Canadá

“Você é uma fraude!” – Debates aquecem campanha eleitoral no Canadá

O conservador Andrew Scheer, líder da oposição do Canadá, começou o segundo debate televisivo ao ataque, ao chamar o primeiro-ministro, o liberal Justin Trudeau de “falso e uma fraude” que não merece vencer as eleições agendadas para dia 21.

Trudeau termina o mandato enfraquecido por dois escândalos. Num deles é suspeito de ter pressionado a então ministra da Justiça para interferir num processo contra a empresa SNC-Lavalin, tendo o caso acabado com várias demissões no governo e no Partido Liberal e as autoridades continuam a investigar se o líder do executivo não cometeu o crime de obstrução à justiça; no outro, a revista Time publicou uma fotografia com 18 anos, na qual o jovem professor Trudeau estava vestido de Aladino, com as mãos e a cara pintadas de negro. Mais tarde, o liberal desculpou-se repetidamente, tendo alegado que na época não tinha consciência de que se tratava de uma “prática racista”.

As sondagens mostram que os conservadores de Andrew Scheer podem derrotar os liberais. A sondagem diária da Nanos Research para a CTV e o Globe and Mail na segunda-feira atribui 34,8% aos conservadores e 34,6% aos conservadores demonstra como os dois partidos têm estado taco a taco desde meados de setembro, três dias antes de o escândalo da cara pintada ter rebentado no dia 18.

O único debate realizado em inglês, a língua falada por dois terços dos 38 milhões de habitantes do Canadá, é considerado de grande importância.

Quando Scheer foi convidado a falar sobre a política externa, afirmou que irá “sempre defender o Canadá” e aproveitou a deixa para virar as atenções para Trudeau. “É muito bom a fingir. Ele não consegue nem lembrar-se quantas vezes pintou a cara de preto, porque o facto é que ele está sempre a usar uma máscara. Ele põe uma máscara de reconciliação e depois despede a procuradora-geral, a primeira com raízes indígenas; ele põe uma máscara feminista e depois despede duas deputadas corajosas que não alinharam com a sua corrupção. Ele põe uma máscara de classe média e depois aumenta os impostos aos canadianos de classe média”, disse Scheer, antes de desferir o golpe: “Sr. Trudeau, você é um falso e você é uma fraude e não merece governar este país”.

Scheer, que promete cortar nos impostos, escolheu esta forma de iniciar o debate depois de no primeiro, realizado em francês, Trudeau ter sido mais acutilante. O francês é a língua principal na província do Quebec, no qual se elegem 78 dos 338 lugares na Câmara dos Comuns. Os candidatos farão mais um debate em língua francesa na quinta-feira.

Foi no Museu de História Nacional, em Gatineau, no Quebec que os líderes de seis partidos se juntaram. Além de Trudeau e Scheer, estiveram presentes Maxime Bernier, do Partido Popular (direita), Jagmeet Singh do social-democrata Novo Partido Democrático, Elizabeth May dos Verdes e Yves-François Blanchet, do nacionalista Bloc Québécois.

Em moldes mais alargados do que é costume, o debate foi considerado “caótico” pelo Globe and Mail. Para o Politico, Trudeau, fragilizado pelos escândalos, “esteve à defesa na maior parte do tempo, com os adversários à esquerda e à direita a tentar atacá-lo”, mas não perdeu o debate.

Scheer, que também tem sido confrontado pelo facto de não ter revelado que tem dupla cidadania (do Canadá e dos Estados Unidos), desferiu outro ataque a Trudeau sobre a forma como o escândalo SNC-Lavalin tem sido gerido: “Diga-me, quando é que decidiu que as regras não se aplicam a si?” O primeiro-ministro preferiu não responder ao dizer que o papel que tem desempenhado é o de defender os empregos e o interesse público.

Quem lucrou com o debate foi Jagmeet Singh. Assim o afirmaram vários comentadores e até o público que se encontrava no museu. Apesar de terem recebido indicações para não se manifestarem, os espetadores bateram palmas ao social-democrata quando este criticou os favoritos no que se refere às políticas para combater as alterações climáticas. “Não é preciso escolher entre o Sr. Adiamento e o Sr. Negação”, afirmou Singh.

Já a dirigente dos Verdes também aproveitou para vincar a desilusão quanto às políticas ambientais e de combate às alterações climáticas de Trudeau e piscou o olho a uma possível coligação com os liberais. “Canadá, votar em deputados verdes é a melhor garantia de que nãovai ter o governo que menos quer.”

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