Editorial

Escapadelas de verão

A edição desta semana do jornal Milénio Stadium irá discutir o ritual anual das pessoas e das suas escapadelas de verão. Escapar tem significados diferentes para as pessoas: geralmente evoca imagens de relaxamento da mente e do corpo o que, em muitos casos, é ficção. Muitas destas escapadelas não passam de desculpas para comer e beber demais, sem consideração pelas responsabilidades sociais. No ano passado, os turistas internacionais bateram o recorde no Canadá, com 20.8 milhões de viagens de uma ou mais noites. O turismo em Toronto relata um aumento considerável no número de visitas da cidade e é uma das mais visitadas no Canadá. O turismo proporciona uma recompensa económica positiva para qualquer país e muitos países, como Portugal, seriam fortemente pressionados para sobreviver economicamente sem isso.

Esta semana, mais de um milhão de pessoas visitaram a cidade de Toronto. Existiram também 14 tiroteios e 17 feridos, isto com as estatísticas de violência armada a aumentar. O aumento da violência armada parece ter uma relação direta com o número de visitantes e, assim, os aspetos positivos do turismo podem ter consequências negativas, se não forem controlados adequadamente.

As experiências pessoais, no conceito de fugir, são escolhidas de acordo com uma visão prismática da forma como vemos o mundo. Alguns simplesmente passam o tempo deitados na praia, enquanto outros preferem as experiências culturais que cada parte do mundo oferece. As viagens de grupo organizadas oferecem aquele conceito de rebanho, em que não têm de pensar por eles próprios, e isso está a fazer crescer uma nova indústria na comunidade lusófona. Outros abandonam o país por extensos períodos de tempo e viajam para o estrangeiro para contar as pedras desgastadas por outros milhões de turistas e retirar areia de ranhuras e cavidades que a maioria não sabia que existiam. Outros regressam ao seu país de origem para verificarem os desenvolvimentos, percebendo que o mesmo é lento porque é a sua cultura e o seu país, mas isso não impede os comentários negativos acerca da ineficiência da forma como as pessoas vivem. É o país deles, estúpido!

A nível pessoal, as minhas escapadelas são preenchidas com a filosofia de que o tempo deve ser passado a aceitar o positivo e o negativo de cada região que visitamos. As regiões devem ser variadas para que, no nosso tempo de vida, experienciemos a terra que Deus criou e assim expandir a nossa capacidade de compreender e aceitar o que os outros vêm e sentem. O John Denver falou por mim quando cantou “Country roads take me home to a place I belong with roads dark and dusty, painted on the sky and misty taste of moonshine with a tear drop in my eye.”
Onde quer que as estradas do país me levem sentir-me-ei em casa e, quando lá chegar, terei o sentimento de que já lá deveria ter estado ontem.

As escapadelas devem ser um momento de reflexão e renovação, quer seja no gelo da Patagónia, a escalar uma montanha em África ou a caminhar para visitar Santiago, ao seguir os seus passos, num dos seus caminhos. Os efeitos espirituais destas escapadelas devem garantir força até à próxima estrada rural.

Aproveite Toronto, as suas escapadelas e caminhos. Existem muitas áreas capazes de preencher o seu espírito com paz e tranquilidade. Abra a sua mente e aceite a cidade que muitos vêm aproveitar.

Se pudesse guardar tempo numa garrafa para todas as minhas memórias de todos os locais, para depois abrir e aproveitar… Mas nunca parece haver tempo suficiente para fazer as coisas que queríamos fazer.

Respire o ar hoje porque nada dura para sempre, além da terra e do céu. Todo o dinheiro não consegue comprar mais um minuto.

Manuel DaCosta

Cartoon: Stella Jurgen

This week’s Milenio Stadium is discussing the annual ritual of people and summer getaways. Escaping supposedly means different things to people and generally conjures up visions of relaxation of mind and body, which in many instances is fiction. Many of these getaways are nothing more than excuses to overeat and drink without consideration for social responsibility. International tourism set an annual record last year in Canada with 20.8 million trips of one or more nights. Tourism Toronto reports considerable increase in the number of visits to the city and is the most visited city in Canada. Tourism provides positive economic rewards for any country and many countries, such as Portugal, would be hard pressed to survive economically without it.

This week there were over one million visitors to the City of Toronto. There were also 14 shootings and 17 injured and gun violence statistics continue to grow. The increases in gun violence appear to have a direct relation to the number of visitors, therefore the positive aspect of tourism can have negative consequences if not properly controlled.

Individual experiences on the concept of getting away are chosen in accordance with the prismatic view of how we see the world. Some merely lie on the beach while others want to experience the cultural experiences that each area of the world offers. Organized tour offer trips to those who prefer the sheep herding effect of not having to think for themselves and is a growing industry in the lusophone community. Others abandon the country for extended periods of time and travel abroad to count the cobblestones worn out by millions of others and to remove sand from cracks and crevices that most didn’t know existed. Others return to their countries of origin to assess how it has developed, realizing that development is slow because it’s their culture and their country, but it doesn’t prevent the negative comments about the inefficiencies of how people live. It’s their country, stupid!

On a personal level, my getaway is fulfilled with a philosophy that time should be spent embracing the positives and the negatives of any region we visit. The regions should be varied so that in a lifetime we experience the earth that God has created, and this expand our ability to understand and embrace what others see and feel. John Denver spoke for me when he sang “Country roads take me home to a place I belong with roads dark and dusty, painted on the sky and misty taste of moonshine with a teardrop in my eye.”

Wherever the country road takes me will be home and when I get there, I have a feeling that I should have been there yesterday.

Getaways should be time of reflection and renewal whether it’s in the ice fields of Patagonia, climbing a mountain in Africa or walking to visit Santiago by following his footsteps on one of his caminos. The spiritual effects of these getaways should provide strength until the next country road.

Enjoy your Toronto and its getaways and pathways. There are many areas to fulfill your spirit with peace and tranquility. Open your mind and embrace the city that many come to enjoy. If I could have saved time in a bottle for all my memories of the places there to open and enjoy but there never seems to be enough time to do the things you want to do.

Breathe the air today because nothing lasts forever but the earth and the sky. All the money won’t buy another minute.

Manuel DaCosta


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