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Os sonhos podem mesmo tornar-se realidade!

Foram precisas 24 temporadas, 1920 jogos na fase regular, 18 séries e 99 partidas de playoffs para que o sonho de tantos canadianos e residentes no país se tornasse realidade – os Toronto Raptors estão, pela primeira vez, na final da NBA. Uma vitória que vem matar a sede de triunfos em Toronto – no basebol, os Blue Jays não vencem uma World Series desde 1993 e os Maple Leafs não vencem a Stanley Cup do hóquei desde 1967.

A festa aconteceu depois de, no centésimo jogo da pré-temporada, no passado dia 25 de maio, a equipa ter vencido os Milwaukee Bucks por 100-94. Apesar de terem saído derrotados dos dois primeiros encontros perante aquela que foi considerada a melhor equipa da fase regular, o grupo canadiano alcançou quatro vitórias consecutivas, fechando a série em 4-2 e conquistando, assim, o título da conferência leste. Os Bucks tiveram um bom desempenho, sobretudo no primeiro tempo da partida, onde lideraram no marcador. Apesar disso, foram os Raptors quem mostrou mais coesão e equilíbrio. A final da NBA irá assim, pela primeira vez, para fora dos Estados Unidos.

Mas, afinal, porquê Raptors?

Apesar de, normalmente, os nomes das equipas se relacionarem com algum símbolo ou característica da sua cidade de origem, o conjunto de Toronto decidiu seguir um caminho diferente.
Foi em 1994, ano de criação da equipa, que um programa de televisão canadiano desafiou a população a enviar as suas sugestões em relação ao que seria o nome mais indicado para a equipa da cidade. Entre mais de 2000 opiniões – entre as quais Beavers, Bobcats, Grizzlies, Scorpions, Tarantulas e Terriers – foi mesmo o nome de dinossauro, Raptor, que acabou por levar a melhor! A culpa foi do filme Jurassic Park, um dos filmes de maior sucesso da história do cinema, e que teve o seu ponto alto no ano anterior.

Voltando ao que interessa…

Desta vitória histórica salienta-se uma aposta inicialmente tida como sendo de risco, mas que se veio a mostrar ser uma grande mais-valia: Kawhi Leonard.
Foi em julho do ano passado que o San Antonio Spurs e o Toronto Raptors negociaram e viraram os bastidores da NBA do avesso. Kawhi estava disposto a abdicar da cláusula por conta de conflitos internos e, a um ano de se tornar num jogador livre, acabou mesmo por ser “trocado” por DeMar DeRozan, um dos mais sonantes nomes dos Raptors. Atletas, adeptos, jornalistas e entusiastas ficaram, literalmente, de boca aberta.

Apesar disso, esta troca acabou por convencer mesmo os mais céticos – Leonard teve um desempenho histórico nos playoffs da competição. Foi responsável pela primeira vitória num jogo sete, decidido num cesto de dois pontos no último segundo nos playoffs deste ano, frente ao Philadelphia 76ers, na segunda partida. Já chegou à terceira posição entre os melhores marcadores da equipa, abaixo apenas de DeRozan e de Kyle Lowry. Para além disso, Leonard Kawhi, em 11 jogos, marcou, pelo menos, 30 pontos nos playoffs deste ano.

É, de facto, um lançador forte e dominante, mas também mostra qualidades no jogo defensivo – afinal, quando o treinador Nick Nurse encarregou Kawhi de marcar Giannis Antetokounmpo no jogo três, os Raptors venceram os seus últimos quatro jogos contra o Bucks.

No dia 22 de maio o jogador superou o seu top de assistências num jogo – no total, foram nove.
Já na passada sexta-feira (24), e com uma vaga nas finais da NBA em jogo, o atleta mais valioso em 2014 teve 17 ressaltos — estabelecendo um novo recorde na sua carreira— e conseguiu 27 pontos. Se tudo isto ainda não fosse suficiente, Kawhi ainda se “pôs a jeito” para ser considerado o melhor jogador dos playoffs, depois de um poderosíssimo afundanço, marcado apenas com uma mão, sobre Antetokounmpo, no quarto tempo da partida.
Uma pequena curiosidade: esta estrela tem mãos 52% maiores que as de um adulto comum!

Os Toronto Raptors irão agora medir forças com o atual bicampeão Golden State Warriors, que derrotou o Portland Trail Blazzers e se sagrou vencedor da Conferência Oeste. Os Warriors, fundados em 1946, são umas das equipas mais antigas da liga norte-americana e carimbam a presença na final pela 11ª vez, sendo que esta é a quinta consecutiva, e procuram alcançar o sétimo título.

Título esse que será decidido numa final à melhor de sete e que irá colocar, frente a frente, duas grandes figuras do basquetebol atual – Stephen Curry e Kawhi Leonard. Um sonha com o “tri” e o outro só pede o seu primeiro anel de campeão.

Apesar de não poderem contar com Kevin Durant desde março de 2019, os Golden State Warriors constituem-se como favoritos mas, como bem sabemos, não há impossíveis!

Por isso, só resta acreditar, lutar e… vencer! Força Raptors!

Inês Barbosa

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