Canadá

O sistema de seleção de imigração económica do Canadá

Peter Ferreira
Conselheiro da Imigração

O sistema de seleção de imigração económica do Canadá criou um maior número de candidatos elegíveis, tornando-se mais fácil a candidatura sem uma oferta de emprego. Com as mudanças nos critérios do governo federal há mais de um ano, os candidatos com experiência na indústria, atividade ligadas à indústria da eletricidade e construção tornaram-se menos competitivos, enquanto os estudantes internacionais têm vantagem devido à sua educação canadiana, que agora tem mais valor.
De acordo com os últimos dados da imigração, um total de 101,107 candidatos elegíveis foram inscritos no grupo de candidatos qualificados entre janeiro e novembro de 2016, quando Otava alterou o sistema de seleção que os classifica, e convida aqueles que atingem os pontos mínimos exigidos em cada sorteio, para se candidatarem à imigração utilizando a classe económica. Os sorteios são realizados várias vezes por ano.
Nos primeiros seis meses após a introdução das mudanças que incluíram a redução dos pontos de bónus concedidos aos candidatos com ofertas de emprego, 77,207 foram inscritas neste grupo. Embora o total de candidatos de 2017 ainda não esteja disponível, é esperado que seja superado o total registado no ano anterior.
Antes das mudanças quase 40% das pessoas convidadas a candidatar-se à imigração tinham uma oferta de emprego. Agora, apenas 1 em cada 10 está a aplicar com um emprego seguro. As mudanças no sistema colocam uma maior enfase no chamado capital humano – atributos pessoais como a idade, educação e proficiência linguística – e ganhou o elogio de especialistas em imigração, que argumentaram que essas qualidades são mais importantes para os recém-chegados terem sucesso no Canadá a longo prazo.
É difícil prever as necessidades de longo prazo de uma economia. A falta de habilidades no presente pode não ser uma falta de habilidades que se verificará dentro de cinco anos. Um jovem, educado e fluente nas línguas oficiais deve adaptar-se a qualquer condição económica.
O anterior governo conservador lançou o que hoje é conhecido como o sistema Express Entry, que favorecia os imigrantes com ofertas de emprego para satisfazer as necessidades imediatas do mercado de trabalho a curto prazo, de modo que os recém-chegados pudessem trabalhar apos a sua chegada.
No entanto, devido à enfase nas ofertas de emprego, o sistema acabou por trazer mais cozinheiros e supervisores de serviços de alimentação do que qualquer outro profissional, pondo em causa o objetivo de atrair pessoas altamente qualificadas que quisessem vir apara o país.
O sistema minimizou o capital humano e isso excluiu muitos estudantes internacionais que tinham pouca experiência de trabalho. O governo federal precisa pensar a longo prazo e selecionar imigrantes de modo a garantir que tenham sucesso a longo prazo numa variedade alargada de profissões.
O novo sistema ainda dá uma vantagem aos candidatos com ofertas de emprego, pois continua a dar mais pontos aos candidatos que já têm emprego no Canadá. No entanto, às vezes pode haver demoras até serem selecionados, enquanto antes estava garantido. Agora vemos mais jovens profissionais com educação no estrangeiro a receber os convites para se inscreverem.
As profissões ligadas ao setor da construção também viram cair significativamente as aplicações de cerca de 1,827 ou 6% antes das mudanças, para apenas 900 ou 2%, porque esses candidatos não usufruem agora das vantagens de ter oferta de emprego, sendo certo que geralmente as suas qualificações educacionais são mais baixas.
O atual sistema tenta encontrar um equilíbrio entre as necessidades económicas de longo e curto prazo do Canadá, mas Otava deve simplificar o processo de avaliação do impacto no mercado de trabalho (LMIA) para permitir que as empresas consigam provar que nenhum canadiano pode preencher e posicionar-se aquela vaga, e emitir rapidamente uma oferta de trabalho para um potencial imigrante.
Sob o atual sistema, é dada mais importância aos candidatos com credenciais de educação canadiana, daí o número de pessoas com experiência de estudo no Canadá que foram selecionadas como imigrantes ter aumentado dramaticamente para 21,433, ou 40% dos convites nos primeiros seis meses após as mudanças, em comparação com o período entre janeiro e novembro de 2016, quando apenas 8,592 ou 30% dos convidados a imigrar possuíam credenciais de educação efetuada no Canadá.
Números recentes mostram que os candidatos da Índia representaram a maior fatia da participação entre os selecionados para imigração, com a sua participação saltando para 22,760 ou 43% do total do período respeitante entre janeiro e maio de 2017, em comparação com 8,901 ou 31% em 2016.
Tanto os cidadãos da China como os da Nigéria também viram também os seus números crescerem exponencialmente. O primeiro mais do que duplicou, passando de 2,055 para 5,231, enquanto que o último quase quadruplicou, passando de 815 para 2,900. A China e a Índia são as duas principais fontes de estudantes estrangeiros no Canadá.

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