Editorial

Celebre o Passado

Celebrate the Past

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Cartoon by @stellajurgen

Editorial

13 de setembro é o dia em que os avós são celebrados e, no Milénio Stadium desta semana, vamos homenagear os avós. Os colaboradores deste jornal irão engrandecer e elogiar aqueles que na sua maioria são a única ligação aos antepassados da sua família, através de memórias acerca dos seus avós.

O Dia dos Avós serve para homenagear e reconhecer o contributo dos avós nas nossas vidas. A sociedade e as suas ligações familiares providenciam uma visão importante do passado, assim como dos valores, crenças e ideais que hoje estimamos.

O Dia Nacional dos Avós foi fundado por Jacob Reingold e por Mariam McQuade em 1973, em West Virginia e em 1978 foi assinado o decreto que oficializava esse dia. O Presidente Carter disse, “Os mais idosos de cada família, têm a responsabilidade de estipular o tom moral para a família e transmitir os valores tradicionais aos seus filhos e netos”. Eventualmente, outros países adotaram também este dia para os honrar.

Ao ler a frase de Carter, instala-se na minha mente um sentimento de emoções discordantes, gerando um conflito mental que eu gostaria que mostrasse mais empatia pelo meu passado. Revendo quem eu sou e depois tornar-me num avô deixa-me em aflição, mas com um sentimento esperançoso no que o futuro ainda pode oferecer. É com certeza que, para muitos, ser avô ou pensar num que já faleceu proporciona alegria pelas memórias afetuosas do passado. Não procuro empatia na minha história, pois somos aquilo que fazemos da nossa vida. Tornar-me a fruta das sementes que os meus avós plantaram não foi sempre uma experiência inspiradora, mesmo que exista um sentimento de orgulho na família de onde vim. Estou zangado pela perda de oportunidades de abraçar os meus netos. A vida ensina ignorância a muitos que acreditam ser justificável fazer do amor refém para o utilizar como princípio de raciocínio. A tristeza de não abraçar os meus netos pode ser substituída pela esperança e satisfação que tenho ao ver que são boas pessoas.

O livro Avós, Raízes e Nós será apresentado na Casa do Alentejo no domingo, 13 de setembro de 2020, às 15h. Uma colaboração de Aida Batista, Ilda Januário e Manuela Marujo que carinhosamente agregaram histórias de várias pessoas com memórias para partilhar. Quando o livro estava a ser concebido, a minha amiga Aida Batista pediu-me que escrevesse uma história acerca dos meus avós. Este pedido criou uma luta interna que me fez examinar cada aspeto da minha vida, o que continuo a fazer ainda hoje.

Emoções conflituosas e o avaliamento de memórias resultaram na decisão de não escrever a história, pois o trabalho, ainda a decorrer, para decifrar a aceitação da minha história requer ainda mais trabalho para perceber quem “eu sou”.

Não são muitas as memórias que tenho dos meus avós e das suas dificuldades. O infortúnio de ser pobre, com muitas crianças, numa época de imbecilidade política, criava uma atmosfera onde o amor não era a prioridade.

O principal foco era a sobrevivência e assim vejo os meus avós através de olhos ensombrados pelas areias das dunas da praia de Castelo do Neiva. A areia está a ser removida lentamente, grão a grão, mas a aceitação levará tempo.

A flor oficial dos avós é a flor “forget-me-not”. Nunca irei esquecer os meus e irei honrar o seu legado, pétala por pétala, até ao momento de aceitação total.

Honre os seus.


in english

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Cartoon by @stellajurgen

Celebrate the Past

September 13th is the day that grandparents are celebrated and, in this week’s Milénio Stadium, we honor grandparents. Contributors to this newspaper dignify and praise those who for the most part are the only connection to their family’s background by writing personal memories about their grandparents.

Grandparents Day serves to pay tribute and recognize the contributions of grandparents in our lives. Society and its family ties provide an important view of the past and about the values, beliefs and ideals we treasure today.

National Grandparents Day was founded by Jacob Reingold and Mariam McQuade in 1973 in West Virginia and in 1978 a bill was signed officializing the day. President Carter said, “The elders of each family have the responsibility for setting the moral tone for the family and for passing the traditional values to their children and grandchildren”. Eventually other countries adopted this day to honor them.

In reading Carter’s phrase, a sense of conflicting emotions permeated my mind creating mental strife which I wish engaged more empathy for my past. Looking back at who I am and then becoming a grandparent, leaves my being in affliction but with a fervor of what the future may still offer. It is with certainty that for most, being a grandparent or thinking of one who may have passed away provides joy in the current sense or warm memories of the past. There is no empathy being sought by my story as we are what we make of our lives. Becoming the fruit of the seeds that my grandparents planted has not always been an inspirational experience even if there is a sense of pride about the family I came from. I’m angry about the loss of opportunity to embrace my grandchildren. Life teaches ignorance to many who may feel that making love a hostage to be used for principled reasoning can be justified. The sadness of not embracing my grandchildren can be substituted by hope and the satisfaction that they are good people.

Avós, Raízes e Nós is a book to be presented at Casa do Alentejo on Sunday September 13th, 2020 @ 3:00pm. It’s a collaboration of Aida Batista, Ilda Januário and Manuela Marujo who have lovingly stitched together stories of several individuals with memories to share. When the book was being conceived, my friend Aida Batista asked if I would write a story about my grandparents. This request created an internal struggle that made me examine every aspect of my life, which is still on-going today.

Conflicting emotions and assaying memories resulted in a decision not to write the story as the work in progress to decipher the acceptance of my history requires more work to understand why “I am”.

The hardships of my grandparents and the memories I have are not many. The misfortune of being poor, with too many children at a time of political goonery created an atmosphere where love was not a priority.

Survival was the main endeavor and thus I see my grandparents through eyes being shaded by the blowing sand of the beach sand dunes in Castelo do Neiva. The sand is slowly being removed grain by grain, but acceptance will take some time.

The official flower of the grandparents is “forget-me-not”. I will never forget mine and will honor their legacy petal by petal until full embrace.

Honor yours.

Manuel DaCosta

 

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