Desporto

A César o que é de César

Na abertura da 26ª jornada, o Famalicão saiu vitorioso da deslocação ao terreno do Gil Vicente. Os visitantes entraram destemidos e confiantes em campo e o primeiro golo surgiu aos 12 minutos, quando Edwin Vente carregou em falta, dentro da grande área, Toni Martinez e foi assinalada grande penalidade – Fábio Martins não desperdiçou a oportunidade. O avançado Diogo Gonçalves fez o segundo já perto do intervalo, aos 42’, após cruzamento de Toni Martínez.

O jogador do Belenenses SAD, Gonçalo Silva (E), disputa a bola com o jogador do Vitória de Guimarães, Edwards (2E), durante o jogo a contar para a Primeira Liga de Futebol, na Cidade do Futebol, Oeiras, 11 de junho de 2020.

Aos 77’ surgiu o único golo gilista desta partida – Henrique Gomes serviu e Hugo Vieira encaminhou, de cabeça, a bola para o fundo das redes famalicenses. No primeiro de seis minutos de tempo extra Banguera marcou na própria baliza e estabeleceu o resultado final: 3-1 para o Famalicão. Parece que a quarentena lhes fez bem!

O dia seguinte, quarta-feira (10), prometia emoções fortes – afinal, na ronda anterior tanto o F.C.Porto como o Benfica “escorregaram” na deslocação a Famalicão e na receção ao Tondela, respetivamente, e anularam a distância pontual que os separava – embora, caso o campeonato acabasse nesse momento, o F.C. Porto conquistaria o campeonato já que ganha em confronto direto.

Nesse dia quem entrou primeiro em “cena” foi o Vitória de Setúbal, que empatou 2-2 frente ao Santa Clara. Foram os açorianos os primeiros a marcar, aos 38’, numa grande penalidade convertida por Thiago Santana, mas os sadinos restabeleceram a igualdade aos 45+3’, por intermédio de Hildeberto Pereira. Aos 78, Mirko Antonucci marcou o segundo golo sadino, antes da nova igualdade estabelecida por Crysan, aos 86’.

Depois foi então a vez dos encarnados – de visita ao Portimonense, 17.º classificado e em zona de despromoção, a turma de Lage, apesar dos tristes incidentes que se sucederam ao encontro da jornada passada, entraram em campo com a determinação necessária. Na realidade, no primeiro “round” desta luta as águias praticamente encostaram os alvinegros às cordas, não os deixando sair a jogar. Depois de algumas tentativas sem sucesso, Rafa surge do lado direito aos 18’ e, ao invés de cruzar para o interior da pequena área, vê Pizzi mais recuado, faz um passe atrasado para o camisola 21 que, por sua vez, desfere um forte “murro no estômago” de Gonda – um remate potente, que não deu hipóteses ao guardião japonês.

Apesar de Jardel ter saído lesionado, cedendo o lugar a Ferro, o Benfica não perdeu o ritmo – foram precisos 13 minutos para fazerem o 2-0, ainda que com alguma “ajuda” da defesa adversária. Pizzi , de primeira e de trivela, tinha como intuito desmarcar André Almeida, no entanto o defesa Possignolo falha completamente o esférico quando o tenta aliviar, deixando o lateral direito do Benfica na cara do golo – tudo que teve de fazer foi encostar. Com 2-0 no marcador o que se esperava era que as águias tentassem, tanto quanto possível, manter o ritmo e defender o resultado. O que se viu? Exatamente o contrário! O Portimonense surgiu com uma nova força no segundo tempo, mostrando-se capaz de fazer frente ao adversário.

Num choque entre Hackman, Cervi e Grimaldo, este último acabou por se lesionar no joelho esquerdo – foi obrigado a abandonar a partida, sendo substituído por Nuno Tavares. Daqui até ao primeiro tento do Portimonense foi um “tirinho” – Tabata cobrou um livre junto à bandeirola de canto e Dener, qual super-herói, conseguiu voar mais alto que Rúben Dias e Ferro, cabeceando forte para o fundo da baliza de Vlachodimos.

O que já estava mal ficou ainda pior – 10 minutos depois, após uma defesa incompleta do guardião encarnado,  o esférico sobrou para Júnior Tavares que, de fora da área, desferiu um remate forte e colocado. O estádio só não se “levantou” porque não existiam adeptos. Foi o K.O. para o Benfica que, até ao apito final, foi incapaz de recuperar somando o quarto empate consecutivo no campeonato.

Já os azuis e brancos voltaram a casa para receberem o Marítimo e, da bandeja estendida pelo Benfica, não deixaram escapar a oportunidade de se voltarem a isolar no topo da tabela classificativa. Foram precisos apenas seis minutos para Corona (oh valha-nos Deus!), de costas, rodar sobre uma perna e atirar de primeira para um belíssimo golo!

O Marítimo esteve perto do empate no minuto seguinte a este golo: Daizen ultrapassou Pepe, tentou o chapéu, mas a bola foi de encontro à barra da baliza de Marchesín.  Apesar de se terem seguido boas oportunidades para ambas as equipas, nenhuma delas conseguiu ser eficaz.

À semelhança dos primeiros 45 minutos, o F.C. Porto assumiu o controlo e domínio da partida na segunda metade, apesar do atrevimento insular que ainda provocou alguns calafrios aos azuis e brancos. Nota para a estreia do jovem Fábio Vieira na equipa principal dos dragões, que rendeu Marega aos 72 minutos.

Ainda antes do apito final Alex Telles viu a cartolina vermelha, por acumulação de amarelos. Este resultado valeu a liderança isolada ao FC Porto, com 63 pontos, mais dois que o Benfica (61). Parece que tudo se resume a quem menos treme quando o momento exige firmeza: e, se assim for, há que entregar a “César o que é de César”.

Inês Barbosa/MS

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