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A política das vacinas

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A política das vacinas-canada-mileniostadium
Cartoon by Stella Jurgen

 

Com o comboio das vacinas para a Covid-19 a entrar em andamento, a sociedade parece respirar fundo de alívio na esperança de que o mundo talvez possa voltar ao normal. Tendo em conta a incerteza na distribuição e na logística da vacinação, será este alívio garantido?

O Canadá disponibilizou o exército para aquela que está a ser nomeada como a maior batalha desde a Segunda Guerra Mundial. Essa é uma reivindicação séria, considerando o planeamento e implementação necessários para derrotar os nazis. Poderá estar em jogo alguma postura política, mas o envolvimento dos soldados na distribuição da vacina cria algum conforto psicológico para as pessoas, pois transmite a impressão de que a população está a ser protegida. A conclusão a que chegamos é que enquanto os braços não forem picados com uma agulha e a vacina surta efeito, não existirá alívio no medo da população.

Na terça-feira (8), Margaret Keenan tornou-se a primeira pessoa, a nível mundial, a receber a primeira dose da vacina aprovada o que é motivo de grande celebração ao acender a luz ao fim do túnel. A Pfizer, que criou o seu legado com a criação do comprimido azul, agora precisa de congelar vacinas a -78C – que mudança na temperatura. Estes são os primeiros na corrida, com outros a seguirem atrás para conseguirem providenciar as tão esperadas vacinas. A força política e económica ditará quem as consegue primeiro e assim, individualmente, os países terão de decidir quem terá prioridade na vacinação.

O Canadá anunciou que em dezembro receberá 200,000 doses, mas teremos de presumir que o abastecimento para o país inteiro poderá demorar até um ano para que a distribuição e vacinação cheguem a todos os cidadãos. No que diz respeito a quem deveria ser vacinado primeiro, apesar de as declarações terem sido vagas, parece ser consensual que os primeiros deveriam ser os lares de idosos, instalações com doentes crónicos e de cuidados continuados, seguidos dos canadianos com mais de 80 anos. A decisão da distribuição demográfica pode ser um julgamento entre a vida e a morte, mas a realidade é que precisamos de obter mais quantidades para conter a praga que tem vindo a afetar o mundo. A promessa da vacinação de 1% até ao final de 2020 não é nada mais do que um meio de apaziguar as mentes perturbadas dos canadianos.

As vacinas providenciam a imunidade para a doença. O que não garante é a proteção contra a insensatez daqueles que escolhem desobedecer às regras e ignorar as recomendações médicas. Os anti-vacinas e outros que se recusam a ser vacinados não deveriam ter a proteção do nosso sistema de saúde. A sua insanidade colocará em perigo o curso que está a ser construído por aqueles que escolhem proteger a sociedade e, assim sendo, não merecem a proteção oferecida por aqueles que sacrificam as suas vidas e os seus bens financeiros para criar a imunização do mundo perante a Covid.

Por muito que não estejamos “todos juntos nisto”, a decisão acertada é, pelo menos, assumir alguma da responsabilidade pelo bem-estar do mundo em que vivemos.

Ao fim de 10 meses, a imprudência não pode continuar a ser tolerada como desculpa. As vacinas estão a chegar. Irá demorar até que todos sejam vacinados, mas quando o comboio chegar à sua estacão, apanhe-o. Neste comboio não há espaço para idiotas.

Fique bem.


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Cartoon by Stella Jurgen

 

The Politics of Vaccines

As the Covid-19 vaccine train starts rolling, society appears to have taken a deep breath of relief that the world may finally be getting back to normal. Is this alleviation warranted given the fact of the uncertainty in delivery of vaccinations and the logistics to carry out inoculations?

Canada has engaged army generals to carry out what is being called the most complex population engagement since World War Two. That’s quite a claim given the planning and implementation it took to defeat the Nazis. Some political posturing may be at play, but the engagement of soldiers to carry out the distribution of the vaccine creates more psychological comfort to people as it creates an impression that populations are being protected. The bottom line remains that until arms are pricked with a needle and the vaccine takes effect, there will not be an alleviation of fear in the population.

On Tuesday (8), Margaret Keenan became the first person in the world to receive the first approved vaccine dose which is cause of great celebration as it ignites a light at the end of the tunnel. Pfizer who made a name creating heat with a blue pill, now needs to freeze vaccines to -78ºC, what a change in temperature. They are first of the mark with others following behind in the race to provide much requested vaccines. Economics and political strength will dictate who gets it first and therefore individual countries will have to decide who should have priority to be vaccinated.

Canada has announced that we are getting 200,000 doses in December, but we have to assume that the supply for the entire country may take as long as a year to distribute and inoculate all its citizens. Although statements have been vague about who should be vaccinated first, the consensus appears to be that retirement homes, chronic care and long-term facilities should be the first, followed by Canadians over 80. Deciding on the demography of distribution can be a life and death judgement but the bottom line is that we need to obtain more quantities to contain the continues plague affecting the world. A 1% promise of vaccination by the end of 2020 is nothing more than a means of pacifying the troubled minds of Canadians.

Vaccines provide immunity to a disease. What it doesn’t provide is protection against the absurdity of those who choose to flaunt the rules and ignore medical recommendations. Anti-vaccers and others who refuse to be vaccinated should not have the protection of our medical system. Their insanity will endanger the course being carved by those who choose to protect society and therefore do not deserve the protection afforded to those who sacrifice their lives and financial assets to immunize the world of Covid.

As much as we are not “all in this together”, the right thing to do is to at least assume some responsibility for the well-being of the world we live in.

Imprudence can no longer be tolerated as an excuse after 10 months. Vaccines are coming. It will take time to get everyone inoculated, but when the train arrives at your station, take it. There is no room in the train for fools.

Be well.

Manuel DaCosta/MS

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