Futebol

Já é praxe – Portugal marca passo com empates

EURO 2020 - Qualificação

Portugal 0 – 0 Ucrânia

É seguro dizer que todos os portugueses já se acostumaram aos tímidos (vamos chamar-lhes assim…) arranques da Seleção Nacional.
O primeiro jogo da fase de qualificação para o Euro 2020 não poderia, por isso, ser exceção. Afinal, já há 31 anos que Portugal não alcança a vitória no arranque de um apuramento, a jogar em casa. Aguenta coração.
Dos 25 convocados por Fernando Santos para os encontros com a Ucrânia e a Sérvia podemos (e devemos) salientar a ausência de 10 campeões europeus (entre os quais Cédric, Adrien, Nani e Quaresma), a estreia de Dyego Sousa, João Félix e Diogo Jota e o regresso de Cristiano Ronaldo, nove meses depois, já que já não jogava pela equipa das quinas desde o Mundial de 2018.

O treinador da seleção portuguesa apostou, para o primeiro jogo, numa estratégia de 4x3x3 com Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva e André Silva a formarem o trio atacante. Rúben Neves ocupou a frente do quarteto defensivo, dando mais liberdade aos colegas de meio-campo William Carvalho e João Moutinho. Com João Cancelo e Raphael Guerreiro a ocuparem o lado direto e esquerdo da defesa, respetivamente, com a dupla de centrais Pepe e Rúben Dias e com Rui Patrício na baliza estava, assim, concluído o onze português desenhado por Fernando Santos.

Apesar da força do ataque português, tal não foi suficiente para alcançar com sucesso a baliza ucraniana.
Portugal até entrou com vontade de defender o título europeu conquistado em 2016, assumindo, desde logo, o controlo do jogo – do outro lado estava uma Ucrânia recuada, sempre à procura do contra-ataque.
Aos 15 minutos, o remate de Pepe foi travado pelo atento guarda-redes Pyatov – e bem precisou dessa atenção ao longo do jogo. Passados apenas 2 minutos e na sequência de um canto, William Carvalho ainda cabeceou a bola para dentro das redes do adversário, mas o golo é anulado por fora de jogo. O médio do Bétis ainda “chamou” pelo VAR, mas nestes jogos da fase de qualificação a tecnologia não é utilizada.

Cristiano Ronaldo rematou à baliza ucraniana aos 23 e 26 minutos, mas a bola encontrou, das duas vezes, as luvas de Pyatov (lembram-se da tão necessária “atenção”?).
A flagrante oportunidade de golo da seleção ucraniana aconteceu aos 86 minutos, quando um remate de meia distância de Zinchenko é defendido para a frente por Rui Patrício e, na recarga, Rúben Dias corta para canto, evitando o golo de Júnior Moraes.

Ficou ainda por assinalar, nos descontos, um penálti a favor de Portugal, por falta na área sobre Dyego Sousa.
A falta de inspiração da nossa seleção resultou numa mais complicada tarefa de apuramento, depois de, com este empate, desperdiçarem 2 pontos.

Novo jogo, novo tropeção

Portugal 1 – 1 Sérvia

Comecemos por isto: ao contrário do jogo anterior, onde parecia faltar “chama” à equipa lusa, esta foi, sem dúvida, uma partida que deveria ter dado a vitória aos da casa.
Há muito para se falar em relação a este Portugal – Sérvia… Desde a lesão de Cristiano Ronaldo, passando pelas grandes exibições de William de Carvalho e Bernardo Silva, pelo penalti que só o árbitro assistente não viu, até ao grande golo de Danilo.

Do sufoco até ao último minuto… Bem, desse já não precisamos de falar, não é? Também já é “praxe”.
Fernando Santos reorganizou a equipa num 4x4x2, com Danilo a ocupar a posição de Rúben Neves. Saíram também João Moutinho e André Silva para dar entrada a Rafa e Dyego Sousa.

A estratégia passava por ser de Portugal o primeiro golo, o que tornaria muito mais tranquila a viagem até à vitória. William Carvalho teve, logo aos quatro minutos de jogo, uma boa oportunidade – João Cancelo cruzou largo e o jogador do Bétis rematou, sem força (pelo menos a suficiente), na pequena área.

Apesar das ameaças da equipa portuguesa, foi a Sérvia quem passou à verdadeira ação. Aos seis minutos Dusan Tadic deixou Gacinovic cara a cara com Rui Patrício – o médio do Eintracht Frankfurt tentou o chapéu ao guarda-redes do Wolverhampton, mas Patrício acabou por derrubar o jogador sérvio. Grande penalidade assinalada a favor da Sérvia, que Tadic não desperdiçou.

Se não sabiam, ficam a saber: Cristiano Ronaldo ganha ainda mais força e querer (se é que isso é sequer possível) quando as adversidades lhe parecem bater à porta. No minuto seguinte o capitão da seleção portuguesa respondeu e obrigou Dmitrovic a fazer a sua primeira grande defesa da noite. Renascia, assim, a esperança lusitana.

Aos 30 minutos de jogo, porém, Ronaldo sentiu uma dor na coxa e, depois de assistido pela equipa médica, acabou substituído por Pizzi.
Portugal teve mais que muitas oportunidades para “encaixar” a bola na baliza adversária, mas ninguém conseguiu realizar tal feito. Ninguém a não ser, espante-se, Danilo. Tanto quanto inesperado – até mesmo pelos jogadores sérvios que não viam este jogador capaz de correr com bola e ganhar espaço – este foi, sem dúvida, um grande golo a três minutos do final da primeira parte.

Apesar do controlo do jogo ter pertencido às cores nacionais, a equipa Sérvia não deu tréguas.
Aos 71 minutos a respiração dos portugueses quase que parou: grande confusão na pequena área da Sérvia, mas nem Pizzi nem William Carvalho conseguiram chegar à vantagem.

Dois minutos depois, o árbitro da partida marca grande penalidade a favor de Portugal, depois de Rukavina tocar com o braço na bola, mas volta atrás na decisão após consultar o seu auxiliar.

Portugal já não vencia os dois primeiros jogos de apuramento desde a qualificação para o Euro 2012. Resta-nos esperar pelos próximos capítulos deste “thriller” de assinatura portuguesa.

Inês Barbosa


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