Futebol

Taça de Portugal – Quem quer um lugar no Jamor?

Digamos que faltou inspiração aos líderes do campeonato nesta competição. Apesar disso, os dragões acabaram por passar à fase seguinte, enquanto que as águias se viram de “asas cortadas”. A final da Taça de Portugal vai jogar-se no Jamor, dia 25 de maio, entre o F.C. Porto e o Sporting Clube de Portugal.

S.C. Braga – F.C. Porto – Um Braga que deu “trabalho” a um Porto trapalhão

O Braga chegava à segunda mão das meias-finais em desvantagem (tinha saído derrotado da partida anterior por 3-0), mas com muita vontade de inverter este resultado. A equipa lutou, e bem, mas não foi feliz na finalização.
Sérgio Conceição fez sete mudanças em relação ao jogo de sábado (30) frente à mesma equipa, a contar para o Campeonato, vencida pelos dragões. Entrou Fabiano, Maxi, Manafá, Óliver, Adrián, Fernando e André Pereira e mantiveram-se Felipe, Militão, Corona e Danilo. O objetivo, segundo o treinador, era “meter mais presença no corredor central”.

Abel Ferreira fez o apelo “Vamos lutar. Esperamos um jogo épico”. Bem… de épico teve pouco. Aliás, se a “história” que vos vou contar tivesse apenas como protagonistas os azuis e brancos… Provavelmente adormeceriam.
Quem o parecia adivinhar, ou dado o resultado da primeira mão que já parecia ditar a sentença do Braga nesta competição, poucos foram os adeptos bracarenses a ocupar lugares nas bancadas.

Apesar disso, o Braga entrou com sede de vencer: passavam apenas três minutos do apito inicial quando Wilson Eduardo rematou forte e a bola raspou a baliza de Fabiano.
Aos 14 minutos, um lance polémico em que Ricardo Horta fugiu a Manafá, cruzou para Paulinho e Felipe, num erro infantil, acabou por cortar a bola para dentro da própria baliza.
Este golo acabou anulado por Manuel Mota, árbitro da partida, depois de consultar o VAR e assinalar fora de jogo de Ricardo Horta no início do lance.

Fabiano mostrou que ainda precisa de mais oportunidades para se tornar num guarda-redes que dê segurança. Exemplo disso foram as três saídas completamente “às aranhas” – numa delas, Claudemir esteve perto de faturar para os bracarenses, mas a bola passou muito perto do poste direito portista.

A equipa de Abel Ferreira, atrás do prejuízo, fazia maior pressão sobre a bola encontrando do outro lado um Porto diferente daquele a que estamos habituados – pouco intenso e, diria até, apavorado.
O querer bracarense resultou mesmo no primeiro abanão de redes do jogo: aos 41 minutos Paulinho aproveitou uma má abordagem ao lance do central portista Felipe, correu com bola e, na cara de Fabiano, teve a frieza de picar a bola e abrir o marcador.

45 minutos decorridos num dos maiores pesadelos do Futebol Clube do Porto. Os adeptos portistas arregalavam os olhos, temendo o pior.

Pior ficaram quando os bracarenses entraram na segunda parte, mais uma vez, a “matar”. Murilo ameaçou aos 47’ e aos 49’ e um cabeceamento de Pablo resultou numa grande defesa de Fabiano, aos 50 minutos.
O massacre só teve fim com o golo de Danilo – até aqui, Marafona tinha tido uma noite bastante descansada. Faltava um quarto de hora para os 90’ quando, após Corona cobrar um canto, Danilo “penteou” a bola para o fundo das redes dos Guerreiros do Minho.

Depois disto, a esperança arsenalista pareceu perder-se, pouco a pouco. Apesar disso, as estatísticas não mentem – 57% de posse de bola do Braga, contra 43% do F.C. Porto.

Em declarações feitas depois do final da partida, Sérgio Conceição assumiu que não ficou nada satisfeito com a exibição da sua equipa, dizendo mesmo que “passearam as camisolas do F.C. Porto por Braga” e que “se pudesse tirar sete ou oito ao intervalo tirava”. De falta de honestidade não o podemos, de facto, acusar.

