect. The celebrations should be done by way of planning a future and not a temporary scent of a flower or the taste of a morceau of chocolate. We are much more than that. Those with no heart should be helped to see the light instead of being discarded.

Love is not an occasional orgasmic climax that provides an opportunity to suggest to someone they are an important vessel in their life. Love is respect and all other platitudes don’t really matter.

Unconditional love does not exist as everything in life has conditions and those who expect it should lift the veil of the obscurity which envelopes their lives.

Love to be loved. Happy Family and Valentine’s Day.

Manuel DaCosta/MS

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