SCRF angaria mais de $100,000 para investigação na área do cancro

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O cancro matou mais de 80 mil pessoas no Canadá no ano passado. Os dados são da Canadian Cancer Society e esta causa fez com que várias empresas portuguesas se juntassem para reunir fundos no Royal Ontario Golf Club em Oakville.

A SCRF (Supporting Cancer Research Foundation) surgiu em 2011 e dois dos fundadores são empresários portugueses de sucesso. O objectivo é apoiar organizações que se dedicam à investigação da cura da doença do século e este ano a fundação bateu um recorde.

Segundo Manuel J. Clementino, proprietário da Hallmark Housekeeping Services Inc., 80% dos fundos angariados revertem a favor da The Princess Margaret Cancer Foundation e 20% a favor do Camp Trillium.

Realizaram-se vários leilões e foram arrematados um pacote de golfe e várias viagens a Portugal e dentro do Canadá. Este ano o grupo angariou mais de $100,000 e dentro da sala estavam pessoas que já foram diagnosticadas com cancro ou que lidaram de perto com a doença.  “Tenho leucemia desde 2004, e eu sou apenas um entre muitos milhares”, informou Manuel J. Clementino.

Fiorella Manchini é mãe de Matthew que foi diagnosticado quando tinha oito anos. Em declarações ao nosso jornal, Fiorella partilhou um pouco da sua história. “Em maio o Matthew recebeu um diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda (LLA). Na altura disseram-nos que era o cancro mais comum em crianças e que o tratamento ia durar três anos e meio. Depois de estar a ser tratado durante dez dias, ele teve uma reação a um dos medicamentos e sofreu um AVC. O lao esquerdo ficou paralisado e quase que o perdemos”, confessou.

Júlio Santos, proprietário do restaurante Leão de Ouro, é um dos fundadores da SRF que também viveu de perto com o cancro. Kevin Santos lembra-se do dia em que o irmão recebeu a notícia. “O meu irmão tinha nove anos quando foi diagnosticado com linfoma de hodgkin. Eu era muito jovem na altura e não percebia tudo o que estava a acontecer. Mas recordo-me quando o cabelo começou a cair com a quimioterapia. Estou feliz por estar aqui hoje e por ajudarmos outras crianças com a mesma doença que o meu irmão”, disse.

Cassie Santos é irmã de Kevin Santos e ficou assustada por não saber como ajudar os pais a ultrapassar um momento tão difícil. “Foi frustrante ver o meu irmão mudar tanto em tão pouco tempo e não conseguir entender o motivo. Gostava de ter podido ajudar mais a minha família”, explicou.

Os participantes alertam para a importância de fazer check-up e garantem que é preciso continuar a apostar em investigação para encontrar a cura. “Vou ao Princess Margaret a cada dois meses e faço análises ao sangue. Só estou vivo graças a um comprimido que não existe assim há tanto tempo”, informou Manuel J. Clementino.

O cancro não tem que ser uma sentença de morte e às vezes muda a perspetiva sobre a vida. “Aprendi a apreciar cada dia. Nunca pensas que vai acontecer contigo e aprendes a relativizar os outros problemas. Há duas semanas uma criança foi diagnosticada na minha rua com a mesma doença do meu filho. Só 4% dos fundos é que são canalizados para investigar cancro infantil, é por isso que a sociedade civil se tem de mobilizar”, avançou Fiorella Manchini.

O Rogers Centre e dois empresários ofereceram equipamento oficial de basebol autografado e um empresário português comprou, por um preço bem acima do mercado, duas passagens para os Açores da Azores Airlines. “Todos os anos faço isto, mas acabo por nunca visitar os Açores. Sou capaz de dar os bilhetes a um dos meus empregados”, referiu Manuel DaCosta, proprietário da Viana Roofing & Sheet Metal.

Um em cada dois canadianos desenvolvem cancro e todos os anos mais de 100 crianças morrem vítimas desta doença.

Source:Joana Leal/MS
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