Desporto

Portugal “esticou o pescoço” e alcançou o inédito ouro no futsal

Um golo de Bruno Coelho a 55 segundos do final de um prolongamento “dramático” permitiu à seleção portuguesa de futsal sagrar-se campeã europeia pela primeira vez ao bater a Espanha por 3-2.
“Estamos preparados para terminar esses segundos finais dos 100 metros, com o pescoço esticado, para sermos os primeiros a cortar a meta”, foi a frase proferida pelo selecionador Jorge Braz, após a meia-final com a Rússia, e que acabou por se tornar uma realidade, numa final em que Portugal se viu privado de Ricardinho na segunda parte do prolongamento, devido a lesão, trazendo à memória a final do Euro 2016 de futebol, em França.
O melhor jogador do mundo inaugurou o marcador no primeiro minuto mas Marc Toldrà (18.54 minutos) e Lin (31.36) operaram a reviravolta para os heptacampeões europeus, que seria anulada, a um minuto do final do tempo regulamentar, por Bruno Coelho (38.18).
O jogador do Benfica, que se tinha magoado na primeira parte, deixando mesmo a ideia de que não teria condições para regressar à quadra, voltou a tempo de ser a figura do jogo, marcando mesmo o tento do triunfo aos 49.05, num livre direto a castigar a sexta falta da seleção espanhola.
A decisão na Arena Stozice não poderia ter começado melhor para as cores lusas, já que, logo no primeiro minuto, Ricardinho recuperou a bola a Miguelín em zona frontal à baliza e bateu Paco Sedano, colocando Portugal na frente do marcador.
O tento madrugador “abanou” a seleção espanhola durante alguns momentos e Bruno Coelho esteve perto de aumentar a vantagem, tendo ficado a centímetros dos festejos, depois de nova recuperação na defensiva adversária.
Aos poucos, os heptacampeões tomaram conta do jogo – tendo para isso contribuído a saída de Bruno Coelho, por lesão – embora culminando os ataques com remates sem perigo de maior para André Sousa. Ainda assim, a seleção lusa exibia-se em grande plano defensivo, com muita agressividade, entreajuda e enorme vontade colocada em cada lance que disputava. A quatro minutos do intervalo, Portugal cometeu a quinta falta e teve de suster o ímpeto que estava a colocar nas disputas de bola, acabando mesmo por sofrer a igualdade a um minuto do descanso: Marc Toldrà combinou com Lin e finalizou com um pequeno toque à saída de André Sousa.
De resto, o guarda-redes do Sporting foi crucial após o reatamento, opondo-se aos remates de Miguelín, logo nos primeiros segundos, e Joselito. Por outro lado, André Coelho e Ricardinho deram o mote para Portugal e, em poucos minutos, Paco Sedano viu o poste evitar o golo luso, antes de defender um remate à “queima” de Pedro Cary. Uma falta “necessária” de Nilson, a travar Joselito em zona de finalização, proporcionou à Espanha um livre perigoso, do qual surgiu a reviravolta: Miguelín ameaçou que ia rematar mas colocou no segundo poste, onde estava Lin completamente sozinho para fazer o golo.
O mesmo Miguelín viria a acertar na barra da baliza lusa, na marcação de outro livre, e, com a desvantagem a manter-se, Jorge Braz arriscou o 5×4 nos últimos três minutos e não poderia ter sido mais bem sucedido, dado que Bruno Coelho repôs o empate, a um minuto do final e levou o jogo para prolongamento.
Nos dez minutos adicionais, André Sousa foi testado por Ortiz e Miguelín, e ainda viu Bebe acertar no poste, mas o grande revés surgiu quando Ricardinho teve de abandonar a quadra, devido a lesão, deixando Portugal “órfão” da sua principal figura nos últimos instantes do prolongamento.
À memória dos portugueses veio certamente o dia dez de julho de 2016, quando a seleção de futebol conquistou o Europeu, depois de perder Cristiano Ronaldo, também por lesão. De facto, qualquer semelhança com a final do Euro2016 foi pura coincidência e, a 55 segundos do final do prolongamento, com Ricardinho a ver o jogo do banco, Bruno Coelho converteu com precisão um livre direto e só não ofereceu logo o título europeu a Portugal porque, a 13 segundos do epílogo, André Sousa se “agigantou” entre os postes e segurou a vitória Lusa.
Jogo realizado na Arena Stozice, em Liubliana. Portugal – Espanha, 3-2 (após prolongamento).
Resultados: ao intervalo: 1-1; final do tempo regulamentar: 2-2; final da primeira parte do prolongamento: 2-2.
Marcadores:
1-0, Ricardinho, 0.59 minutos.
1-1, Marc Toldrà, 18.54.
1-2, Lin, 31.36.
2-2, Bruno Coelho, 38.18.
3-2, Bruno Coelho, 49.05.
Sob arbitragem de Ondrej Cerny (República Checa) e Sasa Tomic (Croácia), as equipas alinharam:
– Portugal: André Sousa, Pedro Cary, Bruno Coelho, João Matos e Ricardinho. Jogaram ainda: Fábio Cecílio, André Coelho, Pany Varela, Tiago Brito, Nilson e Tunha.
Selecionador: Jorge Braz.
– Espanha: Paco Sedano, Ortiz, Pola, Miguelín e Alex. Jogaram ainda: Lin, Rafa Usin, Joselito, Bebe, Solano, Marc Tolrà e Adolfo.
Selecionador: Venancio López.
Ação disciplinar: cartão amarelo para Nilson (32) e Rafa Usín (47).
Assistência: 10.352 espetadores.

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