Canadá

Overdoses por opiácios cresceram 120% em Toronto

Temos recebido notícias recentes, alarmantes, de que o elevado consumo de opiácios está a levar a um aumento acentuado de overdoses e em especial algumas vezes com consequências dramáticas tendo provocado a morte de sete pessoas à pouco tempo. Procurámos perceber o que está a ser feito para reverter esta situação.

Nuno Miller do Programa “Manhãs da Camões” entrevistou a Dra. Rita Shain, médica do Toronto Public Health, para perceber melhor este problema.

Camões Radio: Qual é a real dimensão do problema?

RS: A crise dos opiácios estende-se pelo Canadá e também pela nossa província e tem crescido nos últimos dois anos.  Só em Toronto no ano passado perdemos 313 pessoas por overdose de opiácios. Corresponde a um crescimento de 100% em relação a 2015 e 120% dos casos comparado com 2016. Mas os números continuam a aumentar. As mortes estão especialmente relacionadas com o consumo de fentanyl ilegal. Inicialmente a origem era o opiácio legal, mas agora é diferente e os casos de morte ocorrem mais com o produto ilegal.

CR: Grande parte das pessoas que usam opioides fazem-no porque foi prescrito pelo medico. Mas a verdade é que os profissionais não conseguem controlar a dosagem e o elevado grau de viciação dos doente. Qual é a sua opinião?

RS: Muitos doentes recebem prescrição médica, mas mais de metade das pessoas vão adquirir os opiácios ao mercado paralelo e há muitos que têm substâncias de risco e provocam overdoses mais facilmente.  Hoje os medicamentos que os médicos prescrevem não têm esses efeitos devastadores.

CR: Muitas soluções têm sido tentadas com vários planos de várias entidades oferecendo várias opções com expectativas de minurar a crise e as consequências.

RS: Ao fim de um ano podem ver-se resultados favoráveis ao nível da segurança, pois não partilham seringas infectadas, ao nível da saúde pois não contraem doenças crónicas e também ao nível das possíveis overdoses que já não acontecem no passeio público ou num parque. Ali têm assistência no caso de um evento drástico acontecer. Reduz-se muito o risco sem dúvida.

CR: Que mensagem é que divulgam nas escolas e ao público em geral?

RS: Os programas escolares incluem matérias no curriculum e no programa que alertam e esclarecem os riscos que as diferentes drogas constituem, bem como abordam assuntos que mostram as diferentes categorias de drogas e álcool e das consequências do seu uso.

Temos campanhas a informar que existem nas farmácias kits grátis para reverter overdoses que qualquer pessoa pode adquirir. Por exemplo quem tiver familiares com esse risco ou mesmo conhecidos, podem levantar gratuitamente e trazer consigo para uma eventual emergência. Também temos informado que o 911 é um servico sempre disponível e que se deve ligar no caso de acontecer uma overdose. Mais de metade já liga, o que mostra que os receios de eventuais problemas com policia estao a diminuir. A policia nao prende as pessoas so’ por ajudarem ou por estarem a consumir. Hoje ha uma atitude diferente da polícia. Ela ajuda e não prende por consumo.

CR: Acha que os paramédicos têm os recursos necessários para intervir?

RS: Sem dúvida, os paramédicos têm todo o equipamento necessário para assistir  imediatamente no caso de ocorrer uma overdose e intervir numa emergência. Eles têm formação, treino e os meios que precisam.

CR: Qual o envolvimento das agências sociais, do serviços comunitários neste contexto?

RC: Estao muito envolvidos com vários programas que vão desde acompanhamento de casos, ajuda na procura de soluções e actuam no terreno. Têm vários serviços à disposição relacionados com habitação, educação, ajuda ao emprego, assistência social, ou de outro tipo.

CR: Como e que a classe médica está a analisar as diferentes drogas alternativas aos opiácios?

RS: Hoje os médicos estão muito sensíveis aos problemas associados com a prescrição de opiácios e já existem plataformas para estudar alternativas e criar soluções menos perigosas. Estamos a estudar os possíveis benefícios da cannabis ou de outras substâncias como a metadona, entre outras.

Também estamos a avaliar a possibilidade de descriminalizarcomo se fez em Portugal com tanto sucesso. O caso português mostra bem os benefícios dessa medida porque o consumo de drogas duras e em especial de opiácios desceu para mais de metade, assim como as fatalidades.

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