Por outro lado, Abel Ferreira mostrou-se bastante satisfeito com o esforço da equipa que diz ter sido a que “mais mexeu no motor” e assumindo, no entanto, que o que falhou foi a eficácia.
Este empate não foi, assim, suficiente para o Braga. O Porto segue para a sua 17ª final da Taça de Portugal.

Benfica – Sporting – O Rei desta selva chama-se Bruno Fernandes

Também o Sporting entrava nesta partida com necessidade de dar a volta ao marcador, que assinalava 2-1 para o Benfica. Bastava um empate para que o Benfica se apurasse para a final da Taça. A estatística estava, no entanto, do lado dos sportinguistas: Dos 17 confrontos a contar para a Taça de Portugal jogados em Alvalade, o Sporting ganhou 14.

A pressão nos ombros leoninos era, no entanto, muita. Esta é a única competição, para além da já arrecadada Taça da Liga, que o Sporting ainda pode vencer, visto estar fora das contas do título do campeonato. Era altura, também, de pôr um ponto final na longa série sem triunfos frente aos encarnados.
O Sporting só mexeu na equipa por obrigação – por causa ausência de Ristovski, por castigo, Marcel Keizer apostou em Bruno Gaspar. Já o Benfica incluiu no seu onze inicial Jardel e Fejsa, recentemente recuperados de lesão, e Seferovic e Svilar – suplentes no jogo frente ao Tondela.

A primeira grande oportunidade surgiu logo aos dois minutos quando Gudelj arrisca o remate e a bola passa muito perto da baliza das águias.
Passados três minutos, novo lance de perigo: na sequência de um pontapé de canto, Bruno Gaspar remata de fora de área fazendo com que, mais uma vez, a bola se aproxime muito do poste da baliza de Svilar.

O Sporting continuou a pressionar um Benfica que parecia desmotivado, sem vontade de fazer por vencer.
Aos 15 minutos Gabriel abandona o relvado, muito queixoso. Acabaria por sair de Alvalade de muletas – o clube informou, entretanto, que Gabriel sofreu uma lesão no ligamento lateral interno do joelho esquerdo e não poderá jogar mais esta época.
Antes de Gedson Fernandes assumir a posição de Gabriel, e na sequência de um contra-ataque, Seferovic faz um ótimo passe, mas João Félix não foi capaz de finalizar. O jogo parecia começar a equilibrar-se, depois de uma entrada forte do Sporting.

O Benfica foi a sorrir para o balneário já que, para além da vantagem do jogo anterior, foi dono da melhor ocasião da primeira parte, embora tivesse estado grande parte do tempo recuado no seu meio-campo.
No início da segunda parte Seferovic desperdiçou uma grande oportunidade de carimbar o acesso à final no Jamor: Depois de Pizzi o isolar nas costas da defesa, o suíço rematou de pé direito, mas o pontapé saiu mesmo muito ao lado.

Aos 49’ Bruno Fernandes é chamado a bater um livre, numa distância que lhe agrada – foi daqui que, na primeira mão, marcou o golo frente aos encarnados. Desta vez, no entanto, a bola bateu com estrondo na barra.
A partir daqui a “pilha” do Benfica começou a descarregar a ritmo acelerado. O Sporting voltava a tomar conta da partida e a mostrar garra e querer – conceitos que não pareciam constar no dicionário benfiquista.
Esta foi uma noite em que o Benfica não conseguiu ser Benfica. Não se pode dizer, também, que tenha sido uma noite de grande futebol. A palavra certa poderia ser até confusão – muita gritaria, muitos passes errados, paragens, reclamações…

Eis que aos 75 minutos o médio leonino Bruno Fernandes contorna Grimaldo, remata forte e encaixa a bola nas redes de Svilar. Quem mais senão Bruno Fernandes? O jogador marcou em todos os jogos desta competição. Ajoelhem-se aos pés do jogador, sportinguistas! Ristovski, por exemplo, já lhe beijou o pé esquerdo e partilhou o momento nas redes sociais.
Nota ainda para a expulsão de Rafa Silva após o apito final, por acumulação de amarelos. Vitória justa para os leões que garantem assim a 29ª presença numa final da Taça.

O Porto e o Sporting já se enfrentaram por quatro vezes em finais desta competição, sendo que este ano será decisivo para o desempate de vitórias. Teremos assim de esperar pelo dia 25 de maio para saber quem vence – Dragões ou Leões.

Inês Barbosa

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