Editorial

Healthcare is Painful

Most Canadians and Americans believe that the Canadian healthcare system is one of the best in the world. Politicians are always extolling how great it is and it’s part of many of the speeches made in this country. ln an era when citizens expect government services to be free, many complain that what is being provided is insufficient and inadequate. The healthcare system in this country is nearly impossible to explain but some facts are important to outline.

Canada has 15 different health care systems, which are distinct to each province and territories plus aboriginal and veteran healthcare.  ln addition, there are numerous private clinics that the government funds. Canada has extensive Medicare financing reaching $ 242 billion in 2017 or 11.5 percent of Canada’s gross domestic product for that year.

Medicare as our system is known is among the most expensive health care systems in the OCDE and ranks near the top in wait times and access to care. Canadians pay about 30% for healthcare directly or via private insurance with only 70% of costs paid for publicly.

Considering the above facts, why is the system a source of National Pride? Medicare ranks 24th in the world in overall quality of services, so should we be proud? And even if we are proud, what should we expect from our healthcare system? Perhaps we should look at ourselves and analyze if individually we can reduce the cost of the system. Canadians expect readily available services when they feel they need them. We fill emergency rooms when we have a cold or a broken nail. Personal physical oversight is ignored and we get out of shape, use drugs, get fat, smoke and drink excessively but expect miracles from doctors to make us better. Today’s life expectancy in Canada is 82 years and we expect to be treated with high quality care until the end. The demographics show that the current system is not sustainable, and you will be expected to pay more directly out of your pocket. lt is often tragic when we see a baby like Eva that needs a treatment which is not covered by Medicare. The $ 2.2M price tab in the US may seem outrageous, but drug development costs dictate the charges. No one wants a human being to die from lack of treatment or unavailability of drugs, but reality is that we will never be able to treat all and prevent deaths. There was a time in Portugal that if you were poor you didn’t matter when it carne to medicine. You had to give your best pig to another to get a consultation. Women and children died because society didn’t care as it happened to my two sisters. lt was an acceptable fact of life and people learned to live with it. There was no other choice. Choices in Canada are about prevention and control of our glutinous appetite for excesses. lf you abuse your body purposely you should be expected to finance your treatments.

As for the Eva’s of this world, we need to support with limited expectations. Becoming a parent does bring consequences that in many cases cannot be solved. That’s the reality of life and heartbreak is a condition that cannot be treated.

Wishing you the best Eva.

Os Cuidados de Saúde são dolorosos

A maioria dos americanos e canadianos acreditam que o sistema de saúde do Canadá é um dos melhores no mundo. Os políticos estão sempre a enaltecer o quão bom é e faz parte de muitos discursos feitos neste país. Numa era em que os cidadãos esperam que os serviços do governo sejam gratuitos, muitos queixam-se que aquilo que nos é providenciado é insuficiente e inadequado. É quase impossível explicar o sistema de saúde neste país, mas é importante traçar alguns factos.

O Canadá é composto por 15 sistemas de saúde distintos, que são característicos de cada província e territórios, contando com os cuidados de saúde dos aborígenes e dos veteranos. Além disso, existem inúmeras clínicas privadas com fundos governamentais. O Canadá tem um amplo financiamento do Medicare, atingindo em 2017 cerca de $242 biliões ou 11.5% do produto interno bruto do Canadá para esse ano. O Medicare, como nosso sistema de saúde, é conhecido por ser o sistema de cuidados de saúde mais dispendioso na OCDE e classifica-se no topo no que diz respeito a tempo de espera e acesso a cuidados. Os canadianos pagam cerca de 30% por cuidados de saúde diretamente ou por via de seguros privados, com apenas 70% dos custos pagos publicamente.

Considerando os factos acima mencionados, porque é que este sistema é motivo de orgulho nacional? O Medicare está classificado em 24º a nível mundial no que concerne à qualidade dos serviços em geral, porque é que haveríamos de estar orgulhosos? E mesmo que estivéssemos orgulhosos, o que deveríamos esperar do nosso sistema de saúde? Talvez devêssemos olhar para nós próprios e analisar se, individualmente, conseguiríamos reduzir o custo do sistema. Os canadianos esperam serviços prontamente disponíveis quando precisam. Enchemos as salas de emergência quando estamos com gripe ou partimos uma unha. Ignoramos a nossa supervisão física, ficamos fora de forma, usamos medicamentos, ficamos gordos, fumamos e bebemos de forma excessiva, mas esperamos que milagrosamente os médicos nos façam sentir melhor. Hoje a média de vida no Canadá é de 82 anos e esperamos ser tratados com cuidados de alta qualidade até ao fim. Os dados demográficos demonstram que o sistema atual não é sustentável e será de esperar a necessidade de pagar mais, diretamente do nosso bolso.

É frequentemente trágico quando vemos um bebé como a Eva, que necessita de um tratamento que não é coberto pelo Medicare. A tabela de preços de $2.2 milhões nos EUA pode parecer chocante, mas o custo do desenvolvimento de medicamentos dita o preço. Ninguém quer que um ser humano morra pela falta de tratamento ou a indisponibilidade de medicamentos, mas a realidade é que nunca seremos capazes de tratar todos e prevenir mortes.

Houve um tempo em Portugal, que quem fosse pobre não tinha importância no que diz respeito à medicina. Teria de dar o seu melhor porco para ter uma consulta. Assim como aconteceu às minhas duas irmãs, mulheres e crianças morriam porque a sociedade não se importava. Era um facto aceite na nossa vida e as pessoas aprenderam a viver com isso. Não havia outra escolha. As escolhas no Canadá são sobretudo de precaução e controlo do nosso apetite de excessos. Se maltrata o seu corpo propositadamente, deveria financiar os seus tratamentos.

Quanto às Evas deste mundo, temos de apoiar, mas com expectativas limitadas. Tornarmo-nos pais traz consequências que, em muitos casos, não podem ser resolvidas. Essa é a realidade da vida e o desgosto é uma condição que não pode ser tratada.

Desejo-te o melhor Eva.

Manuel DaCosta

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