Futebol

Ao vivo no Coliseu do Porto: um dragão assim vence qualquer legião romana

Foi uma batalha épica: soldados caídos no terreno, duelos, a euforia de cada conquista.
O FC Porto-Roma da noite de 6 de março foi sangue, suor e lágrimas. E glória. Muita glória de um dragão que a lutar assim, abnegado, vence qualquer legião romana.

Depois do baque do último sábado diante do rival Benfica, Sérgio Conceição havia avisado de véspera que queria «ganhar, sem ser à pressa». Na verdade, precisou de 120 minutos de futebol para reverter o 2-1 trazido de Roma.
3-1 e o FC Porto está nos quartos de final da Liga dos Campeões!
Logo a abrir, com o anúncio da equipa inicial, Conceição como que deixou um aviso: hoje não há ópera!
Noutro tempo, já Conceição havia aconselhado os críticos a frequentarem o Coliseu ou o Teatro Sá da Bandeira se privilegiassem, acima de tudo e em qualquer ocasião, o espetáculo.

Num terreno pesado, o treinador portista preteriu dos artistas – Óliver e Brahimi – para apostar num onze mais combativo, com quatro novidades em relação ao clássico: Militão no lado direito da defesa, Danilo no miolo, Otávio sobre a direita, fazendo Corona no flanco oposto derivar para o lugar de Brahimi, e Soares ao lado de Marega lá na frente.
Di Francesco apresentou três centrais, promovendo o reencontro de Marcano, saído a custo zero no defeso, com o Dragão.

Na verdade, o 4-4-2 azul e branco encaixou bem no 3-4-3 giallorosso e o FC Porto entrou por cima.
Os dragões atacavam quase sempre pela esquerda, dependendo das combinações de Corona e Telles. E a determinado momento, o técnico portista trocou os avançados – Marega para o lado esquerdo e Soares para a direita.
Haveria de surgir aí o golo, aos 26’. O maliano recuperou a bola em esforço, Corona conduziu-a a devolveu a Marega, que assistiu Soares para o toque final na pequena área. Um a zero e o FC Porto em vantagem na eliminatória pela primeira vez. Esta condição, porém, durou apenas 11 minutos, até ser desfeita da marca dos 11 metros por De Rossi.

Éder Militão, infeliz no regresso à equipa, derrubou Perotti na área e obrigou o FC Porto a correr atrás do prejuízo na segunda parte. A vantagem esfumou-se com o erro do internacional brasileiro e agora era preciso ao campeão nacional marcar um golo para igualar a eliminatória.
Ciente da sua missão, o FC Porto encarou o segundo tempo como uma invasão ao último reduto romano. Soares de cabeça (49’), Marega num remate cruzado (51’)… Os golpes foram-se sucedendo, até o adversário voltar a tombar ao minuto 53: Corona recuperou e cruzou ao segundo poste para Marega surgir solto nas costas de Marcano e atirar para o golo.

2-1: eliminatória empatada e calculadora na mão. Um golo da Roma obrigaria o FC Porto a marcar dois para passar. Pelo que o domínio portista foi claro, sem arriscar demasiado.
Com as entradas de Brahimi e Fernando Andrade, Sérgio Conceição transformou o 4-4-2 num 4-3-3 e as oportunidades continuaram a surgir. Valeu Olsen à Roma. Enquanto, na baliza contrária, Casillas não fez uma defesa, apesar da ameaça constante de Dzeko – referência ofensiva e o único jogador capaz de fazer a diferença nesta Roma que sempre pareceu ao alcance.

O jogo de nervos haveria de estender-se até ao final e levar a decisão para prolongamento. Trinta minutos extra que penalizaram mais o FC Porto, aparentemente mais fatigado em termos físicos, a ponto de perder o domínio do jogo que tinha até então.

Continuaram a valer Pepe e Felipe: jogo monstruoso de ambos defensivamente, apesar de um ou outro erro a construir desde trás. Lá na frente, Marega era a locomotiva do costume, com energia para 90, 120 ou para os minutos que forem precisos.

Até que chegou o clímax do minuto 114: Florenzi agarrou Fernando Andrade na área e Cuneyt Çakir foi ver o lance ao VAR. Tensão máxima no Dragão e… penálti!

Alex Telles assumiu a cobrança, cobrou o castigo e… golo! Um coliseu em delírio perante um dragão capaz de devorar gladiadores. O sofrimento final adensou os nervos de 49 029 espectadores que quase lotaram o estádio.
Quatro anos depois, o FC Porto volta aos quartos de final da Liga dos Campeões e embolsa 10,5 milhões ao impressionante pé de meia europeu que já havia feito como melhor equipa da fase de grupos.

O final foi assim: a legião prostrada aos pés de um dragão europeu. Este Coliseu do Porto por vezes tem espetáculo, outras tem duelos épicos. Por hoje, bem poderia descerrar-se uma lápide em honra de mais uma épica batalha europeia. Em latim, para fazer jus à solenidade do momento: «Honorem et gloriam victores victis.»
Honra aos vencidos, mas glória, muita glória merece quem vence assim.

Fonte: MF

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