Editorial

O dia em que a Música morreu

Quanto mais coisas vejo e quanto mais coisas sei, apercebo-me que nada sei. Sentir falta de todas as coisas ‘normais’ a que estávamos habituados, tem testado o meu conhecimento sobre mim próprio ao desafiar a forma como me sinto em relação aos outros e em relação a tudo o que rodeia a minha ‘vida’. Caminhar sozinho pelos trilhos florestais de King City, onde as folhas que costumavam ter a função de proporcionar sombra são agora pisadas pelos meus pés, obriga-me à reflexão de uma ‘sociedade existente’ que irá mudar permanentemente e irá afetar a forma como as pessoas vivem, interagem e trabalham. A criação de novos hábitos e novos comportamentos irá formar uma ‘nova sociedade’, tudo isto porque a guerra contra o inimigo silencioso continua a destruir lentamente a nossa paixão pelas coisas que eram consideradas normais.

Ainda se lembra quando viu o seu último concerto ao vivo, assistiu a uma peça de teatro ou visitou o seu museu favorito? Provavelmente não, porque a nossa preocupação com o novo normal apagou das nossas mentes os prazeres que esses eventos traziam à nossa vida. O que aconteceu aos milhares de pessoas e empresas de entretenimento que traziam tanta felicidade às nossas vidas? Como é que uma indústria de triliões de dólares simplesmente desaparece? Alguns tentam entreter os fãs a partir de casa para que as pessoas não se esqueçam que o entretenimento ainda existe.

A indústria do espetáculo incorpora 83 categorias de entretenimento que empregam milhões de pessoas, com um faturamento anual de mais de um trilião de dólares. Até agora, o Governo ainda não abordou a sobrevivência de pessoas, dos estabelecimentos dedicados a eventos e a todo o seu aparato de apoio que estão a lutar como o resto da população. As caras das maiores estrelas mundiais tornaram-se invisíveis, protegidas por fundos acumulados, contudo percebemos que não são essenciais na atual miséria viral.

Os especialistas sugerem que o regresso aos concertos ao vivo e festivais não irá acontecer antes do outono de 2021. Para a indústria sobreviver, terão de ser implementadas medidas drásticas para apoiar a continuação desta indústria como a conhecemos.

Os artistas portugueses criaram anúncios a pedir aos organizadores para em vez de cancelarem os espetáculos, apenas os adiarem. Como é que se adia um concerto quando não existe uma linha de tempo para prorrogar? As conferências, os concertos, os eventos desportivos, etc. exigem um tempo substancial de preparação para planear e implementar e a bola de cristal não nos está a esclarecer. Mesmo que várias indústrias acabem em ruína financeira devido a esta pausa, os governos não devem tentar resgatar certos aspetos da indústria baseados na monopolização e num sistema de benefício próprio, como recentemente demonstrado pelo cancelamento do programa da RTP em Portugal. Talvez todos os envolvidos na indústria entendam que a palavra ‘estrela’ apenas significa que existem graças a si e a mim.

As transformações tecnológicas e económicas criaram desafios únicos em todos os segmentos da indústria devido a um fator catalítico chave – a internet. Até 2021, estimava-se que a indústria de entretenimento e comunicação iria atingir os $2.2 triliões. Será o COVID-19 um fator de mudança negativo? Possivelmente, mas o consumo de entretenimento nunca terá fim. Don McLean cantava… ”A long time ago, I can still remember how, that music used to make me smile… bye, bye Miss American Pie… and can music save your mortal soul, the day that music died?” [Há bastante tempo atrás, ainda me lembro como, a música fazia-me sorrir… adeus, adeus Miss American Pie… e pode a música salvar a sua alma mortal, no dia em que a música morrer?]

The Day the Music Died

The more I see and the more that I know tells me that I don’t know anything at all. Missing all the “normal” things that we become accustomed to, has tested my knowledge of who I am by challenging how I feel about people and all things that surround my so-called “life”. Walking alone in the forested paths of King City where the leaves which used to provide shade are now tramped by my feet, forces reflections of an “existing society” that will be permanently changed and will affect how people live, interact and work. The creation of new habits and behaviours will be ingrained to form “a new society” all because the war of the silent enemy continues to slowly destroy our passion for things that were once considered normal.

Do you remember your last live concert, a visit to see theatre or a visit to your favourite museum? Possibly not because our preoccupation with the new normal has deleted from our minds most of the pleasure that these events brought such joy into our lives.How is it possible that a trillion dollar industry simply disappears? Some are trying to entertain fans from home – it’s a stop gap measure to prevent people from forgetting that entertainment still exists.
The business of amusement encompasses 83 categories of entertainment in an industry that employs millions of people and has annual billings over a trillion dollars. To date governments have not addressed the survival of people, venues and all its support apparatus who are struggling like the rest of the population. Faces of the biggest stars in the world have become invisible, protected by accumulated funds, but suddenly realizing that they are not very essential in the face of the current viral misery.

Pundits are suggesting that the return to live concerts and festivals won’t happen until autumn of 2021. For the industry to survive, drastic measures will have to be implemented to assist in the continuance of the industry as we know it.

Portuguese artists are running commercials asking organizers not to cancel shows but to simply postpone. How do you adjourn a concert when there is no timeline in existence to prorogue to? Conferences, concerts, sporting events, etc. require a substantial amount of time to plan and implement and the crystal ball is not speaking. As much as many in the industry will end up in financial ruin because of the hiatus, governments should not step in to salvage certain aspects of the industry which is based on a monopolized and self-serving system as recently demonstrated by the cancelled RTP show in Portugal. Perhaps all involved in the industry will realize that the world “star” only means that they exist because of you and I.

The shifting sounds of technology and economics have created unique challenges across the segments of the entertainment industry due to one key catalytic factor – the internet. By 2021 the media and entertainment industry was expected to reach $2.2 trillion. Will the COVID-19 virus be a negative game changer? Perhaps, but the consumption of entertainment will never cease. Don McLean sang… ”A long time ago, I can still remember how, that music used to make me smile… bye, bye Miss American Pie… and can music save your mortal soul, the day that music died?”

Manuel DaCosta/MS

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