Editorial

Deixem-me Respirar

O mundo vai girando, Covid-19 continua a ser a palavra mais mencionada e milhões de especialistas de todo o mundo discutem sobre a epidemiologia. Atualmente, existem cerca de 7 milhões de casos de Covid-19 a nível mundial, 410 mil mortos. Porém, apesar destes números, a preocupação global é o racismo e discriminação. A forma desprezível como George Floyd morreu encaminhou o mundo numa direção que muitos não esperavam.

As palavras racismo, intolerância, discriminação, anarquistas, criminosos, políticos, manifestações e oportunistas tornaram-se parte do vocabulário universal. E porquê? O mundo é tão racista que o caldeirão a ferver transbordou, de repente, porque estamos tão cegos que nem nos apercebemos disso? Somos todos racistas que vivem num estado de negação para não terem sentimento de culpa? Embora a presente discussão gire em torno do racismo com a raça negra, qual é a cor da intolerância? A teorização do racismo baseia-se na crença de que todos os membros de cada raça possuem características e habilidades específicas que os classificam como sendo inferiores ou superiores a outra raça ou raças. Se virássemos a questão, o que está acima mencionado poderia impulsionar a celebração de quem somos, diferentes como somos.

É inacreditável que o mundo ainda esteja a lutar contra a epidemia racista quando já foi feito tanto progresso noutros aspetos do desenvolvimento da humanidade.

Será possível que não estejamos a ouvir e a olhar para os sinais dentro de nós próprios e a ponderar o significado desses sinais? A sociedade não tem sido equilibrada e justa para muitos dos seus segmentos, permitindo que o racismo e discriminação perpetuem na vida das pessoas. Hoje, as mensagens são recebidas por fontes de notícias e as redes sociais, influenciadas por verdades convenientes, permitem que políticos e organizações moldem a mensagem para obterem o máximo de impacto. Os jovens manifestantes negros e brancos, influenciados pelos anarquistas, estão a queimar a destruir em nome da fúria pela existência de racismo. Muitos dos manifestantes são privilegiados e a sua manifestação de raiva advém da falta de conhecimento histórico. A mudança surte efeito através da manifestação honesta dos nossos sentimentos e ideais, e não por se partir uma janela.

No meio disto, a questão da parentalidade continua a ser um tópico que merece discussão. A sociedade não pode ser culpada pela falta de orientação dos nossos filhos nos seus anos de formação. Tal como outras crianças, eu nasci puro de pensamento. Aos seis anos já me tinham incutido que deveria temer os ciganos porque eram más pessoas. Embora não tenha inclinações racistas, foi-me ditada a ideia de que os ciganos eram maldosos. É isto que acontece à maioria de nós, quando nascemos e crescemos? A resposta não é simples e serão poucos os que expõem os pensamentos de como se sentem em relação aos outros. A sociedade deve igualdade àqueles que foram inferiorizados pela doença do racismo, mas a responsabilidade pessoal tem de fazer parte deste processo para vivermos juntos em harmonia. O vento soprou as cinzas e expôs a abominação de um problema que se tem prolongado durante séculos. Apesar do fogo ter sido apagado, e terem pagado a fiança aos bandidos privilegiados, temos de ser proativos e vigilantes. Depois de conduzirmos um exame a nós próprios, as questões podem ser enfrentadas e resolvidas. Irá ser necessário coragem e perseverança, mas pode ser feito.

Alguém disse que no Canadá temos racismo com um sorriso. Independentemente do seu tom de pele, através de um protesto pacífico, alcançaremos a mudança.

Aproveite o bom tempo da primavera e abrace todas as cores das novas flores. Independentemente do seu tom, continuam a sorrir.


in english

Let Me Breathe

As the world turns, Covid-19 continues to be the word everyone uses and millions of experts around the world discuss epidemiology as a matter of fact.  As of today, there are about 7M cases of Covid-19 worldwide, and 410K dead, but despite these numbers, the global concern is racism and discrimination.  The despicable murder of George Floyd has propelled the world in a direction which most didn’t expect.

The words racism, intolerance, discrimination, anarchists, criminals, politicians, demonstrations and opportunists have become part of an universal vocabulary.  And why?  Is the world so racist that the boiling cauldron suddenly overflowed because we are so blind that we weren’t aware of it?  Are we all closet racists that live in a state of deniability so not to feel a sense of guilt?  Although the current discussion revolves around black racism, what is the colour of bigotry?  The belief that all members of each race possess characteristics or abilities specific to a race which distinguishes it as inferior or superior to another race or races theorizes racism.  If we turned it around, the above could have provided an impetus to celebrate who we are, different as we are.

It’s unbelievable that the world is still fighting the racism epidemic when so much progress has been made in all other aspects in the development of humankind.

Is it possible that we are not listening and looking for the signs within ourselves and what those signs are?  Society has not been balanced and fair to many segments of society allowing racism and discrimination to permeate most people’s lives.  Today’s messaging is being received from news sources and social media influenced by convenient truths allowing politicians and fringe organizations to shape the message for maximum impact.  Young blacks and white demonstrators influenced by anarchists are burning and destroying in the name of rage for the existence of racism.  Many of the demonstrators are privileged and their manifestation of rage come from a lack of knowledge of history.  Change is effected by honest manifestation of our feeling and ideals, not by breaking a window.  In the middle of this, the question of parenting continues to be a topic that merits discussion.  Society cannot be blamed by the absence and guidance of our children in their formative years.  Like all other children, I was born pure of thought.  By age of 6 I had been indoctrinated that I should be afraid of gypsies because they were bad people.  Although I have no racist inclinations, gypsies were embedded in my brain as being evil.  Is this what happens to most of us as we are born and grow?  The answer is not simple and very few will expose their inner thoughts on how they feel about others.  Society owes balance to those who have been diminished by the ills of racism, but personal responsibility has to be part of the process if we are to live together in harmony.  The wind has blown away the ashes and exposed the ugliness of a problem which has existed for centuries.  While the fires have been put out, and privileged thugs are being bailed out of jail, we have to be proactive and vigilant.   By conducting a thorough examination of ourselves, the issues can be confronted and resolved.  It will take courage and perseverance but it can be done.

Someone said that in Canada we have racism with a smile.  Regardless of which shade you are, by protesting peacefully, change will come.

Enjoy the Spring warm air and embrace the colours of the new flowers.  Regardless of their shade they keep smiling.

Manuel DaCosta/MS

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