Editorial

Afinal, a cultura é de quem?

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Afinal, a cultura é de quem?-canada-mileniostadium
Cartoon by @stellajurgen

 

A Covid-19 atingiu um marco inimaginável ao matar um milhão de pessoas. Enquanto que o número representa um milhão de mortes a mais, deve ser conduzida uma avaliação dos danos causados pela pandemia para conseguirmos realmente avaliar a natureza perturbadora deste vírus. O transtorno nas nossas vidas e os ajustamentos que fomos obrigados a adotar para lidarmos com circunstâncias que nos foram impostas e que agitam as fundações da nossa saúde mental.

Embora possivelmente este não seja o aspeto mais relevante da realidade atual, a cultura e a sua essência parecem ter desaparecido completamente e ninguém parece disposto a defendê-la ou a promovê-la. Afinal, o que é a cultura? São os costumes, as artes, as instituições sociais e as conquistas de uma nação em particular, são as pessoas ou um grupo social. Esta semana, no Milénio Stadium, será feita uma tentativa de avaliar a aura que formula a cultura na mente de cada pessoa e o significado intrínseco de como vemos e praticamos a própria cultura. Sendo assim, qual a importância de discutir a cultura portuguesa no Canadá e o porquê de este ser um debate importante?

A cultura lusófona cultura tem sido um tópico de discussão desde a nossa chegada em 1953 e, em alguns aspetos, até a causa do progresso desinteressado do português no Canadá. Tem existido uma abordagem apática da integração no país que adotámos, ao trocarmos uma possível assimilação por uma visão tubular da sociedade que faz até um cavalo vestido parecer um génio. A cultura é um lindo fato de folclore ou são as sardinhas grelhadas? E quem foi/é responsável pelo estado da cultura portuguesa no Canadá? O emburrecimento do nosso possível progresso começou a partir do dia em que P.E. Trudeau sugeriu às etnicidades que abraçassem a cultura do país de onde vinham e a praticassem neste novo país.

Ao longo dos anos, as atitudes apáticas da representação portuguesa no que concerne às representações culturais e o encorajamento da educação neste país é em grande parte responsável pelo atual estado da comunidade. A fraca liderança dos egomaníacos que só se querem servir a si próprios, a liderar Clubes e Associações, encorajou a divisão através da descentralização e da criação de áreas regionais separadas. Os líderes da Educação que deveriam ter as suas vozes ouvidas, continuam em silêncio e só aparecem se for absolutamente necessário. O ensino não significa apenas a propagação de conhecimento a indivíduos, mas também a uma comunidade. Que desperdício de inteligência. Na visão do atual estado da nossa cultura, quem irá liderar a missão de salvamento, promoção e defesa? É obvio que não poderemos contar com o Governo atual, com os intelectuais ou líderes comunitários para avançarem devido aos impedimentos acima mencionados.

Existem muitas pessoas e organizações que trabalham arduamente sob circunstâncias difíceis para continuar a sua perceção de valorização cultural. Devem ser aplaudidos e ajudados, mas o sustento destas pessoas e instituições deve girar em torno de áreas de cooperação mútua para o bem maior de uma comunidade. Uma instituição centralizada que represente a totalidade de Portugal, usada para promover programas financeiros estáveis e credíveis seria uma grande ajuda para proteger a nossa cultura. Os corajosos e os cobardes deveriam juntar-se para criar uma visão que é boa para todos, ao invés de olharem para baixo para verem quem tem a ferramenta maior.

Se todos tentassem entender e praticar verdadeiramente a cultura, você estaria a expressar, na sua própria natureza, um modo de vida e pensamento baseado em valores, numa comunidade melhor, em conhecimento e histórias, na linguagem, nas tradições e rituais, na arte, na gastronomia e na bebida. Estes seriam o seu conjunto de valores que são distintos para si e apenas para si. Como na gastronomia, as nossas crenças devem refletir a moralidade necessária para defender e praticar os fundamentos da cultura que o tornam num indivíduo.

A cultura é a raiz base de qualquer comunidade que nos ensina a pensar pela nação inteira, e não individualmente. A cultura dá-nos o conceito de família e de nação. Vamos defendê-la porque uma erosão lenta diminui a sua importância e depois desaparece…


Editorial – in English

Afinal, a cultura é de quem?-canada-mileniostadium
Cartoon by @stellajurgen

Whose Culture is it anyway?

Covid-19 has now reached an unimaginable milestone by killing one million people. While the number of dead is one million too many, an assessment of the peripheral damage caused by the pandemic has to be conducted to truly appreciate the disruptive nature of this virus. The disruption to our daily lives, which forces adjustments to deal with circumstances imposed shakes our mental foundations.

While possibly not the most important aspect of the current reality, culture and its essence appears to have completely disappeared and no one seems willing to defend it or promote it. What is culture anyway? It’s the customs, arts, social institutions and achievements of a particular nation, people, or other social group. In this week’s Milenio Stadium, an attempt will be made to assess the aura which formulates culture in each person’s mind and the intrinsic meaning on how we view and practice culture. So why discuss Portuguese culture within Canada and why is it an important debatable conversation?

Lusophone culture has been a topic of discussion since our arrival in 1953 and in some aspects the cause of lackadaisical progress of Portuguese in Canada. There has been an apathetic approach to integration in the country we adopted by trading potential assimilation for a tubular view of society which has made a dressed horse look like a genius. Is culture a beautiful folklore costume or barbequed sardines? And who is/ has been responsible for the state of Portuguese culture in Canada? From the day that P.E. Trudeau suggested to ethnicities that the culture of the country they came from should be embraced and practiced in this new country, the dumbing down of our potential progress began.

The apathetic attitudes of Portuguese representation over the years towards cultural representations and encouragement of education in this country has played a large part on the current status of the community. Poor leadership by some self-serving egomaniacs leading Clubs and Associations, encouraged division by decentralizing and creating separation by regional areas.  Education leaders who should have had their voices heard continue to be silent and only appear if it’s absolutely necessary. Teaching doesn’t signify propagation of knowledge to individuals but also to a community. What a waste of intelligence. This, in view of the current status of our culture, who will lead the charge to save, promote, and defend it? It’s obvious that we cannot count on current governmental, intellectual or community leaders to move it forward due to the impediments previously outlined. A new vision is required and pointed discussions will play an important role in the cultural future of Lusophony in this country.

There are many people and organizations who work hard under difficult circumstances to carry on their perception of cultural enhancement. They should all be applauded and assisted but the sustenance of these people and institutions should be to pivot into areas of mutual co-operation for the greater good of a community. A centralized institution that represents all of Portugal used to promote credible and financially stable programs will go a long way to protect our culture. The courageous and the cowards should get together to create a vision which is good for all instead of looking down to check who’s got the biggest tools.

If all would try to understand and actually practice culture, you would be expressing in your own nature a way of life and thinking based on values, greater community, knowledge and stories, language, traditions and rituals, arts, food and drink. These would be your own set of values that are distinct to you and you only. Like food, our beliefs should reflect the morality needed to defend and practice the cultural fundamentals which make you an individual.

Culture is the basic root of any community which teaches us to think for the whole nation, not individually. Culture gives the concept of family and nation. Let’s defend it because slow erosion decreases the importance and then it’s gone…

Manuel DaCosta

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