Desporto

E quando a bola começa a rolar…

A maioria das equipas que integram a I Liga portuguesa voltaram, finalmente, a pisar o relvado. Afinal, há que começar a preparar o regresso ao campeonato – que, como sabemos, deverá acontecer no último fim de semana deste mês, apesar da decisão estar dependente de aprovação da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Os primeiros treinos aconteceram, no entanto e como era expectável, com muitas limitações – apesar de se ter assistido a um “alívio” de algumas medidas, o distanciamento e medidas de prevenção continuam a ser imprescindíveis. Uma nova etapa, recheada de desafios não só para os jogadores como para as equipas técnicas e departamentos médicos dos clubes.

O plano elaborado pela Liga de Clubes está agora em análise e em possível reformulação pela Direção Geral de Saúde e por um grupo de especialistas da Federação Portuguesa de Futebol – nesse primeiro esboço estão apontadas diversas medidas preventivas como são exemplo a exigência de uso de máscara por parte de jogadores e staff quando viajam, sendo que os autocarros devem ser sistematicamente desinfetados, o desaconselhamento dos estágios e ainda a “indicação clara” para os futebolistas para se manterem tanto quanto possível por casa.

Antes de voltarem às instalações dos respetivos clubes, os atletas necessitaram também de realizar todos os testes necessários de despistagem – em alguns casos, como por exemplo no Benfica, os testes estenderam-se à família dos jogadores.

Estes testes terão de ser repetidos antes de todos os jogos – tendo em conta que este procedimento se traduz num aumento considerável na despesa financeira dos clubes, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional já adiantou que irá comparticipar 40% em cada um dos testes.

As mesmas regras são aplicadas às equipas de arbitragem e staff técnico.

Pois então, o Sporting foi a primeira equipa a retomar a atividade, no passado dia 20 de abril, seguindo-se o Braga e o Famalicão, passado uma semana.

Esta segunda-feira (4) foi a vez do F.C. Porto, Benfica, Rio Ave, Portimonense, Paços de Ferreira, Gil Vicente, Vitória de Guimarães, Moreirense, Boavista, Desportivo das Aves, Vitória de Setúbal, Belenenses e Marítimo seguirem o “exemplo”. Na terça-feira (5), e depois de ter realizado testes no dia anterior, foi a vez do Tondela.

Divididos em grupos, a trabalhar individualmente ou até a treinar em recintos diferentes, todos os atletas e respetivas equipas técnicas fizeram por cumprir as regras de segurança – que dizem que os jogadores, independentemente da equipa a que pertencem, só podem treinar individualmente, ficando depois ao critério de cada clube a forma como levará a cabo o treino, tendo em conta as instalações e os meios de que dispõem.

Nos casos em que se optou por fazer diferentes “turnos” de treino, todo o material utilizado foi (e será) higienizado após utilização. Em alguns emblemas – como é o caso do Desportivo das Aves – os jogadores chegaram já equipados ao recinto, treinaram e voltaram a suas casas para tomar banho. Relembre-se que o acesso a balneários está, para já, proibido.

O Santa Clara, caso se estejam a perguntar, foi o último clube a voltar ao trabalho, esta quinta-feira (7) –  o clube açoriano estava a aguardar autorização por parte do Governo Regional dos Açores para poder regressar aos treinos no exterior.

Até aqui tudo bem, certo? Pois… mas nem tudo são rosas, meus amigos!

É que na terça-feira (5) a Liga portuguesa reuniu-se para decidir que equipas eram promovidas ao primeiro escalão e, por outro lado, quem “caía” para o Campeonato de Portugal. Assim, Farense e Nacional estão de volta à I Liga (o primeiro 18 anos depois), enquanto que o Cova da Piedade e o Casa Pia não puderam evitar a despromoção. O clube madeirense parecia que já sentia o “cheiro” da subida… É que foi a primeira equipa a voltar aos treinos – mais precisamente no dia 13 de abril, na Choupana.

Esta decisão provocou um enorme descontentamento: jogadores teceram duras críticas e várias equipas, que se consideram prejudicadas, admitem reagir.

O Cova da Piedade adiantou esta terça-feira (5) que irá reagir contenciosamente contra a despromoção, que considera ser uma “ilegalidade”. Este clube acusa ainda a direção da Liga de “violar o mérito desportivo” e de “causar graves e irreparáveis danos” àquela SAD. “Isto enoja-me e vai contra tudo o que me ensinaram”, desabafou Edinho, avançado do clube, que ainda se referiu ao Feirense, que ocupava a terceira posição da II Liga, dizendo que este é “um clube sério, tem condições e paga a horas. Estavam num grande momento e cortaram-lhes as pernas, sem que pudessem reagir”.

O presidente da SAD do Estoril, Jeffrey Saunders, adiantou reconhecer “que a saúde está, e deve estar sempre, em primeiro lugar, mas era essencial que tivessem sido detalhados os elementos objetivos em que o Governo se baseou para tomar esta medida de tratamento desigual…”, acrescentando que “é agora tempo de analisar com pormenor a decisão que foi tomada e as respetivas consequências, de modo a ponderar qual a melhor forma de atuar”.

Também o plantel do Académico Viseu, apesar do 8.º lugar que ocupava à 24.ª jornada, assumiu a sua “indignação”, classificando a solução encontrada como discriminatória.

Agora, 14 clubes da II Liga (excluem-se os promovidos Nacional e Farense e as equipas B do Porto e Benfica) vão ser apoiados financeiramente pelo fundo criado pela Federação e pela Liga, na ordem dos 2,5 milhões de euros. Cada clube receberá cerca de 180 mil euros.

Quanto à descida à LigaPro, só se saberá quem serão os “infelizes” contemplados quando a I Liga, que será retomada no dia 30 e 31 de maio, for concluída.

Esta novela está longe do fim… Aguardem pelos próximos capítulos!

Inês Barbosa/MS

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