Canadá

Unifor indignada com silêncio do governo

Sindicato reuniu em Detroit para renegociar encerramento da GM de Oshawa

O presidente da Unifor diz que está chocado com o silêncio do governo federal e provincial no encerramento iminente da GM de Oshawa no final deste ano. “O nosso governo precisa de se levantar e lutar. Estou francamente enojado com o silêncio do nosso governo”, disse Jerry Dias aos jornalistas em Windsor, Ontário.

“As pessoas precisam do governo quando estão com problemas. Estamos encostados à parede e esperamos que o nosso governo trabalhe e lute connosco e não que se esconda e que diga que é inevitável”. As suas declarações surgem depois de Dias se ter encontrado na terça-feira com representantes da GM na sede da multinacional da indústria automóvel em Detroit nos EUA.

A GM deixou claro na reunião que vai dar seguimento ao plano de encerramento e rejeitou a proposta do sindicato. A Unifor quer que a estrutura de Oshawa continue com as portas abertas depois de 2019. A fábrica, onde trabalham alguns portugueses, fica localizada a 60 quilómetros de Toronto e emprega cerca de 2,500 trabalhadores.

Recorde-se que numa entrevista dada ao Milénio Stadium na edição de 7 de dezembro, Paulo Ribeiro, representante nacional da Unifor há 12 anos, garantiu que o encerramento da estrutura iria afetar cerca de 20 mil postos de trabalho indiretos. Na altura Ribeiro sublinhava que o sindicato não estava disposto a “negociar reformas antecipadas nem em aumentar o número de semanas para a qualificação do subsídio de desemprego”.

“Estou muito desapontado com a resposta da empresa”, disse Dias. “O que é igualmente dececionante é que houve um claro reconhecimento de que uma solução poderia ser encontrada”. Contudo, o líder sindical de origem portuguesa assegurou aos jornalistas que vai continuar a lutar para que a fábrica da GM de Oshawa continue a produzir depois de 2019. “Nós não vamos aceitar o encerramento desta estrutura sob nenhumas circunstâncias”, afirmou Dias.

A Unifor vai considerar todas as opções legais e vai tentar encontrar uma possível violação do acordo coletivo assinado com a GM em 2016.

O sindicato agendou para esta sexta-feira uma manifestação em Windsor, a cidade canadiana que faz fronteira com Detroit. A Unifor espera milhares de participantes e Dias diz que “é só um começo”. O presidente afirmou ainda que não se trata de fazer um boicote aos produtos da GM, mas referiu que os consumidores e os trabalhadores canadianos e americanos estão furiosos com a decisão do gigante da indústria automóvel.

David Paterson, vice-presidente dos assuntos corporativos da GM Canadá, citado pela CBC, explicou que a proposta do sindicato de manter a estrutura aberta não é economicamente viável e assegurou que “mais de metade dos 2,500 trabalhadores são elegíveis para a reforma. Os benefícios incluem $3,500 por mês e um voucher de $20,000 na compra de um carro”.

A GM anunciou no final de 2018 que ia encerrar a produção em cinco fábricas na América do Norte, quatro nos EUA e uma no Canadá. A ideia passará por concentrar a produção em países onde a mão-de-obra é mais barata e onde os trabalhadores têm menos direitos, como é o caso da China e do México.

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