Assédio sexual está a aumentar – 80% dos agressores conhecem a vítima

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Centros de apoio ao abuso sexual no Canadá relatam que o crime está a aumentar na ordem dos 20%. Esta semana o Milénio Stadium foi tentar perceber quem são as vítimas, os agressores e como é que podemos alterar as estatísticas.

O YWCA Canada é o maior centro de acolhimento do país e acolhe cerca de 25,000 mulheres, crianças e jovens que tentam escapar à violência doméstica e de acordo com esta organização, são registados no Canadá todos os anos cerca de 460,000 casos de assédio sexual. Em cada 1000, 33 chegam às autoridades e 12 dos agressores são detidos, ou seja, 997 dos agressores ficam em liberdade.

Cidália Pereira é técnica do Abrigo Centre e trabalha diariamente com vítimas de assédio sexual. “O assédio sexual é qualquer acto de natureza sexual que é imposto contra a vontade de outra pessoa, independentemente de ser uma criança, um jovem ou um adulto. O assédio não é só violação, pode ser beijar, tocar ou apalpar”, esclareceu.

Mais de 80% das vítimas de assédio sexual são mulheres. “É muito difícil traçar um retrato sobre a vítima. Elas podem ter muita ou pouca escolaridade e podem viver num ambiente urbano ou rural. As idades também variam muito e a nossa experiência diz-nos que normalmente têm uma deficiência física ou emocional. Às vezes a vítima tem pouca autoestima e sente-se inferior face ao agressor”, contou.

O agressor por seu turno normalmente está presente no do dia-a-dia da vítima. “Sabemos que 80% dos agressores conhecem a vítima e que normalmente quem é abusado acaba por fazer o mesmo com alguém. Uma em cada quatro vítimas são agredidas fisicamente, mas o assédio psicológico é tão ou mais grave que o físico. Pode acontecer em casa ou no trabalho e as agressões verbais podem surgir através das redes sociais, e-mail ou telemóvel, com o envio de fotos e comentários de cariz sexual, com ameaças de despedimento, com promessas de promoções ou de muito dinheiro na conta”, explica.

Apesar de ser mais comum nas mulheres, o assédio sexual também afecta os homens.  Alexandre, nome fictício, tem 30 anos e trabalha num bar onde é vítima de assédio sexual. “Eu sou ilegal e por isso tenho medo de falar. O meu agressor oferece-me dinheiro para ir para a cama comigo e acontece que eu nem sou gay. Ele é o meu Manager e é mais velho, se contar aos meus colegas eles não vão acreditar em mim”, confessou.

Rafael, nome fictício, tem 42 anos e viveu uma relação tóxica. “Fui vítima de violência psicológica. Estive casado durante dez anos e a minha mulher passava a vida a inferiorizar-me à frente de todos. Ela dizia que eu nunca tinha dinheiro para nada e que devia ter vergonha na cara. Acontece que ela tem uma grande posição numa empresa de telecomunicações e sempre ganhou mais do que eu. Um dia ganhei coragem e percebi que isto não era amor. Refiz a minha vida e hoje sou feliz, tenho pena de não me ter divorciado mais cedo”, lamentou.

A técnica do Abrigo Centre deixa conselhos às vítimas. “O movimento #MeToo ajudou a despertar a atenção para este crime e é importante que as vítimas saibam que podem contar connosco. Procurem ajuda e não se culpabilizem”, adiantou.

Source:Joana Leal/MS
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